Cafezinho 2 minutos: Posse de Bolsonaro e alegações finais contra Lula

Duas táticas complementares da esquerda brasileira para 2018

Por Theo Rodrigues

17 de janeiro de 2018 : 09h55

Por Theófilo Rodrigues, Colunista do Cafezinho

A depender do que acontecerá em 24 de janeiro no julgamento do TRF-4, a esquerda brasileira tem desenvolvido ao menos duas táticas complementares para sua estratégia eleitoral em 2018.

De um lado, Lula vem construindo um amplo arco de alianças que vai do PT ao centro do espectro político e que é baseado em um reformismo fraco, se quisermos adotar a expressão de André Singer.

Do outro, Manuela D´Ávila, do PCdoB, representa uma aposta na juventude e nos movimentos sociais, com um reformismo forte que mantém pontos de encontro com o projeto de “democracia radical” de Ernesto Laclau e Chantal Mouffe.

A construção de Lula é por cima, a partir de nomes já consolidados no cenário político nacional. Na busca pelo centro, Lula mantém diálogo aberto para garantir o apoio de fortes lideranças regionais como Roberto Requião (PMDB) no Paraná, Renan Calheiros (PMDB) em Alagoas, Eunício Oliveira (PMDB) no Ceará, Jader Barbalho (PMDB) no Pará, Marcelo Castro (PMDB) no Piaui, Eduardo Braga (PMDB) no Amazonas, Eduardo Paes (PMDB) no Rio de Janeiro, Josué Alencar (PMDB) em Minas Gerais, Katia Abreu (sem partido) no Tocantins e Armando Monteiro (PTB) em Pernambuco.

Já Manuela mobiliza uma candidatura desde baixo. Sua prioridade tem sido o diálogo com setores da juventude e dos movimentos sociais. De forma espontânea e horizontal, sua candidatura serve de estímulo a tantos jovens desacreditados com a política a voltarem não apenas a se interessar, mas também a participar, até mesmo com candidaturas ao parlamento. Seu carro chefe é um reformismo forte, cujo núcleo central é um rompimento com o capital financeiro das avenidas Paulista e Faria Lima, que permita a volta de um desenvolvimento econômico produtivo e que amplie as capacidades de investimento em políticas sociais no país. Ao lado dessa política de redistribuição, Manuela traz também as políticas de reconhecimento, tal qual propõe Nancy Fraser. Como mulher feminista, Manuela possui forte vínculo com a agenda das minorias sociais. Sua aposta está na mobilização crescente nas redes sociais e na internet. Sua referência e cartão de visitas é o exitoso governo de Flávio Dino no Maranhão.

As duas táticas não são excludentes, mas sim complementares. No primeiro turno há espaço para as duas candidaturas apresentarem seus programas. Por vias distintas, as duas candidaturas podem se opor ao conservadorismo de Bolsonaro e ao neoliberalismo de Alckmin. No segundo turno, o encontro dessas duas táticas da esquerda para evitar a vitória da direita é uma certeza. Essa é a estratégia.

O que gera dúvidas é o que ocorrerá em 2019: uma reedição do que foi o velho governo Lula, entre 2003 e 2010, ou um governo de novo tipo baseado em um reformismo forte? Tudo dependerá da força que a candidatura de Manuela D´Ávila acumulará e da capacidade de seu movimento político influenciar os rumos do novo governo. Isso, claro, se Lula puder ser candidato em 2018.

Theófilo Rodrigues é professor do Departamento de Ciência Política da UFRJ.

Theo Rodrigues

Theo Rodrigues é professor do Departamento de Ciência Política da UFRJ.

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18 comentários

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Jose Granje

18 de janeiro de 2018 às 02h52

Professor da UFRJ. Provavelmente estudou em uma Universidade pública. Então, que procure descobrir – dado os milhares de reais gastos com sua “educacao” as leis da sua chamada Ciência Política. Exercícios pondelesco escondem uma militância. Quão perverso é o ideológico. Mais um Moro da esquerda.

