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outubro 2017

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A internacionalização do yuan e a desdolarização global

Escrito por , Postado em Tulio Ribeiro

(Imagem: CGTN)

A definição de quais moedas deve-se acumular a riqueza é uma das questões mais tangentes e polêmicas da atualidade. Será que o movimento das transações comerciais apontam para um modo de diversificar as moedas que servem a esta mensuração? Pressuposto que nesta seara, o que se apresenta é ascensão da moeda chinesa.

Quando no início do século se cobrava a inserção do yuan como parâmetro, a secretaria do tesouro estadunidense refutava, exigindo que o governo asiático reduzisse sua intervenção na economia como premissa a dar garantias ao ¨mercado¨ e por fim deixasse a moeda flutuar. Hoje o mundo tem informações suficientes para saber que, as premissas exigidas apenas representavam a tentativa de retardar um momento que se faz premente.

Em 2004 o yuan era a 35º moeda em transações, atualmente está entre as dez maiores. As maiores taxas de crescimento de seu PIB e ser o maior exportador do mundo alteraram este parâmetro positivamente. O fato é que seu desempenho no comércio garantiu que diversos países aceitassem sua moeda como pagamento, pois passaram a depender da importação do país asiático. A máxima é que a China compra preferencialmente de quem lhe compra.

Diante desta nova realidade, o Fundo Monetário Internacional em 24 de setembro inseriu o yuan na cesta que mensura as transações internacionais de pagamentos. Desde 1999, o Direito Especial de Giro(DEG) que se assemelha uma moeda virtual, era formado apenas pelo dólar(EUA), iene(Japão), Euro(zona euro) e libra(Inglaterra). Esta é a segunda medida importante , já que o FMI já tinha inserida o yuan na cesta de suas reservas.

Corroborando com esta análise se faz primordial compreender, mesmo que os Estados Unidos atue contra, que o mercado mostra sinais de caminhar no sentido de respaldar uma mudança. Entre 17/12/2016 a 8/9/2017 o dólar se desvalorizou em 7,85% (saindo de 6,959 para 6,452 de yuan), somente em setembro a queda foi de 1,2%, a maior para um mês desde julho de 2004. Este movimento reduz as dívidas das empresas chinesas e permite o avanço do poder de compra diante dos estadunidenses.

Passando dessa abordagem, é preciso reconhecer que o dólar ainda é 60% das reservas cambiais e líder em transações comerciais e de serviços. Este modelo se mantém principalmente porque os Estados Unidos é deficitário na balança comercial e paga suas contas através de sua moeda, espalhando o dólar pelo o mundo ao contrário da China que sendo superavitária acumula e ainda não distribui yuan. A título
de explicação a potência americana financia seu ¨défit¨, seja fiscal ou comercial, via emissão de papel-moeda.

Mesmo que os dados ainda mostrem a supremacia estadunidense, o comparativo com o passado aponta superação deste padrão, principalmente pela razão que os EUA estão longe de ser superavitários e a China de ser deficitária. Em todo caso, mesmo que analistas que servem aos fundos de lastro em dólar queiram esconder, três forças fundamentais reforçam o yuan.

A primeira é que a China é detentora da maioria dos títulos da dívida da nação da América do norte e não deixará de usar caso necessite impor sua moeda. A segunda é a mais importante pois se desenrola atualmente. O maior mercado de demanda do dólar é o oriente que acumula recursos e o usa como pagamento, a mudança para venda de barril de petróleo em moeda chinesa(iniciada na Venezuela) vai reduzir muito esta procura, forçando sua desvalorização. Nasce os petroyuan em detrimento dos petrodólares. A terceira é que a China possui a maior produção mundial em ouro e pode lastrear sua moeda, ao contrário dos Estados Unidos, desde que abandonou o padrão-ouro(1971) por incapassidade de honrar a paridade que lançou em Bretton Woods(1946), não tem como alterar esta realidade no médio prazo.

Fontes:

www.xe.com/es/currencycharts/?from=USD&to=CNY&view=2Y (intervalo do gráfico 17/12/2016 a 8/9/2017)

www.cgtn.com

Telesur/vtv

www.hispantv.com

Autor:

Tulio Ribeiro é graduado em economia,pós-graduado em História Contemporânea,mestre em História Social, doutorando em ¨Ciencias para Desarrollo Estrategico¨pela UBV-Caracas. Autor do livro: A politica de Estado sobre os recursos do petróleo, o caso venezuelano.

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