Haddad no Pânico

Os invisíveis da sociedade, Jesus e o fascismo

Por Pedro Breier

18 de dezembro de 2017 : 12h01

Por Pedro Breier

Larissa foi morta a pauladas em um hotel na cidade de São Paulo, ontem. Larissa era transexual e morreu cruelmente apenas por existir. O Brasil é o campeão em homicídios de LGBTs nas Américas, de acordo com o relatório da ILGA (Associação Internacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgêneros e Intersexuais).

Um homem ficou preso 11 meses “preventivamente” sob a acusação de tráfico pela posse de 0,26g de crack. Após quase um ano na prisão, ele ainda não havia sido citado para que o processo criminal fosse, vejam bem, iniciado. A defensoria pública de São Paulo conseguiu colocá-lo em liberdade recorrendo ao STF, já que o TJ-SP e o STJ negaram o habeas corpus.

Essas duas notícias tão chocantes quanto corriqueiras abrem a semana que antecede o natal de 2017.

Seria interessante usarmos a data que simboliza o nascimento de Jesus – um cara com ideias poderosas, meio hippies, que foram usadas deturpadamente por muita gente para angariar poder e riquezas, de imperadores romanos a pastores evangélicos que pregam a picareta teologia da prosperidade – para refletirmos sobre o fato de não termos entendido nada do que ele quis dizer.

A Bíblia não deixa margem para dúvidas. Jesus pregava o amor universal. Incondicional. Amai ao próximo como a si mesmo. Ofereça a outra face.

Andava com prostitutas, pecadores, leprosos, adúlteros, os excluídos da época. “Atire a primeira pedra quem nunca pecou”, lembram?

Mais de 2 mil anos depois, os excluídos continuam existindo em profusão. A cor da pele, o gênero, a sexualidade ou a classe social ainda determinam quem tem direito a viver com dignidade e quem pode ser tratado como a escória da sociedade sem maiores consequências.

A intolerância contra os marginalizados é alimentada, suprema hipocrisia, por aqueles que se dizem os mais cristãos, os fieis seguidores do Jesus.

A crise econômica mundial fez brotar o fascismo que estava escondido no coraçãozinho empedernido de muita gente. A piora das condições de vida faz com que as pessoas deem ouvidos a quem oferece respostas fáceis para os problemas.

Não faz sentido algum jogar a população contra grupos já excluídos quando a raiz dos problemas é a concentração da riqueza com um número incrivelmente baixo de pessoas em detrimento da esmagadora maioria da população.

Entretanto, é muito mais fácil direcionar a raiva e o ódio para aqueles que não têm como se defender do que para os poderosos. Bolsonaro sabe muito bem disso.

Enquanto continuarmos achando que a vida é uma competição insana por riqueza, poder e status e que é natural que uns poucos consigam chegar ao “sucesso” e muitos vivam em condições sub-humanas, estaremos fadados a repetir o que fazemos a milhares de anos: matarmo-nos estupidamente enquanto meia dúzia de poderosos controlam a vida de todos os demais.

Só quando os invisíveis da sociedade – como os transexuais e os usuários de crack que passam por sofrimentos inimagináveis por causa do nosso descaso – deixarem de sê-lo poderemos nos tornar uma sociedade verdadeiramente justa.

 

 

 

Pedro Breier

Pedro Breier, colunista d'O Cafezinho, é formado em direito mas gosta mesmo é de jornalismo. Nasceu no Rio Grande do Sul e hoje vive em São Paulo.

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13 comentários

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Esmeraldo Cabreira

19 de dezembro de 2017 às 06h42

ORA , ORA, CONVERSAR COM FASCISTAS…. ABSOLUTA PERDA DE TEMPO!
ADEMAIS, FASCISTAS KOXINHAS SÃO “SINALIZADOS” PELA IMPRENSA PIG E SEUS COMPORTAMENTOS IGNAROS E TRUCULENTOS (É SÓ O QUE SABEM FAZER!) SÃO ESTIMULADOS PELA IMPRENSA GLOBO-MOSSACK E PIG…..!
ASSIM, É PRECISO DESTRUIR O PIG E RESGATAR A DEMOCRACIA PARA TODOS OS BRASILEIROS!
OU VAMOS PARA A GUERRA CIVIL….

