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Petroleiro explica relação entre soberania nacional e preço de combustíveis

Por Tadeu Porto

03 de agosto de 2018 : 15h08

O Petroleiro Alexandre Finamore, da Federação Única dos Petroleiros, escreveu um ótimo artigo no Le Monde Diplomatique para explicar que sem controle da política de preços dos combustíveis o país perde autonomia sobre sua soberania nacional.

Soberania energética e a política de preços da Petrobras

por Alexandre Finamori

Nos recentes eventos ocorridos no Brasil – greve dos caminhoneiros e greve do petroleiros – a política de preços aplicada pela Petrobras e a produção nacional de óleo diesel tomaram proporções de debate público. Mesmo bombardeada com informações falsas sobre a necessidade de importação, por falta de capacidade em nosso parque de refino, a população brasileira se posicionou contra as privatizações e a favor de uma intervenção do Estado na política de preço da Petrobras.

Conforme pesquisa do Datafolha divulgada em 11 de junho, 68% dos brasileiros são contra a política de reajustes de combustíveis utilizada atualmente pela Petrobras, a qual atrela os valores domésticos à variação internacional do barril de petróleo e à variação interna do preço do dólar. Antes, em 5 de maio, esse mesmo instituto de pesquisa apontou que 74% da população é contra a venda da Petrobras para empresas estrangeiras.

O que fica como um questionamento para a sociedade é se a Petrobras conseguiria alçar a posição de empresa com capacidade de suprir todo o abastecimento nacional de óleo diesel, não necessitando – dessa forma – recorrer à importação.

É desse ponto em específico que queremos tratar nessa reflexão. Por que a Petrobras passou a importar, demasiadamente, derivados de Petróleo? Ela não teria capacidade interna de suprir o abastecimento nacional?

Os dados que trazemos abaixo demonstram a produção total nas refinarias brasileiras, o consumo de diesel total e a importação total de óleo diesel dos últimos dez anos.

A partir dos dados acima, percebe-se que para atendimento anual das nossas necessidades de consumo interno de diesel, temos que recorrer à importação de cerca de 10% do nosso consumo total. Ocorre que o central desse debate é que nós não estamos operando no refino com capacidade total!

É importante ressaltar que esses valores de produção não são os valores máximos possíveis, as refinarias estão trabalhando muito abaixo da capacidade máxima, isso se reflete em um fator de utilização, que avalia qual percentagem da capacidade máxima ela está trabalhando. Podemos, ainda com dados da ANP, recuperar o fator de utilização desses períodos e, considerando um fator de 95%, valor abaixo do máximo já praticado (98%), calcular o que chamaremos de produção possível.

Outro fato que contribui mais positivamente para referendar nossa tese de que a Petrobras pode produzir o necessário para nosso consumo interno é a inserção do biodiesel na mistura do óleo diesel. Essa mistura teve início em 2004, com sua obrigatoriedade ocorrendo em 2005 com um teor de 2% e aumentando gradativamente até chegar a 8% em 2017. Chamaremos de “produção nacional possível de óleo diesel” a “produção possível levando em conta a capacidade produtiva em 95%” acrescentada da inserção do biodiesel.

Comparando a capacidade produtiva de óleo diesel, considerando os avanços obtidos com investimentos no parque de refino e a incorporação do biodiesel, e o consumo nacional, chegamos à clareza que é possível abastecer o mercado interno com a produção das refinarias nacionais.

No momento anterior às greves dos caminhoneiros e dos petroleiros e petroleiras, a produção no parque de refino nacional estava próximo a 68% da capacidade produtiva. Nesse momento já estávamos batendo recorde na importação de derivados de petróleo e avançando na exportação de óleo cru.

Ou seja, a pergunta que precede nosso debate deveria ser: Por que a Petrobras tem operado com capacidade ociosa no refino de derivados e aberto mão da possibilidade de garantir o abastecimento nacional sem recorrer às importações?

Para nós, a resposta a essa questão só pode ser compreendida dentro de um projeto mais geral, que envolve a desestruturação da Petrobras, mediante políticas que enfraquecem seu peso político e econômico no desenvolvimento nacional. Um dos principais pilares de enfraquecimento da companhia é a comercialização de ativos fixos, como a anunciada venda de 40% do controle do refino nacional.

Ou seja, a política de preços praticada pela Petrobras só tem como objetivo possibilitar as privatizações, pelo aumento da concorrência interna e a retirada de qualquer possibilidade do Estado intervir em um setor tão estratégico para o país.

A Petrobras, com seu parque de refino e a exploração do pré-sal, pode atender a demanda nacional de combustíveis e nos tornar um país com soberania energética, podendo assim suavizar na indústria nacional e no bolso dos consumidores as variações do petróleo e do dólar. A política de preço da Petrobras não pode ter como objetivo o desmonte da própria empresa, privatizações e o ataque aos interesses de seu sócio majoritário, a população brasileira. A política de preços de uma empresa estratégica como a Petrobras tem que ter como objetivo central um projeto de desenvolvimento nacional e de curto, médio e longo prazo.

