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A dobradinha informal entre Lindberg e Chico Alencar

Por Miguel do Rosário

28 de agosto de 2018 : 14h24

No blog do Marcelo Auler

Chico Alencar & Lindbergh Farias: aliança forjada na marra

Publicado por Marcelo Auler
em 28 de agosto de 2018

À revelia das direções partidárias e de muitos políticos das duas legendas, representantes do chamado campo progressista e democrático da sociedade civil no Rio de Janeiro – que não engloba apenas a esquerda, mas quem se preocupa com os atuais retrocessos político – forjaram nos últimos sete dias uma campanha a favor do voto ao Senado nos candidatos Chico Alencar, do PSOL, e Lindbergh Farias, do PT, independentemente de inexistir coligação entre os dois.

O resultado das conversas surgidas inicialmente entre advogados, professores de Direito e representantes do mundo artístico na casa da professora de Pós-graduação em Direito da PUC-Rio, Gisele Cittadino, é o manifesto “Dois votos pela democracia: Chico Alencar e Lindbergh Farias no Senado!“. Divulgado no início da tarde desta terça-feira (28/07), com 340 adesões, ele é encabeçado por um estrangeiro que sequer vota no Brasil, mas tem passado de luta a favor da democracia: o ex-presidente da República Oriental do Uruguai, José Mujica, o Pepe Mujica.

Não é o único dos “estrangeiros notáveis” a conclamar o voto dos fluminenses em candidatos que “trazem a esperança no reencontro com a democracia e o diálogo”. Também aderiu ao manifesto Francisco Louçã, economista e político português, coordenador do Bloco de Esquerda de Portugal (2005 a 2011). Mais ainda, Joana Mortágua, deputada do Bloco de Esquerda de Portugal. Pilar del Rio, presidenta da Fundação José Saramago e o deputado do Uruguai no ParlaSul, Daniel Caggiani, entre outros estrangeiros.

Estão ao lado de famosos eleitores no estado como o cantor e compositor Chico Buarque, o maestro Wagner Tiso, o teólogo Leonardo Boff, os ex-ministros Celso Amorim (Relações Exteriores e Defesa) e Franklin Martins (SECOM), o escritor Eric Nepomuceno e o advogado Nilo Batista. Também aparecem na lista endossando a conclamação pela união da esquerda no Rio eleitores de outros estados como João Pedro Stédili, do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), o gaúcho Tarso Genro (ex-ministro da Justiça e da Educação) e o mineiro residente em São Paulo, Frei Betto,

Ainda que o manifesto tenha assinaturas de personalidades estrangeiras e de eleitores de fora do Rio, a maioria das adesões partiu de fluminenses preocupados em melhorar a representação no Senado. Apenas quatro políticos aparecem na relação: os deputados federais Jandira Feghali (PCdoB), Jean Wyllys (PSOL) e Wadih Damous (PT), além do vereador Leonel Brizola Neto (PSOL).

Carol, Gisele, Luiz Fernando e João Ricardo assumiram a liderança do movimento (fotos: reproduções da internet)

Políticos ausentes -Damous e Wyllys foram os primeiros políticos a serem procurados após o encontro na casa de Gisele Cittadino, para servirem de “ponte” do grupo com as duas legendas.

Nenhum dos dois, porém, participou presencialmente do encontro realizado no café da Livraria Argumento, no Leblon, no qual o manifesto foi discutido.

Ali estiveram nove pessoas, entre elas Gisele, os professores de Direito João Ricardo Dornelles (PUC) e Carol Proner (UFRJ) além do dramaturgo/artista Luiz Fernando Lobo e assessores dos deputados e das respectivas legendas.

