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Brasília, DF, 26/04/2017 - Governador Geraldo Alckmin participa do IV Encontro Nacional do Municípios com o Desenvolvimento Sustentável, durante o debate sobre saúde pública ao lado do ministro da Saúde, Ricardos Barros e do novo presidente da Frente Nacional de Prefeitos, Jonas Donizette (Campinas/SP), no Estádio Mané Garrincha. Foto: Sérgio Lima/A2img

Alckmin entra no jogo

Por Miguel do Rosário

20 de julho de 2018 : 12h44

O centrão preferiu colar com a direita, associando-se a Geraldo Alckmin, e dando-lhe quase 40% do tempo total de televisão.

É um desenlace absolutamente lógico, que tem a vantagem de dar mais coerência à disputa política.

Embora fosse interessante, à esquerda, manter o centrão fisiológico descolado do campo conservador, como aconteceu nas quatro eleições presidenciais passadas, em que a maior parte deste centrão se uniu ao PT, sempre pareceu algo inverossímil que essas legendas se uniriam a um candidato com as propostas de Ciro Gomes.

E o que não é verossímil, em política, geralmente não acontece.

Agora Ciro Gomes precisa, mais que nunca, para voltar ao jogo, receber o apoio do PSB.

Além de Ciro, outro prejudicado pela guinada tucana do centrão, foi Jair Bolsonaro, que subitamente perde o atrativo de ser o candidato preferido da direita organizada. Não há dúvidas de que mercado e mídia agora vão se concentrar em torno da candidatura Alckmin. A movimentação do dólar e ações na bolsa desta sexta-feira já estão refletindo essa preferência.

Se Alckmin parecia carta fora do baralho, agora há o risco de um segundo turno entre Bolsonaro e um tucano.

Mas é um risco relativamente baixo, porque Lula lidera as pesquisas de intenção de voto e a maioria dos especialistas acha que ele tem plenas condições de emplacar um candidato apoiado por ele no segundo turno.

Nestas eleições, o PT é o partido com maior tempo de TV, o que obviamente lhe dá uma larga vantagem sobre todos os seus adversários. Além disso, o partido terá um razoável volume de recursos financeiros partidários. Não tanto como em eleições anteriores (em que era permitido doações empresariais), mas o suficiente para fazer uma campanha eficaz.

Por outro lado, o volume de tempo e recursos que o centrão, agora colado ao PSDB, reúne, é uma coisa impressionante. Se considerarmos que a direita tem à sua disposição não apenas o horário eleitoral, mas toda a grade de programação das tvs abertas, notoriamente alinhadas à direita, e que tem apoio de todo o grande capital, por aí podemos ver os desafios que nos esperam.

Veja a tabela abaixo.

A propósito, segue uma agenda provisória dos principais debates a serem realizados:

1º TURNO
9 de agosto – BAND
17 de agosto – REDETV!
18 de setembro – Poder 360 e Revista Piauí
26 de setembro – SBT (participação dos seis candidatos mais bem colocados na pesquisa Datafolha)
30 de setembro – RECORD TV
5 de outubro – GLOBO

2º TURNO
11 de outubro – BAND
15 de outubro – REDETV!
17 de outubro – SBT
21 de outubro – RECORD TV
26 de outubro – GLOBO

Ainda temos as convenções partidárias, debates, entrevistas. Muitas águas ainda rolarão por baixo da ponte nas próximas semanas!

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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22 comentários

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Alexandre Neres

20 de julho de 2018 às 14h41

Frente ampla democrática já no primeiro turno: Lula presidente – Ciro vice. Coligação: PT, PDT, PCdoB, PSB e PSOL (se quiser aderir).

Responder

Jeferson

20 de julho de 2018 às 14h22

Miguel pode escrever o que vou te falar, segundo turno entre Alckmim e Bolsonaro.

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    Nostradamus

    20 de julho de 2018 às 15h15

    Bolsonaro não vai ao segundo turno. Talvez nem o Santo.

    Responder

Jandui Tupinambás

20 de julho de 2018 às 14h03

Nisso tudo, uma notícia muito boa:

com a jogada macabra de Alckmin, as chances de termos um outsider na disputa passam a ser minimas – uma vergonha a menos para o Brasil.

A partir de agora, cada jogada no tabuleiro irá trazer Ciro para mais perto do PT e mais unida ficará a esquerda.

Teremos boas surpresas em meados de Setembro.

Responder

Foo

20 de julho de 2018 às 14h01

“Se considerarmos que a direita tem à sua disposição não apenas o horário eleitoral, mas toda a grade de programação das tvs abertas…”

Sempre tiveram, nas últimas quatro eleições.

Com a diferença de que o PT agora não está no governo, e os golpistas tem que explicar tudo o que está aí.

Nem mesmo o discurso anticorrupção eles tem.

Vai ser uma disputa difícil… para eles.

Responder

Nostradamus

20 de julho de 2018 às 13h48

O Santo do pau oco não ganha! Ele é o carbono de mimeógrafo a álcool do Temer! É morcego enrustido, vampiro vestido de coroinha, sacristão daquele padre que se amarrou em um monte de balões e foi para as nuvens putz! morreu antes de chegar no céu! Não adianta tempão de televisão… quando abrir a boca vai enervar todo mundo… é vampi! Toca o Levante das Tochas nele, bota pressão que o morcegão se caga todo.

Responder

Jonas

20 de julho de 2018 às 13h46

Se for por ter tempo de tv
https://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/principal-conquista-com-centrao-tempo-maior-de-tv-nao-deu-vitoria-ao-psdb-nas-ultimas-eleicoes/
Está parecendo 2006. Só com uma diferença: em 2006 a mídia manipuladora ainda tinha muita credibilidade, que se esvaiu com o golpe. Podemos até sonhar hoje com uma eleição sem “veja”, ó que maravilha.

