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“Eu vou viver muitos anos ainda, Margot”. Últimas palavras do cientista político Moniz Bandeira

Por Wellington Calasans

11 de novembro de 2017 : 08h24

Por Wellington Calasans, para O Cafezinho

Confirmada na tarde de ontem, às 14h, na cidade de Heidelberg, na Alemanha, a morte de um dos maiores nomes da pesquisa sobre a história política, o historiador e cientista Luiz Alberto de Vianna Moniz Bandeira. Complicações renais, pulmonares e a fragilidade decorrente de seguidos problemas cardíacos foram decisivas para a morte deste verdadeiro brasileiro.

Moniz Bandeira deixa um filho, Egas Moniz, e a esposa Margot Ellisabeth Bender, alemã, com a qual falei na manhã deste sábado (11). Abatida, preocupada com a tristeza do filho Egas, a Sra. Margot ainda encontrou forças para narrar os últimos dias de vida do Professor Moniz. “Foi tudo muito rápido, Wellington, ele sentiu dores nas pernas na terça-feira e eu chamei a ambulância”, narrou a viúva. Pelo profundo respeito que tenho ao Professor Moniz, jamais publicaria detalhes do seu sofrimento.

No último gesto de amor à esposa Margot, Moniz Bandeira, prestes a entrar em coma induzido, tentou acalmá-la com uma frase que serve para todos nós que aprendemos a admirá-lo: “Eu vou viver muitos anos ainda, Margot”. A sua imortalidade estará presente até que tombe o último brasileiro nacionalista.

Foi a última análise, mais um certeira, de uma pessoa singular e profissional perfeccionista, reconhecido pelo seu rigor acadêmico e engajamento, que agora entra para o panteão dos imortais, sobretudo pela contribuição que deu à História, Política e Relações Internacionais. Muito produtivo até mesmo com a idade avançada, Moniz Bandeira lançou este mês os seus dois últimos livros “O Ano Vermelho” e “Lenin”, ambos em alusão aos cem anos da Revolução Russa.

Este texto não esgota o que tenho a falar sobre o Professor Moniz Bandeira. Estou profundamente triste com a dor desta notícia. Falávamos praticamente todos os dias, em vídeo. Uma amizade que me ajudou a olhar o mundo com outros olhos. Estávamos concluindo o corpo do livro “A arte da insurgência”, para o qual fui convidado a fazer a “escrita moderna” de artigos publicados por ele no final dos anos sessenta. Descanse em paz, imortal!

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30 comentários

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Lucia Joana Assis

12 de novembro de 2017 às 15h35

Grande perda para todos os brasileiros que lutam por um Brasil autônomo e soberano. Paz e bem ‘a sua família.

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Hélio Marques Franco

12 de novembro de 2017 às 12h32

O Brasil perdeu um grande homem !!!

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Marcos Neves

12 de novembro de 2017 às 08h55

Vai viver muito tempo mesmo, já estou passando meus livros para meus filhos que passarão para as futuras gerações.Siga em paz.

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Vania Freitas Andrade

12 de novembro de 2017 às 04h47

Descanse em paz!

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Rosa Godoy

12 de novembro de 2017 às 02h20

Ele vai durar por sua belíssima obra.

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Vanilse Jesus

12 de novembro de 2017 às 00h06

Que ele descanse em paz. E nos que cá ainda estamos, tenhamos a coragem e a hombridade de sustentar no alto a bandeira por ele hasteada de defesa intransigente dos interesses nacionais contra os surrupiadores de sempre. O momento é grave e exige que sigamos firmes e rigorosos na guarda de nossa ameaçada soberania.

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Paulo LIma

11 de novembro de 2017 às 22h04

Só agora descobri no youtube a importante e sincera Homenagem Póstuma de Wellington Calazans e Romulus. Vale a pena ouvir o claro depoimento de D’Arc de Mattos, este outro grande nacionalista brasileiro, sobre a monumental importância da obra de Moniz Bandeira para a formação da real consciência na defesa ativa da soberania nacional. No depoimento seguinte, do prof. e economista Carlos Lessa, falhas no áudio prejudicaram sua expansiva expressão. O depoimento final, do jovem pesquisador USP Lucas Eduardo, remete talvez a última e mais extensa entrevista, além das periódicas intervenções no WC, realizada em prol et por cause da incansável militância Moniz Bandeira. https://revistas.usp.br/epigrafe/issue/view10085/1091

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Paulo LIma

11 de novembro de 2017 às 19h14

Mesmo enfraquecido pela doença, o professor Moniz Bandeira nunca deixou de lutar contra a opressão do imperialismo econômico, denunciando suas várias estratégias de ação, como a lawfare em Honduras, Paraguai e Brasil. Ontem mesmo, sem saber de sua morte, indiquei a leitura de Brasil, Argentina, Estados Unidos Da Tríplice Aliança ao Mercosul conversando sobre a extinção de escravos no sul do Brasil e do continente americano, com jovem antropóloga gaúcha, cuja tese de mestrado versa sobre diversas comunidades quilombolas no Pará, de onde ela acabou de voltar.
A obra e exemplo do grande historiador e cientista político baiano Moniz Bandeira continuará a colaborar para iluminar nossos caminhos na direção do necessário sentido das verdadeiras conquistas populares. Com o mesmo propósito contamos nessa via com o inteligente trabalho do admirável comunicador Wellington Calazans que, com simplicidade, alegria e competência nos anima no Cafezinho a seguir em frente mais despertos, fortes e iguais. Pela Lei Cancellier, pelo Referendum Revogatorio, abaixo o golpe!