Chico Alencar e Lindbergh Farias tiveram reações parecidas. Ambos não se envolveram na discussão em respeito às convenções partidárias, nas quais foram feitas coligações – o PSOL com o PCB; o PT com o PCdoB. Porém, não tiveram como recusar o apoio que surgiu espontaneamente de um grupo de eleitores. Estes eleitores entendem, como diz o manifesto, que a eleição dos dois “é uma das tarefas mais importantes dos cidadãos comprometidos com a democracia. Não temos o direito de vacilar em nome do sectarismo ou de cálculos eleitorais mesquinhos”.

Sectarismos e cálculos eleitorais mesquinhos são expressões com alvo certo. Dirigidas àqueles que colocam acima do interesse da população do Rio as decisões partidárias. Ou seja, o respeito às coligações definidas nas convenções pelos militantes de cada legenda.

Mãe da Marielle – Foi o que fez, em vídeo, na sexta-feira (24/08), o candidato ao governo do estado pelo PSOL, Tarcísio Motta. Ao defender que aliança eleitoral deve ser “consequência da unidade que a gente forja nas lutas” e que “a unidade das esquerdas acontece nas lutas diárias, nas lutas contra aqueles que nos oprimem, nas lutas contra aqueles que nos exploram”, deixou claro que nesta eleição o PSOL tomou a decisão política de aliança eleitoral com o PCB e com o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST).

Defendeu as candidaturas ao Senado de Chico Alencar e Marta Barçante, do PCB. Nesse seu discurso, expôs que a candidatura de Marta “não pode ser substituída por um pragmatismo eleitoral que nos retira a identidade” Lembrou ainda que isso foi construído “no partido, nas instâncias partidárias, assim como o PCB construiu nas suas, assim como MTST construiu nas suas”.

Como ele mesmo explicou, trata-se de decisão partidária. A ela, porém, se contrapõem os eleitores preocupados em apoiar candidaturas ao Senado de nomes com chances reais de fazer frente à “continuidade da maioria ultraconservadora, retrógrada, fundamentalista e fisiologista do Congresso Nacional, que protagonizou não apenas o golpe parlamentar de 2016, como também um processo acelerado de retrocesso civilizacional e perda de direitos e conquistas sociais”, tal como consta do manifesto.

Entre estes eleitore(a)s que se contrapõem às determinações partidárias está um nome que carrega todo um simbologismo para o PSOL: Marinete Franco, advogada e mãe de vereadora do partido, brutalmente assassinada, Marielle Franco.

Premissas duvidosas – As candidaturas de Lindbergh Farias e Chico Alencar são as que se apresentam com reais chances de impedir que as representações do Rio de Janeiro no Senado sejam ocupadas por um político nitidamente com orientação fascista, tal como seu pai, e outro que ajudou, pessoalmente e através do filho, a levar – e sustentar – Michel Temer ao Palácio Planalto. Por isso o manifesto a favor dos candidatos do PT e do PSOL.

Mas a campanha por estes dois votos, porém, será de trabalhosa construção, uma vez que em ambas as legendas há desconfianças entre setores das suas militâncias. São grupos que partem de um princípio não confirmado de que apenas uma das vagas será ocupada por representante da esquerda fluminense.

Petistas temem ajudar Chico Alencar e deixar de fora Lindbergh Farias, assim como eleitores do PSOL receiam o mesmo, caso optem pelo petista como segunda opção de voto. Um risco que existe, mas que se torna necessário superá-lo, a começar por convencer os resistentes dos dois lados a esquecerem, ainda que temporariamente, as mágoas e dificuldades na frente da urna eletrônica.

O manifesto “Dois votos pela democracia: Chico Alencar e Lindbergh Farias no Senado!” tem por objetivo derrubar este mito/medo. Reforça o “interesse de tantos brasileiros na união das forças progressistas e democráticas em nosso estado”. Conclama os eleitores preocupados com os retrocessos que já ocorrem na sociedade e na política a, superando eventuais diferenças, se posicionarem, através do voto, “no campo da democracia, das liberdades democráticas e do combate às injustiças sociais que tanto marcam a história da nossa cidade e do nosso país”.

