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Ódio a Lula e ao PT? UOL dá a Bolsonaro 13 manchetes de uma só vez

Por Bajonas Teixeira

17 de setembro de 2018 : 12h40

Por Bajonas Teixeira,

O UOL, maior portal brasileiro e vitrine online da Folha de São Paulo, já desistiu de Alckmin. Na sexta-feira, quando divulgou a última pesquisa do DataFolha, o UOL chegou a exibir, ao mesmo tempo, 13 entradas de Bolsonaro na home Entre as letras grandes e as pequenas, nada menos que doze manchetes traziam o nome BOLSONARO, além de uma outra, a décima terceira, que dispensava a ele o tratamento íntimo de “Jair”. Alckmin, o candidato ‘natural’ da elite paulista, teve uma única e solitária manchete. Ou seja, hoje o candidato do coração dessa ilustre elite – que venera Silvio Santos, Gugu Liberato e Datena – é aquele que promete um banho de sangue “se eleito for”.

 

 

Para estabelecer um contraste, o G1, o portal da Globo, deu apenas três matérias para Bolsonaro na home no horário em que ele bombava no UOL. (Confira a página inteira do UOL Aqui)

A preferência do UOL, tão acentuada que não deixa margem a dúvidas, não parece compatível com o papel da mídia em uma eleição democrática. É preciso ver se essa multiplicação de um único nome não fere as regras eleitorais, servindo até mesmo como meio de driblar a proibição do abuso do poder econômico. E, sobretudo, é preciso encontrar meios de evitar que essa prática perdure no processo eleitoral com seus óbvios e deletérios efeitos de manipulação da opinião pública.

O DataFolha havia divulgado há cinco dias (na segunda-feira, 10 de setembro) uma pesquisa em que Bolsonaro aparecia com 24%, ou seja, ganhara apenas 2 pontos após o atentado a faca. Por isso, com a ansiedade de mostrar seu candidato viralizando, a Folha/UOL, já na sexta-feira, 14, apenas quatro dias depois, trouxe a segunda pesquisa. Nela também o crescimento do candidato do PSL se revelou pífio. Bolsonaro foi de 24 para 26% e mais nada.

Querendo infundir entusiasmo, a manchete do UOL perdeu o pé da sobriedade afirmando, como se tivesse expondo um fenômeno eleitoral: “Bolsonaro vai a  26%”. Na verdade, o mito na UTI manteve-se estacionado dentro da margem de erro da pesquisa anterior, de dois pontos para mais ou para menos. Reproduzimos:

Enquanto inflava Bolsonaro com o “vai a 26%”, o UOL camuflava a vertiginosa ascensão de Haddad ao segundo lugar na corrida presidencial. Para isso, reservou um anódino “tem 13%”. Mais parcial impossível. É claro que, para quem usa microscópio para ler os portais, o UOL deixou uma submanchete explicativa: “Líder oscila 2 pontos para cima e melhora 2º turno; petista dá salto de 5 pontos”.

No entanto, é interessante registrar que essa falsa lide foi escrita com nervosismo, e confundiu os números: Haddad não saltou 5 pontos, mas apenas 4, indo de 9 para 13. O autor do texto confundiu a subida anterior exposta na pesquisa do dia 10 do DataFolha: nesse sim, tendo saído de 4 e chegado a 9, Haddad saltou 5 pontos.

Seja como for, tanto a exposição abusiva de Bolsonaro em seu portal, quanto os lapsos intelectuais primários do UOL, prestam um enorme desserviço à opinião pública do país. No entanto, nada anormal. Esse tem sido o comportamento usual da mídia brasileira nesses tempos de guerra. Guerra que ela mesma iniciou e pela qual, cada vez mais, como o aprendiz de feiticeiro, se vê enredada. O UOL, aliás, já deveria ter aprendido que o 13 não é, para a mídia, o número da sorte.

Em tempo: a máxima exposição de Bolsonaro, que retratamos aqui nesse artigo, ocorreu no horário a partir das 20hs da sexta-feira, dia 14. Em torno das 20:36hs registrava-se 9 entradas na home do nome de Bolsonaro. Às 20:40hs, encontramos 11 entradas e, às 23:44hs, 12.

 

Baixe a página histórica do UOL com 12 manchetes de Bolsonaro AQUI.

