Vila Militar do Chaves (Adnet satiriza Bolsonaro)

O ano de 2018 como o fim do túnel

Por Denise Assis

15 de novembro de 2017 : 06h25

Por Denise Assis, colunista do Cafezinho

O ano de 2018 se avizinha. Virou uma espécie de número cabalístico. Todos só o têm em mente, como se fosse uma panaceia para múltiplos males. O “tudo” o que nos aconteceu de ruim, desde aquele fatídico 31 de agosto de 2016, nos colocou em estado de perplexidade. Eu diria mesmo, de um “imobilismo”.

Assim, assistimos os ventos mudarem e, como “birutas”, o seguimos. A indignação parece ter cegado os que deveriam se organizar, ao mesmo tempo em que emudeceu o exército de equivocados, que se debateram nas redes sociais em defesa daquele mineirinho que, desde os primeiros minutos da vitória da presidenta Dilma, insuflou o golpe, “só por molecagem”. E, só por molecagem, roubou o futuro dos trabalhadores. E, só por molecagem, roubou também o futuro do país, pois que sem as empresas estratégicas retornamos à condição de Brasil colônia, exportador de milho e minério.

Para os que, à esquerda e à direita, mal engolem o momento, atravessado que está Michel na garganta da população (vamos combinar que 3% de apoio com margem de erro, acabam em 0%, para mais ou para muito menos), vislumbrar 2018 tem um peso a mais. É bom que se preste atenção ao atual Congresso.

Enquanto de A a Z reclamamos da pouca ou nenhuma qualidade da maioria dos parlamentares, deveríamos nos dar conta de que, cada um que depositou o seu voto na urna tem a sua parcela de responsabilidade no conjunto daquela obra. Venais ou não, eles foram votados. E é aí que mora o perigo. Ou a saída.

Enquanto houver eleições e pudermos dar o nosso “pitaco”, é fundamental que a população perceba que se lá estão, foram colocados por uma sociedade que votou no vizinho, no priminho, no indicado por aquele político rançoso a quem nunca pedimos conta dos seus atos e suas posições quanto aos assuntos que nos interessam.

Um Congresso alinhado com o Executivo, e com as pautas de interesse dos trabalhadores e do bem estar geral pode e deve ser construído por nós nas urnas. É preciso criar a consciência de que o futuro presidente ter maioria no Congresso evita esta verdadeira “feira de votos para pautas contra o povo”, que se estabeleceu nesse (des)governo. Não adianta dizer que não se interessa por política, que vai anular o voto nas próximas eleições. Você pode não se interessar em votar, mas o que for decidido lá, naquela casa, vai dizer respeito diretamente a você. Ou entendemos isto de uma vez por todas, ou vamos continuar a sermos solapados em nossas conquistas e nos nossos interesses. Dar as costas para as urnas, como se vêm pregando por aí, é dar as costas para o nosso futuro.

Denise Assis

Denise Assis é jornalista e autora dos livros: "Propaganda e cinema a Serviço do Golpe" e "Imaculada". É colunista do blog O Cafezinho desde 2015.

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2 comentários

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Mar

15 de novembro de 2017 às 09h37

Muito interessante sua matéria, principalmente quando você diz que as pessoas estão esperado o ano de 2018 para resolver os problemas que tomaram conta do país. Para mim isto é um perigo pois nossos inimigos que estão no poder não estão dispostos a largar o osso. Sendo assim, farão de tudo para tirar este trunfo das mãos do povo. Não esqueçam que eles tem o judiciário, a globo, as malas e os empresários mercenários a seu favor, sem falar nas possíveis fraudes em um sistema que pode muito em ser programado para direita. Veja que o Aécio já está mexendo os pauzinhos e está convicto que irá se eleger nas próximas eleições tanto que já avisou que será candidato a alguma coisa (ele não vai precisar de voto livre e espontâneo). E assim como ele outros golpistas já estão no mesmo embalo. Por isso é urgente que as forças progressistas trabalhem desde ONTEM para ANULAR estas frentes que estão a serviço dos golpistas. Acreditar que os canalhas que tomaram o poder vão permitir que as eleições de 2018 sejam limpas e democráticas é pura ilusão. Por isso pensem em formas que poderão NEUTRALIZAR o judiciário golpista, a globo, os empresários mercenários e os fornecedores de malas que beneficiam a direita golpista para aí sim o ano de 2018 ser o ano da virada.

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    JOÃO CARLOS AGDM

    15 de novembro de 2017 às 18h12

    Muito bem colocado.
    Algumas ressalvas:
    1. O osso que está sendo dado aos estrangeiros tem trilhões de US$ pra eles não largarem o osso.
    2. Fundamental é esclarecer os 60% que tiveram suas cabeças envenenadas pela Mídia contra Dilma, Lula e o PT
    3. Entre esses 60%, esclarecer principalmente aqueles da classe média. Inclusive as mais altas. As formadoras de opinião
    4. Mostrar a eles que TAMBÉM são vítimas dos bandidos que tomaram o Poder
    5. E não tratá-los como inimigos, chamando-os de coxinhas

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