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LUIZ ANTONIO FERREIRA

17 de janeiro de 2018 às 21h45

Se o Lula for impedido sabe quando a Manuela ganha eleição para Presidente? Nunca.

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Thiago Carcav

17 de janeiro de 2018 às 19h52

Aposto que Lula dialoga mais com a juventude do que Manuela, não aposto tenho certeza. rs

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fernando

17 de janeiro de 2018 às 19h19

a esquerda toda tem que se unir pela candidatura do Lula..a esquerda caviar não e preocupe o Lulinha paz e amor será somente durante a campanha..depois de eleito é outra história…depois de tudo que a plutocracia fez, toda a direita classe média e PIG…paz e amor é só na cabecinha dos sonhadores!!!!

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Reginaldo Gomes

17 de janeiro de 2018 às 18h38

Só acredito na teoria da conspiração.
É só o povo começar se mobilizar e conscientizar em quem defende seus interesses , aparece do nada uma epidemia de mosquito que até a OMS mete a colher!!!! Será coincidência????

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Nilson Moura Messias

17 de janeiro de 2018 às 17h07

Com todo respeito e, não pode ser diferente. As esquerdas deveriam se unir à candidatura de Lula, que dispensa comentários. A candidatura do PT, poderá ser inviabilizada, não a chapa.

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Allex

17 de janeiro de 2018 às 15h15

A esquerda precisa se unir em torno de uma única candidatura. E é claro que o único nome hoje com condições reais de derrotar a direita fascista, anti-povo e entreguista, é Lula. Isso se ele não for tirado da disputa de modo criminoso, como vem sendo urdido à luz do dia pelo brutal consórcio golpista, com as bençãos do judiciário mais grotesco do planeta. Há outros excelentes nomes na esquerda, mas ainda não estão maduros em termos de potencial eleitoral em nível nacional. É o caso da própria Manoela, além de Boulos, Haddad, Dino etc. Todos devem apoiar Lula agora, sem titubear. O povo clama por ação urgente. Teorias e radicalismos não põem comida na mesa, não criam empregos, não abrem vaga em hospitais e nem em escolas.

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Guitardo

17 de janeiro de 2018 às 14h12

Eleição sem Lula é fraude. Dia 24 vai ter a maré vermelha, nesse nível:
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\/

https://www.youtube.com/watch?v=M5vobI-vq24&lc=

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Carlos D.

17 de janeiro de 2018 às 13h41

Ambas as táticas são apenas escassamente imediatistas, representam projetos de poder (pela via estreitamente eleitoral — algo no que o PCdoB também se converteu), e não projetos políticos.

A validade das políticas de identidade, que o Theófilo chama de “políticas de reconhecimento”, já está sendo severamente revisada até pela própria Nancy Frazer, a partir do momento em que ela vaticinou o fim do neoliberalismo progressista, porque é isso mesmo o que essas políticas são: a conversão, para o plano da “cultura”, do utilitarismo das “identidades” como projeto de regulação social.

Nos meios intelectuais, ao menos, já se insinua um difuso agastamento com a reificação chauvinista das “identidades” (de gênero e de “raça”). É só uma questão de tempo isso começar a ser frontalmente questionado. Ou seja, pela sua caducidade iminente, isso também não serve para fundamentar um projeto social para além dos militantismos fanatizados (pelas próprias identidades reificadas). Apenas a partir de particularismos não se pode engendrar um projeto social universalista de transformação. Esse é o limite lógico da coisa.

Assim, ambos os projetos pretensamente “complementares” são, na verdade, colchas-de-retalho táticas, como expressou há algum tempo atrás uma crítica ao Guilherme Boulos, a partir de uma intervenção dele no Centro de Estudos Estratégicos da Fiocruz (está por aí publicada). Assim, essa pretensa “complementaridade” apenas desenha alternativas distintas de um projeto não muito mais que intempestivo, improvisado e que incide nos mesmos limites estratégicos que o projeto falido do lulismo.