A propósito, teve um dia desses que questionei o motivo do blog não apontar os erros de estratégia de ciro, fui interpelado por outro comentarista para q eu mesmo apontasse. Esqueci esse que nos levou a situação atual. Pois bem, o problema das consequências é que sempre vem depois.

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    CezarR

    20 de julho de 2018 às 13h59

    É, mas em 2006 a máquina pública estava com o PT, não está mais. Essas análises otimistas são feitas para não desanimar a militância e só. Ou a esquerda se une ou as eleições foram definidas ontem. Marquem esse dia, 19/07/2018!

    Responder

      Jonas

      20 de julho de 2018 às 14h15

      2002
      Máquina pública com o psdb e…
      Mesmo assim tomou pau.

      Responder

        JC

        20 de julho de 2018 às 14h33

        2002 Lula não estava preso.

        Responder

Jairo Moura

20 de julho de 2018 às 13h43

Somente alguem ingênuo poderia imaginar que alguém do lado de lá estivesse fora do jogo.
Eles so estavam esperando quem seria esse alguém.
O bom disso é que quem volta para o lado de cá é Ciro Gomes.
Ele, o PT e todos os progressistas, sabem que somente todos juntos podemos derrotar o golpe.

Responder

    Cezar R M

    20 de julho de 2018 às 13h52

    Ciro NUNCA saiu do lado de cá. Ou você ouviu dele alguma mudança de propostas durante esse tempo?

    Responder

      Jairo Moura

      20 de julho de 2018 às 16h19

      Quem adequa programa para sensibilizar o DEM de que lado está?
      Não quero fulanizar o debate para não contaminar, mas veja as declarações dele após a decisão do Centrão.
      Apenas para constatar, acho o Ciro uma das melhores cabeças que temos.

      Responder

Francisco

20 de julho de 2018 às 13h36

Uai!
E a convenção do PDT, esqueceu, é hoje?

Responder

Foo

20 de julho de 2018 às 13h23

“sempre pareceu algo inverossímil que essas legendas se uniriam a um candidato com as propostas de Ciro Gomes”

Quaquaquaquaquá

*Agora* parece inverosímil.

Antes, parecia não só possível, como desejável.

“agora há o risco de um segundo turno entre Bolsonaro e um tucano.”

Não vai acontecer.

Com apenas 10 segundos de televisão, Bolsonaro não chega ao segundo turno.

Tudo indica que vai dar PT vs PSDB.

Mas o PSDB chega como golpista, corrupto e aliado do governo Temer.

Vai dar PT no final.

Responder

    Miguel do Rosário

    20 de julho de 2018 às 14h13

    Sim, Foo. Era desejável, como foi desejável em 2014, quando este mesmo centrão estava com o PT. Acontece que, à diferença do PT, Ciro Gomes não cedeu em suas propostas, não ofereceu nada além da opção de uma adesão programática. O centrão não concordou e foi de Alckmin.

    Responder

      João Paulo

      20 de julho de 2018 às 15h04

      Você está equivocado, Miguel. O Mauro Filho passou dias em discussão com economistas do Centrão na tentativa de conciliar propostas. E Ciro ja tinha deixado claro que aceitaria mudanças, inclusive chegou a sugerir que as diferenças eram mais porque ele gostava de fustigar o Centrão, deixando implícito que nao eram tão incompatíveis assim.

      Ciro foi hipócrita. Em que o Centrão é melhor do que o pmdb ?! Em nada . Somos capazes de apontar alguns políticos decentes no mdb (Requião, Simon, etc) , mas não consigo lembrar de nenhum no Centrão. Então o problema de Ciro não foi a tentativa frustrada de aliança com o Centrão, é fingir que não teria feito alianças com o pmdb caso estivesse na presidência como o Pt estava .Aliás, como ja disse aqui , sou do Ceará e sei das ligações profundas de Ciro com o pmdb local ( e nem se iludam em pensar que o pmdb local seja em nada melhor do que o de Temer).

      Responder

        Alan Cepile

        20 de julho de 2018 às 15h28

        Muito, mas muito curioso mesmo para ler a fonte (confiável, de preferência) desta notícia…

        Responder

          João Paulo

          20 de julho de 2018 às 15h37

          Nas minhas colocações tenho informacoes tiradas de vários lugares . Vou citar algumas das minhas fontes permanentes : fernando brito , nassif , pha, rodrigo vianna , azenha , dcm , alberto carlos Almeida, marcos coimbra e palmerio doria , por exemplo.

          João Paulo

          20 de julho de 2018 às 15h45

          Quase esqueço do Rovai . O qual , alias , escreveu algo interessante e que concordo : Rodrigo Maia fez Ciro de bobo .

          Ciro saiu chamuscado das tratativas fracassadas e ato contínuo passou a acenar a Lula e ao PT . Saiu ate de cima do muro e passou a criticar explicitamente o prende-solta de domingo. Totalmente diferente daquela nota em que parece que Ciro pediu ajuda de Marina Silva para escrever , tamanha era a falta de clareza.

          Alan Cepile

          20 de julho de 2018 às 21h14

          Citou as instituições e os jornalistas, mas queria o link dessa informação:

          “E Ciro ja tinha deixado claro que aceitaria mudanças, inclusive chegou a sugerir que as diferenças eram mais porque ele gostava de fustigar o Centrão, deixando implícito que nao eram tão incompatíveis assim.”

          Alan Cepile

          20 de julho de 2018 às 21h19

          Eu li o artigo do Rovai e achei hilário rs…

          O centro é direita, sempre foi e sempre será. Aí ele fecha com a direita e o Rovai manda essa….


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