O manifesto encerra: “apoiamos as candidaturas de Chico Alencar e Lindbergh Farias para o Senado e chamamos à unidade os progressistas, à esquerda e todos os setores democráticos do estado do Rio de Janeiro para, juntos, fazermos essa campanha”.

Abaixo a integra do manifesto.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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13 comentários

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03 de setembro de 2018 às 16h04

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claudio

29 de agosto de 2018 às 10h12

Muito bom. Eu endosso e assino em baixo. E mais acredito que dobradinhas como essa deveriam se repetir com igual apoio pelos demais estados, pois assim, seja Lula, Ciro, ou outro progressista no governo central poderia governar sem as alianças nefastas ao bem estar da Nação. Aproveito para incentivar o voto nos progressistas também para deputados federal e estadual.

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luis castro

29 de agosto de 2018 às 00h24

Não tem o que se discutir o voto progressista é Lindbergh e Chico Alencar. A gente entende a disputa partidária faz parte do jogo democrático, mas o eleitor é soberano e o voto consciente é desses dois.

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Baruch

28 de agosto de 2018 às 22h03

Muito me entristece ver o PSOL neste caminho, abracando o PT. Que saudades do PSOL que combatia o neoliberalismo e o esquema da dívida, 8 anos atrás tínhamos Plinio Arruda expondo todo neoliberalismo e ligação do PT com a Febabram, agora temos Boulos falando na farsa do déficit como se fosse algo real. O PSOL pagará muito caro por essa guinada neoliberal.

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    Baruch

    28 de agosto de 2018 às 22h04

    Correção: FEBRABAN

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    claudio

    29 de agosto de 2018 às 10h21

    companheiro, voce me lembra muito o caso de 2 irmãs, que na minha infância brigaram e viveram sem conversar por muito tempo, passando a idéia para os filhos (primos), todos morando em casas vizinhas. Pois bem. Nós, lá de casa vivíamos bem com todos e era muito chato, quando nós, crianças estavamos juntos com uns, os outros não podiam se aproximar. Quanta maldade desses pais,até que um dia a morte de um dos pais aconteceu, e eles voltaram a conversar, e eu me perguntava, para que tudo isso, perdendo dias preciosos de suas vidas, por simples ‘ORGULHO’. A vida é bela e não podemos ater a coisas menores. vamos refletir muito nessas horas, em que o País precisa de todos de boa vontade.

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Baruch

28 de agosto de 2018 às 21h29

A falta de opção tinha que ser imensa para eu considerar votar em um candidato da legenda neoliberal, PT, mas com Chico Alencar e Cyro Garcia na disputa felizmente o RJ está mais do que bem servido de candidatos ao senado.

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Igor

28 de agosto de 2018 às 19h39

Vão morrer os dois abraçados.

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    nelson

    28 de agosto de 2018 às 20h25

    quem já nasceu morto feito o bolsotriste e cesar vaia não se elege nem vereador.

    Responder

NeoTupi

28 de agosto de 2018 às 19h22

A coligação PT-PCdoB (FRENTE POPULAR) só lançou Lindbergh, deixando o segundo voto vago. Isso foi uma aliança informal com o Chico Alencar.
O Psol é que não fez a reciprocidade e lançou duas candidaturas, a do Chico e a do PCB, mas tudo bem, porque o eleitorado de esquerda já “fechou” com os dois votos que tem para o senado este ano em Lindbergh e Chico.
Aliás Lindbergh compareceu na inauguração do comitê de campanha de Jean Willis.

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JOÃO BATISTA

28 de agosto de 2018 às 16h26

A trajetória política de Chico e Lindbergh são as melhores credenciais para essa iniciativa. Valorizemos o fundo político!
As cúpulas partidárias vislumbram apenas do fundo partidário…

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Fabio

28 de agosto de 2018 às 15h36

Sou de SP e aqui vou de Suplicy

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sebastião Lopes

28 de agosto de 2018 às 14h47

Já eram os meus candidatos ao Senador!

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