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Eugênio Viola

18 de dezembro de 2017 às 21h24

O Papa Francisco (de Assis) costuma falar das “periferias existenciais” em relação aos que vivem à margem da sociedade, os invisíveis, excluídos, esquecidos, desamparados.
Um dos maiores escritores – que já não se encontra mais entre nós -, Eduardo Galeano escreveu sobre “Los Nadies”(Os Ninguéns). Um texto que brotou do coração e se eterniza.
https://www.youtube.com/watch?v=pEkyblfn6oo
Abraços

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Mar

18 de dezembro de 2017 às 20h54

Gostei muito da ilustração, reflete a realidade. Para mim Jesus foi a pessoa mais sábia que passou pela terra. Seus ensinamentos analisados da forma correta nos faz pessoas melhores e nos ajuda a conviver melhor com outras pessoas.
Certa vez Mahatma Ghandi (que não era cristão) disse: “Não conheço ninguém que tenha feito mais para a humanidade do que Jesus. De fato, não há nada de errado no cristianismo. O problema são vocês, cristãos. Vocês nem começaram a viver segundo os seus próprios ensinamentos.”
Infelizmente muitos usam o nome de Jesus para afastar as pessoas ainda mais dele. Como é o caso desses pastores políticos. Já prevendo esta situação Jesus deixou bem claro que não tinha nada em comum com estas pessoas, Ele disse: Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade.
Mateus 7:21-23.
Por isso sou contra chamar aquela turma do congresso de bancada da bíblia. Não acho justo. Já que eles se apropriam de forma indevida desta importante “biblioteca” de livros (a bíblia é uma coletânea de livros, escrita por autores diferentes em lugares e épocas diferentes, sob inspiração divina, por isso que esses livros se complementam). Com certeza Jesus não está do lado de pessoas que oprimem o povo e que pregam o ódio.
Jesus revolucionou o modo de pensar da humanidade!

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Vera Cury

18 de dezembro de 2017 às 17h41

O Brasil mata homens, mulheres,policiais, idosos, jovens,adolescentes. O país é um patibulo público. Só não entendo por que só o pessoal do LG BT é mencionado. Parece que a vida de gays, lésbicas e trans vale mais que as outras vidas. Devemos nos preocupar também com a morte de outras pessoas. Toda vida é importante.

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Roseli Verlindo

18 de dezembro de 2017 às 17h12

Ruído na comunicação.

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Andre Azevedo

18 de dezembro de 2017 às 14h53

Só causa indignação pelo jeito, se for homossexual.

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    Ermeneghildo Ghil

    18 de dezembro de 2017 às 15h35

    Não seja mais um hipócrita! Tem aos montes por aí.

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    Andre Azevedo

    18 de dezembro de 2017 às 16h57

    Hipócrita é você que quer posar de defensor dos oprimidos, mas fica só no discurso. Aposto que faz discurso contra desigualdade, mas defende privilégios; aposto que é contra corrupção, mas vota no lula,; deve ser a favor de democracia, mas apóia a Venezuela; é a favor da distribuição de renda, mas contra a reforma previdenciária que tira do pobre para dar para o rico. Estamos fartos deste discurso hipócrita de uma esquerda decrépita

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      ari

      19 de dezembro de 2017 às 18h17

      Eu já tinha ouvido falar em discípulos de Aristóteles, Marx, S. Francisco ou mesmo de Hitler. Mas você é o primeiro discípulo da Globo que conheço. Parabéns!

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    Andre Azevedo

    18 de dezembro de 2017 às 17h05

    Vocês só usam dados que são convenientes pata reforçar suas teses. Morrem mais de 60 mil pessoas por ano no Brasil. Esta é a verdade.

    Responder

Andre Azevedo

18 de dezembro de 2017 às 14h50

O Brasil é campeão de morte de policiais, de mulheres, heterossexuais, crianças, idosos, negros, brancos, índios, mestiços. O Brasil é campeão em tudo.

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Cassius Cruz

18 de dezembro de 2017 às 14h05

Andre Azevedo

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    Andre Azevedo

    18 de dezembro de 2017 às 14h50

    O Brasil é campeão de morte de policiais, de mulheres, heterossexuais, crianças, idosos, negros, brancos, índios, mestiços. O Brasil é campeão em tudo.

    Responder

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