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Trump, na recorrente briga com parte da mídia, vai liberalizar o setor para beneficiar seu aliado

Por Tulio Ribeiro

27 de outubro de 2017 : 04h05

(crédito imagem: Mediamatters.org)

No decurso de suas recorrentes brigas com desafetos da grande mídia estadunidense , Presidente Donald Trump prepara a liberalização do setor de comunicações para beneficiar sua aliada, a gigante Sinclair Broadcast Group.

A lei atualmente impede que um meio concentre mais de 39% de audiência de sua área de cobertura. Está vigente que a política anti-monopólio condiciona a posse de dois canais de televisão apenas se uma delas estiver fora das 4 mais vistas na área de cobertura, bem como a existência de 8 emissoras independentes na disputa de audiência, o que comumente é chamada de ¨prova dos 8¨. Determina o paradigma que é proibida a propriedade ¨cruzada¨que seria deter um canal de TV e de rádio no mesmo mercado.

Trump encarregou Anjit Pai, titular da Comissão Federal de Comunicações revogar todas estas normativas a partir de novembro em parceria com o congresso. Pai é um advogado republicano formado pela Universidade de Chicago e que lidera a reversão da neutralidade de envio de dados pelos provedores de internet. A neutralidade impede que grandes transmissores de dados priorizem remessas de uns, em detrimentos de outros, assim grandes grupos poderiam beneficiar seu interesse comercial ou político. A política liberalizante permite priorizar interesses na transmissão e abrir caminho aos grandes grupos absorverem mais mercado diminuindo dos veículos independentes.

O anúncio foi prontamente apoiado pela Associação Nacional de Broadcast e Associação dos diários Americanos. A primeira pela expansão de conglomerados e a segunda para que os jornais possam deter sinais audiovisuais, hoje proibida a imprensa escrita.

Seguramente o que está claro é que o projeto prestes a ser executado vai de encontro a beneficiar a Sinclair, o maior conglomerado de mídia dos EUA com 173 estações em todo país e que possui mais 60 em aprovação no governo. O grupo consegue chegar a 45% dos lares e está em constante expansão, além de ser o protagonista mais próximo a ¨Casa Branca¨.

Dentre as vozes que contestam este novo modelo está a ONG ¨Free Press¨ que denuncia que Trump e Pai estão ¨comprometidos em eliminar qualquer obstáculo a expansão voraz da SBG. O caminho defendido pela organização é de ¨fortalecer as vozes locais e aumentar a diversidade de pontos de vistas, não entregando as ondas a um grupo cada vez mais reduzido de conglomerados gigantes.

Tulio Ribeiro

Túlio Ribeiro é graduado em Ciências econômicas pela UFBA,pós graduado em História Contemporânea pela IUPERJ,Mestre em História Social pela USS-RJ e doutorando em ¨Ciências para Desarrollo Estrategico¨ pela UBV de Caracas -Venezuela

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2 comentários

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Antônio Marcos

27 de outubro de 2017 às 16h20

Patrimonialismo

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Luiz Carlos P. Oliveira

27 de outubro de 2017 às 07h53

Se o PT fizesse isso no Brasil, seria coisa de “comunista”? A direita brasileira é uma piada. Se dizem “inteletuais”, mas não passam de uns analfabetos funcionais.

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