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Ricardo Cebalho

17 de janeiro de 2018 às 13h26

OPORTUNIDADE DE OURO

A esquerda talvez esteja tendo a melhor chance de muitas décadas em se enraizar definitivamente no Brasil, Acredito piamente que essa união em torno de LULA beneficiará esse empoderamento uma oportunidade de OURO que não podemos perder.
Para que isso aconteça devemos usar a sabedoria. Neste primeiro momento deixar de lado todo fisiologismo, individualismo e personalismo de alguns dirigentes com pretensões a candidatura presidencial para não fracionar. Já que é consenso, focar em conjunto todas as forças em absolver LULA e elege-lo presidente, trabalhar firme em campanha aproveitando a fragilidade que a direita se encontra, denunciar todos que votaram contra o trabalhador insistentemente, Fazer uma campanha com máximo de consenso em proposta sociais exeqüíveis para eleger o máximo de governadores, Senadores e Deputados, Fazendo assim a maioria no congresso, depois inteligentemente e coerência, cada partido reivindica sua proposta sem radicalismo inviável, tomaremos conta do Brasil.
O Pessoal do grupo que aprovarem essa idéia ajudem para tornar isso realizavel é oportunidade única, não vamos deixar a esquerda se fracionar nesta hora, Argumentem com deputados, senadores, dirigentes de movimentos e estudantes. (A hora é agora quem sabe faz), abraços.

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Luiz Hortencio Ferreira

17 de janeiro de 2018 às 13h16

A Eva disse tudo!
Pois na verdade, O Brasil é uma república federativa presidencialista, formada pela União, Estados, Distrito Federal e municípios, em que o exercício do poder é atribuído a órgãos distintos e independentes, submetidos a um sistema de controle para garantir o cumprimento das leis e da Constituição. O Brasil é uma república porque o chefe do Estado é eleito pelo povo, por mandato. É presidencialista porque o presidente da República é chefe de Estado e também chefe de governo. É federativa porque entre os federativos têm autonomia política.
A União está dividida em três poderes, independentes e harmônicos entre si. São eles o legislativo, que elabora leis; o executivo, que atua na execução de programas ou prestação de serviço público; e o judiciário, que soluciona conflitos entre cidadãos, entidades e o Estado.
O Brasil tem um sistema pluripartidário, ou seja, admite a formação legal de vários partidos políticos. Estes são associações voluntárias de pessoas que compartilham os mesmos ideais, interesses, objetivos e doutrinas políticas, que tem como objetivo influenciar e fazer parte do poder político.
Em 1988, cunhou-se a expressão “presidencialismo de coalizão” para definir o mecanismo de funcionamento do regime político-institucional brasileiro. O presidencialismo de coalizão designa a realidade de um país presidencialista em que a fragmentação do poder parlamentar entre vários partidos obriga o executivo a uma prática que costuma ser mais associada ao parlamentarismo onde mesmo eleito diretamente, o presidente da República, torna-se refém do parlamento, no nosso caso, os deputados federais e os senadores (congresso nacional).
Então, caros eleitores, devemos sim é nos preocupar com quem nós iremos eleger para o Legislativo de nosso pais, ou seja, quem nós elegeremos como deputados federais e senadores. E neste exato momento, se considerarmos os últimos acontecimentos políticos que abalaram nosso Brasil, temos quase nenhuma opção. Temos que buscar renovar o quadro legislativo, votando e elegendo mais jovens, mais mulheres e mais representatividade que apresentem propostas de uma social democracia, voltada à população de baixa renda e minorias, que no nosso pais é a grande maioria da população.