Tadeu Porto

Colunista do Cafezinho e diretor da Federação Única dos Petroleiros e do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense.

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6 comentários

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Sebastião Farias

06 de agosto de 2018 às 13h03

Parabenizamos o autor da matéria, Tadeu Porto, por sua iniciativa patriótica e cidadã, em nos disponibilizar essas informações e, observações importantes para o nosso conhecimento, instrução e fundamentos para nos posicionarmos sobre o tema.
Ora, que fique registrado para a história, esse momento crítico de nossa história em que, parlamentares brasileiros eleitos pelo povo, para votarem de acordo com os interesses do povo (e, esse povo não foi consultado, nos termos da CF, sobre a venda e entrega do Pré-Sal para os estrangeiros, para se manifestarem de como queria que seus representantes votassem), da nação brasileira (uma vez que, o Pré-Sal, sim, é a Ponte para o Futuro do Brasil, pois se trata de patrimônio público estratégico e de dinheiro público, do povo, que é o patrão desses parlamentares, para garantia da independência estratégica política, econômica, social e tecnológica, de soberania do país e da dignidade das gerações futuras, que essas personalidades, por desobediência e infidelidade, estão entregando aos parceiros oportunistas ) e, se por acaso, consolidado esse ato, à revelia da vontade popular e do interesse nacional (pois quem diz o que interessa à nação são os cidadãos e, não os parlamentares, por sua única vontade e por decisão de lobistas de interesses contra o país), essas pessoas, devem ter consciência de que, seus de traição à pátria, no devido momento e, quando nossa justiça pensar com o povo, não ficarão impunes.
Uma pergunta a esses parlamentares que são empresários; quais deles, por mais bonzinho que seja, dentre as empresas que compõem seu grupo comercial, entregaria por preço vil, ao comprador, exatamente, sua melhor e mais lucrativa empresa?
Pois bem, isso, é uma observação histórica e consciência de nosso povo que, com sabedoria, compreende que está sendo traído e lesado em seus direitos, nessas transações onde, entrega-se, a preços vis o melhor que temos e, preserva-se o que dar prejuízos. Ou seja, as privatizações espúrias do patrimônio brasileiro, historicamente, não passa de um esquema de transferência do que é público, de milhões de cidadãos, para uma pessoa ou grupo de pessoas, vejam: ( https://www.brasil247.com/pt/colunistas/claudiodacostaoliveira/364060/Resultado-da-Petrobras-no-2%C2%BA-trimestre-de-2018-%E2%80%9Ctem-algo-podre-no-reino-da-Dinamarca%E2%80%9D.htm).
As consequências disso, são o enfraquecimento da nação que, perdendo seu patrimônio ou seja, perdendo recursos estratégicos e dinheiro, perde-se, a dignidade, o poder, a soberania e e capacidade de reação contra os seus inimigos que normalmente, se tornam a partir daí, os seus credores e senhores, pois são eles os donos do mundo, representados pelo mercado rentista de capital improdutivo, consolidando seu projeto com o fim das nações.
Olho vivo eleitores e conhecidos desses parlamentares injustos (“Deus sabe por onde você anda e vê tudo o que você faz. Você pode pensar que tudo o que faz é certo, mas o Senhor julga as suas intenções.” – PROVÉRBIOS 5 v. 21/16 v. 2), essa é a oportunidade, portanto, para que cada um cidadão, parente, amigos lhes cobrem, responsabilidades e respeito ao eleitor na hora de votarem esse Projeto. Atenção e cuidado com o que estão fazendo com o povo e com o Brasil, principalmente, os parlamentares que se dizem cristãos pois, a ganância, a exploração dos mais fracos, o egoísmo, a soberba, a injustiça e a idolatria ao dinheiro, todos juntos, são inimigos de Jesus Cristo e dos cristãos, e isso, não terá perdão na hora de seus julgamentos.
Ao juíz injusto, és o que lhe aguarda: “Tu não queres nada com juízes desonestos, pois eles fazem a injustiça parecer justiça, ajuntam-se para prejudicar as pessoas honestas e condenam à morte os inocentes. Ele castigará esses juízes por causa das injustiças que eles têm cometido; o Senhor, nosso Deus, os destruirá por causa dos seus atos de maldade.” (SALMOS 94 v. 20-21, 23).
São esses, o nosso comentário, observação e contribuição.
Paz e bem.
Sebastião Farias
Um brasileiro nordestinamazônida

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Régis

04 de agosto de 2018 às 05h19

O dólar é a moeda de reserva internacional por dois motivos. Primeiro, os países membros da OPEP aceitam dólares em troca de petróleo. E a precificação da OPEP é a principal unidade de conta para todos os mercados de petróleo. Isso representa um tremendo subsídio para o Tesouro dos Estados Unidos. É também um subsídio para o Fed. Tal arranjo permite que o Fed tenha muito mais liberdade para expandir a base monetária, pois, como todos os países estrangeiros têm de comprar dólares para comprar petróleo, a demanda por dólares é garantida, e isso faz com que a expansão monetária do Fed não gere grandes repercussões sobre o valor internacional do dólar.