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Orlando Soares Varêda

11 de novembro de 2017 às 15h51

Muniz Bandeira é muito mais que imortal. Seres humanos como o brasileiro Muniz Bandeira, são como as Árvores frondosas, nunca morrem. Pois, mesmo quando descansam, se eternizam nas florestas que continuam a disseminar.

Orlando

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Alessandra Efrem

11 de novembro de 2017 às 17h01

Nossa, que tristeza, que Deus o acolha

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José Mauro Silva

11 de novembro de 2017 às 15h47

Grande perda. Vão se os intelectuais .Enquanto imbecis atacam filósofos, artistas e museus. Vem meteoro .

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Zibinho Meireles

11 de novembro de 2017 às 13h31

Parabéns Wellington por compartilhar da amizade de um ilustre brasileiro que nos deixa.

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Márcio Martins

11 de novembro de 2017 às 12h50

O universo anda conspirando contra nós, não é possível! Que lástima, que tristeza! Mas o que fica é que suas ideias permanecerão e hão de vencer, pois como dito, são eternas…descanse em paz…

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Maria Thereza

11 de novembro de 2017 às 11h50

Vai viver mesmo, enquanto existirem brasileiros dignos do país. Nossa solidariedade à família

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Marcia Ramos Geão

11 de novembro de 2017 às 13h26

Virgínia

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    Virgínia Maria Ramos M

    12 de novembro de 2017 às 17h34

    Grande perda para o Brasil!!! Um pensador, um excelente cientista político que nunca deixou de trabalhar, mesmo lutando há anos com a fragilidade de sua saúde.
    O Brasil empobreceu .. estou muito triste com essa notícia.
    Eu tive a oportunidade de conhecê-lo e tenho alguns livros dele … que deveriam ser leitura obrigatória, para todo brasileiro, que ama a sua pátria e a justiça.

    Responder

Renata Martins

11 de novembro de 2017 às 13h10

Que seja recebido e cuidado por nossos irmãos espirituais.

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Neuza Anselmo

11 de novembro de 2017 às 12h50

Infelizmente pessoas de certa importância no meio científico vão embora muito cedo

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Katia Almeida

11 de novembro de 2017 às 12h49

Meus pêsames aos familiares e amigos

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Jose Luis Maia Gusmao

11 de novembro de 2017 às 12h45

Um caráter inrepiencível, diferenciado. Fará falta pras pessoas lúcidas e concientes.

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LUIZ FELIPE MUNIZ DE SOUZA

11 de novembro de 2017 às 10h42

Lá se vai mais um grande nacionalista brasileiro! Triste notícia para um país já tão desiludido! Siga em paz!

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Maria Rita

11 de novembro de 2017 às 10h36

Mais uma falta triste para nossa democracia. Sinto-me como numa quarta-feira de cinzas. Oi, zum, zum,zum,zum, está faltando um. No entanto, ele vive de verdade em nossas mentes e corações.

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Túlio Ribeiro

11 de novembro de 2017 às 10h21

Moniz Bandeira, presente!
Parabéns pela homenagem Wellington Calasans.
Vamos recorrer às suas lembranças em convivência com historiador para conhecer mais sobre este protagonista em analisar nossa época.

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Valquíria Capila

11 de novembro de 2017 às 11h53

Muito triste! Cientista lúcido, muito à frente de seu tempo!

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Cuca Duarte

11 de novembro de 2017 às 09h09

GRANDES HOMENS SE VÃO E SE TORNAM IMORTAIS e vermes escrotos continuam aqui na terra barbarizando espalhando todo seu terror..

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Fausto Amaral DE Barros

11 de novembro de 2017 às 10h55

Deveria existir uma Lei proibindo a morte dos Homens.

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    ari

    11 de novembro de 2017 às 20h00

    A morte basicamente é decorrência de doenças e do envelhecimento. Basta dar uma olhada nos últimos 100 anos para ver o quanto se avançou na cura das doenças. Velhice é considerada por muitos uma doença e não se surpreenda se daqui uns 50/100 anos acontecer a “morte da morte” ou pelo menos a possibilidade de viver muito, mas muito mais do que hoje. Não estou delirando, existe muita gente boa trabalhando no assunto
    Desculpe sair da pauta

    Responder

Roberto

11 de novembro de 2017 às 08h46

Uma perda para nossa luta.

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MARILIA FONSECA

11 de novembro de 2017 às 08h46

Que lástima. Perdemos mais um pensador brasileiro.
Que sua família encontre o consolo que merece

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Nelson Marisco

11 de novembro de 2017 às 08h33

Vai-se o corpo, fica o pensamento. Para sempre. Por isso que ele acertou em dizer “eu vou viver por muitos anos ainda. ..”

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