 

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27 comentários

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Vitor

18 de setembro de 2018 às 11h49

Se Haddad chutar o Pochmann pra bem longe de vez e anunciar o Marcos Lisboa como futuro Ministro da Fazenda, ele nao apenas ganha facilmente a eleicao, como da um importantissimo passo para tirar o Brasil da lama…

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    Amar Sempre

    20 de setembro de 2018 às 06h53

    A Dilma, que era “a Lula de 2014”, pos o Brasil na Lama, agora vc acha que “o Lula de 2018” vai tirar?
    Vcs querem convencer que 1+1=3 e quem fala que é 2 é facista que odeia o 3.

    Responder

Antonio

18 de setembro de 2018 às 08h49

Os órfãos da mídia vão chamar Bolsonaro de “papai”?
POR FERNANDO BRITO · 17/09/2018 – NO TIJOLAÇO

Bem vindo ao Player Audima. Ouça este conteúdo Audima

Eles bem que tentaram arranjar alguém.

Ia ser o Luciano Huck, que em vez de pedir voto está ganhando um bom dinheiro vendendo carro japonês na TV.

Depois, o Joaquim Barbosa, mas o “tio” achou que era melhor ficar no seu “doce far niente” do que ter de participar de reuniões chatas, levar agarrões de correligionários e ainda aguentar repórteres feito carrapatos em seus pés, daquela turma que ele mandou ir “chafurdar no lixo”.

Também não deu e ficaram reduzidos ao “Chuchu”, sem gosto mas com o trunfo da televisão que tudo pode e tudo faz.

Não funcionaria, embora quase todos pensassem o contrário.

Não funcionou, de fato e, agora, sobrou Jair Bolsonaro.

Será um espetáculo inesquecível ver os colunistas dos jornais defendendo a barbárie do ex-capitão.

Já mantém um silêncio obsequioso sobre o que ele e seu general energúmeno dizem, diante dos quais só reagem por ordem patronal, ditada pelo ponto eletrônico, como a gaguejante e patética nota de Miriam Leitão.

Fernando Gabeira tenta se explicar pelo silêncio:

Eu mesmo fui criticado por não ter respondido ao general Mourão sobre heróis e tortura. As pessoas talvez desconheçam a fronteira entre uma entrevista e um debate. Como jornalista, ouço as pessoas, registro no meu caderno ou gravo as opiniões colhidas. Às vezes, refaço a pergunta, apenas para obter mais transparência nas ideias e projetos.

Gabeira parece que não vê, quando convém, o capitão do jornalismo de seus patrões, William Bonner, não é?

Não importa o quanto de cinismo haverá, mas o fato de terem de apoiar Bolsonaro lhes impõe uma postura de covardia de de subterfúgios constrangedora.

Foram poucos, na verdade raríssimos os que, mais de 24 horas depois da acusação de um plano de fraude e de um apelo ao golpe no caso de derrota, reagiram às sandices de Bolsonaro, como não reagiram aos espasmos autoritários do seu vice – de goela aberta -, o general Mourão.

Quem se acoelha diante do fascismo, fascista vira.

Não pode esperar o respeito dos leitores.

Ficarão, no máximo, com os leitores fanáticos que construíram.

Mas serão, na primeira objeção que apresentarem à escalada fascista, devorados por eles.

Mas, sabujos que são, vão adular seu carrasco.

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Carlos Silva

17 de setembro de 2018 às 21h34

Chega a dar nojo desse portal de mentira e veículo de de desinformacao. UOL lixo.

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Edson

17 de setembro de 2018 às 20h16

Pesquisa mentirosa, manipulada, sou tecnólogo em automação, sei que os votos podem ser manipulados nas urnas, e querem eleger esse cúmplice do lula. Na hora que nos tornar uma Venezuela ou Cuba, esse jornalismo sem carácter vai sofrer muito mais do que pagar a divida com estado. Estão achando que irão se livrar? Podem esperar, um dia a justiça Divina Chega.. é só nesse país que um juiz que combate a corrupção é visto como um bandido e um ex-presidente corrupto é visto como mocinho. Nos EUA o juiz Moro foi apladido em pé pela coragem em combater os ladrões, e a qui, um monte de vagabundos, aplaudem um ladrão que está preso. Que inversão de valores por interesse próprios…

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    Paulo

    17 de setembro de 2018 às 22h31

    O Brasil é macunaímico. Lula é o herói sem nenhum caráter…mas Moro não é herói, apenas cumpriu sua obrigação…

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    cardoso

    18 de setembro de 2018 às 05h24

    Não podemos esquecer que os Eua, tambem aplaudiam a ditadura e financiavam, alem de tudo, causa barbárie em todo mundo, com seus aliados

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    Marcus Padilha

    19 de setembro de 2018 às 14h12

    Os expatriados brasileiros são o que há de pior. Não passam de canalhas que abandonaram seu país para de forma egoísta buscar SUA felicidade individual. E ainda tem coragem de dizer que amam o Brasil e que o problema é o povo. Por isso aplaudem de pé o juiz “herói” de pés de barro. Essa gente não são mais que engrenagens do mecanismo que mantém esse país do jeito que sempre foi: injusto, desigual e preconceituoso!