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Celso

17 de janeiro de 2018 às 13h14

A análise do professor, sucinta é verdade, compara, pela via da esquerda, o incomparável. Estamos falando de Lula: presidente que consolidou a economia e o social no Brasil, mesmo que pra isso teve que abrir mão de rompimentos com o sistema financeiro Internacional. Lula será candidato, pelo menos até 15 de agosto, quando sua foto já estará na urna. Caso Lula seja impedido, elegerá o seu substituto com larga margem de folga. Quanto ao PCdoB estranha-me Manoela, que embora seja uma deputada de inegável calibre, seu teto foi 500 mil votos no RS, ainda lhe falta envergadura política para subir a rampa do Planalto e representar, de fato, a juventude.

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Hilário Sousa

17 de janeiro de 2018 às 10h55

Sr. Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é claro que o problema que o país está passando hoje, não é culpa sua. Mas, se olhar bem direitinho, verá que tem sim. Vou apontar onde. Quando o senhor conviveu com a globo e outros meios de comunicação ou todos eles, sabia da podridão dos mesmos, mesmo assim, não tomou providências contra a imprensa nefasta que só mau causou ao país, que sonega imposto, que divulga notícias falsas, e etc, etc. Vou continuar votando no senhor, mas tenho essa magoa.

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    Valdeci Elias

    17 de janeiro de 2018 às 13h23

    Fidel Castro, não titubeou e mandou pro paredão , o Cunha cubano, o Gilmar Mendes cubano, os Marinhos cubanos. Escapou quem fugiu de Cuba, e até hoje quer vingança, e ficam sabotando Cuba através de Miami .
    O ISIS também não titubeia . Aliais hoje na Síria nenhuma facção titubeia. Os adversário são executados das mais variadas formas possíveis .
    Acho incrível ,a sorte do Brasil , ter sido governado por Lula . Uma pessoa capaz de desenvolver um país, sem fazer uma guerra civil . Por outro lado vejo uma arapuca sendo armada, através das Leis Orçamentárias. Uma bomba relógio, pra quem assumir em 2019. Se não obedecer sofre Impeachment . Se obedecer vai provocar o atrito entre classes, sendo obrigado a tomar partido por um lado , enquanto enfrenta outro.
    Espero, que Lula consiga de novo, o milagre de matar a fome, e dar lucro ao mesmo tempo

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Ricardo Oliveira

17 de janeiro de 2018 às 10h11

Precisamos romper com estes acordos que atrelam o governo a grupos oligárquicos que estão no poder desde o Brasil colônia, se é que algum dia deixaremos de ser, devemos nos organizar para uma sociedade participativa, colaborativa com atitudes mais contundentes, precisamos de um projeto de país e não de governo e para isso é necessário novas lideranças e respaldo dos experientes capazes de embarcar nesta ideia de avanço, não podemos combater a violência urbana apenas com a polícia o que se provou ao longo dos anos que não funciona, não podemos combater a falta de emprego com o arrocho salarial e modificação das regras trabalhistas que só beneficiam um lado, não podemos conviver com uma justiça parcial e intocável ela deve dar o exemplo, o que é público deve ser tratado como de todos e não de um grupo, devemos tentar mudar esse sistema arcaico para sermos um país mais promissor, só com uma candidatura nova conseguiremos isto e no momento Manuela é que reúne estas condições.

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    Eva

    17 de janeiro de 2018 às 10h26

    Tudo vai depender de quem o povo vai eleger para o congresso

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      Spinola

      17 de janeiro de 2018 às 11h51

      O PT, ao longo do tempo, deixou de se empenhar em eleger deputados e senadores, satisfeito apenas com a posse do executivo.

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        Delvino ferraz

        18 de janeiro de 2018 às 10h53

        Delvino Ferraz
        19.01.2018
        O eleitor brasileiro é um pobre sem espirito.
        Os candidatos são uns marabalista de um mesmo círculo vicioso.
        Porque não sairmos do vicio?

        Votamos em um candidato fora do cativeiro.
        Sem tinta na cara.

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