O segundo motivo é o mercantilismo. Os governos estrangeiros querem inflacionar continuamente, pois não querem que suas indústrias exportadoras (um lobby poderoso em praticamente todos os países do mundo) percam mercado em decorrência de uma moeda doméstica apreciada. Se são necessários mais dólares para se adquirir uma moeda em processo de valorização, isso faz com que as receitas da indústria exportadora deste país sejam menores. Políticos são mercantilistas. Eles querem subsidiar o setor exportador de suas economias. Como consequência, governos estrangeiros criam moeda doméstica, compram dólares e em seguida compram títulos do Tesouro americano (os quais formam as reservas internacionais destes países). Isso mantém o câmbio desvalorizado.

O status de moeda de reserva internacional do dólar está ligado à capacidade do governo dos EUA de controlar os grandes países exportadores de petróleo do Oriente Médio. A indústria bélica americana vende aviões e armas para estes regimes feudais exportadores de petróleo. Isso significa que esses regimes são dependentes do governo americano. Eles têm de comprar peças de reposição para suas armas. Eles têm de pagar por cursos de treinamento e outras tecnologias, os quais são fornecidos pelos EUA. E eles têm obviamente de pagar em dólares.
O golpe e 2016 e a prisão de Lula tem haver com o Pré Sal. O Brasil não pode ter controle das jazidas, senão corre o risco de depender cada vez menos do juros altos para atrair investimentos e se tornar soberano como Nação. Sem contar no enorme bem estar social que o país teria se soubesse tirar proveito dessa imensa riqueza.

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Régis

04 de agosto de 2018 às 00h06

O dólar é a moeda de reserva internacional por dois motivos. Primeiro, os países membros da OPEP aceitam dólares em troca de petróleo. E a precificação da OPEP é a principal unidade de conta para todos os mercados de petróleo. Isso representa um tremendo subsídio para o Tesouro dos Estados Unidos. É também um subsídio para o Fed. Tal arranjo permite que o Fed tenha muito mais liberdade para expandir a base monetária, pois, como todos os países estrangeiros têm de comprar dólares para comprar petróleo, a demanda por dólares é garantida, e isso faz com que a expansão monetária do Fed não gere grandes repercussões sobre o valor internacional do dólar.

O segundo motivo é o mercantilismo. Os governos estrangeiros querem inflacionar continuamente, pois não querem que suas indústrias exportadoras (um lobby poderoso em praticamente todos os países do mundo) percam mercado em decorrência de uma moeda doméstica apreciada. Se são necessários mais dólares para se adquirir uma moeda em processo de valorização, isso faz com que as receitas da indústria exportadora deste país sejam menores. Políticos são mercantilistas. Eles querem subsidiar o setor exportador de suas economias. Como consequência, governos estrangeiros criam moeda doméstica, compram dólares e em seguida compram títulos do Tesouro americano (os quais formam as reservas internacionais destes países). Isso mantém o câmbio desvalorizado.

O status de moeda de reserva internacional do dólar está ligado à capacidade do governo dos EUA de controlar os grandes países exportadores de petróleo do Oriente Médio. A indústria bélica americana vende aviões e armas para estes regimes feudais exportadores de petróleo. Isso significa que esses regimes são dependentes do governo americano. Eles têm de comprar peças de reposição para suas armas. Eles têm de pagar por cursos de treinamento e outras tecnologias, os quais são fornecidos pelos EUA. E eles têm obviamente de pagar em dólares.

Logo, como estes países têm de pagar em dólares para os americanos, o dólar é a moeda na qual eles vendem seu petróleo. Como consequência deste arranjo — o fato de o dólar ser a principal moeda do mercado de petróleo —, há uma demanda contínua por dólares em todo o mundo, pois é com o dólar que se compra petróleo. Tamanha demanda faz com que a depreciação internacional do dólar seja bastante contida.
Por este motivo tivemos o golpe contra a Dilma, que garantiu que o valiosissimo petróleo do Pré Sal fosse parar nas garras das petroleiras privadas anglo americanas. Por isso Lula está preso, para que não retome o controle dessa imensa riqueza em benefício do bem estar social brasileiro.
Se o Brasil tivesse o controle total do Pré Sal poderíamos depender menos dos juros altos (que so beneficiam banqueiros abutres da usura ) e investir os lucros certos da venda do petróleo em educação, saúde, saneamento, segurança, infraestrutura, tecnologias, que tornariam a vida dos brasileiros bem melhor.

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perez

03 de agosto de 2018 às 21h49

Boa noite,

E quem ganha com a importação?

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Alex

03 de agosto de 2018 às 18h53

Precisamos não esquecer para imaginar:

https://novoexilio.blogspot.com/2018/07/por-que-eu-matei-marille-por-alexandre.html

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Régis

03 de agosto de 2018 às 18h43

Essa é a característica mais marcante do golpe de 2016 e o quanto o povo é manipulado para trabalhar contra seus próprios interesses. Verdadeiros Patos amarelos.

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