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    Dimas

    20 de setembro de 2018 às 14h49

    Voce parece ser imbecil. Como um partido que governou por 4 legislaturas e promoveu um dos períodos melhores do país pode levar a uma situação como a da Venezuela ou Cuba? Além de idiota, é um completo ignorante de história, geopolítica e lógica.

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Eliel Oliveira

17 de setembro de 2018 às 19h53

Dá nojo ver comentários de pessoas que se dizem entendidos cheio de autoridade fazendo apologia ao crime generalizado e corrupção da nojo.Pensa nos netos de vcs, pensa nesse país que te criou raça de viboras.

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Martins

17 de setembro de 2018 às 19h37

Vou votar no Haddad! 13! Daqui da Alemanha

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Lucas Zappielo Neto

17 de setembro de 2018 às 18h55

O Haddad esta lonje de ser poste Haddad é um cidadão inteligente professor de universidade ao contrario da Anta chamada Bolsonaro

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nelson

17 de setembro de 2018 às 16h55

Ésse nada como vou me referir a ELE ÉINSUPOTÁVEL para o 90% do POVO BRASILEIRO quanto mais falam mais raiva e ansia de vomito causa na POPULAÇÃO só na cabeça deles mesmos acham que agrada a outros fora eles mesmos, tenho pena da insignificancia DELES.

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José

17 de setembro de 2018 às 16h55

Na verdade, Bolsonaro trás audiência algo que Ciro não trás.

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    Renato

    17 de setembro de 2018 às 17h27

    Verdade. Além do mais quando Lula vivia na mídia , bem mais que outros pré-candidatos, não vi nenhum militonto reclamar .

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Reinaldo

17 de setembro de 2018 às 16h40

Todo jornalista por natureza é tendencioso, faz parte do “jogo”. Aos leitores, cabe o filtro da consciência, caso contrário, estaremos fadados ao aprisionamento das mídias.

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João Paulo

17 de setembro de 2018 às 16h30

Entendi, o portal UOL é tendencioso, porém o que vemos aqui é diferente? Não adianta denegrir o povo já escolheu seu presidente. Simples. O Brasil tentou o PT por 16 anos e afundou em sua maior crise, que tal sermos uma democrácia e dar chance a outro?

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Rosalvo

17 de setembro de 2018 às 16h17

Não sou eleitor do Bolsonaro pois sei que ele como todos os outros não vão mexer nos privilégios absurdos da casta criminosa que esta no Judiciário, Legislativo(desde o municipal) e no Executivo. mas é o único que fala alguma coisa contra esta situação criada por 8 anos de FHC e 13 do PT.

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Brasileiro da Silva

17 de setembro de 2018 às 15h58

Ih, já tá batendo o desespero no blogueiro da esquerda kkkkk

Responder

Justiceiro

17 de setembro de 2018 às 15h06

ÓDIO A LULA E AO PT?

Rapaz! quem levou uma facada foi Bolsonaro. Isso é que é ódio. E de um cara que já foi militante da esquerda.

Responder

    Alice

    17 de setembro de 2018 às 15h49

    NAZIminium só fala pelo cú.
    alienado de merda.

    Responder

      Amar o Proximo

      20 de setembro de 2018 às 06h57

      Aline, nao destile mais ódio, somos todos irmaos. Vamos votar no canditado da paz e solidariedade e reunir o pais destruido pelo socialismo. Hora de mudar, hora de amor, hora de liberdade, hora de Bolsonaro 17

      Responder

Elias

17 de setembro de 2018 às 14h04

Goebbels.

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Serg1o Se7e

17 de setembro de 2018 às 13h54

Não vejo ninguém aqui reclamando do El País, Folha, Carta e tanto outros que são tão parciais quanto está sendo alegado que o UOL é….

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    Edimar

    17 de setembro de 2018 às 17h16

    No mesmo print, contei 7 referências ao PT, Haddad, petistas, Lula e até Dilma!

    Responder

evaldo

17 de setembro de 2018 às 13h30

UOL – Ultrajante Odienta Lamaçal – “jornalismo” que é bom não tem, são apenas ventríoloquos.

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Renato

17 de setembro de 2018 às 13h12

Queriam que desse machete a quem, ao presidiário Lula ? Ao poste Haddad, o homem sem luz própria ?

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