Hangout com Miguel do Rosário: Bolsonaro nos EUA

Um recado do futuro

Por Pedro Breier

29 de outubro de 2018 : 18h43

Jair Bolsonaro está eleito e será o presidente do Brasil a partir de 1º de janeiro de 2019.

Sua campanha foi grotesca.

A grande proposta: armar a população. Se sairmos nos matando tudo vai se resolver, é claro como um dia de sol.

De resto, um anticomunismo rastaquera, fake news bizarras espalhadas não apenas por apoiadores ou robôs, mas pelo próprio candidato e sua entourage, e declarações que transitam entre a ignorância, o preconceito e o fascismo.

Sobre os rumos econômicos do país, bastou usar a palavrinha mágica: liberalismo. É só privatizar tudo, cortar gastos e pronto, o deus mercado entrará em ação e produzirá o milagre da prosperidade para todos.

O filme é o mesmo em toda eleição. A direita evita falar muito sobre economia, desemprego e educação porque se falar demais, se entrega. Seu projeto é antagônico aos interesses dos trabalhadores, ou seja, da maioria do país.

A extrema-direita tem uma considerável vantagem no quesito “capacidade de desviar o foco das grandes questões”. Seus representantes, a começar pelo presidente eleito, não têm nem a sofisticação, nem os pudores dos próceres da direita tradicional.

Bolsonaro e sua trupe falam o que dá na telha. A atenção alcançada pelas declarações absurdas torna ainda mais difícil a discussão sobre projetos.

A intensidade da espoliação que pretendem impor ao país é proporcional às barbaridades da campanha. A tendência é que o governo Bolsonaro alce o entreguismo e as políticas antipovo de MDB e PSDB a níveis inimagináveis.

O quadro para o curto prazo é, evidentemente, sinistro.

Para o futuro, contudo, podemos ter uma certeza: venceremos.

Um (não) projeto desses, cedo ou tarde, desmorona ruidosamente. Os efeitos nefastos de um governo autoritário e antipovo serão percebidos na pele por cada vez mais gente.

A resistência só aumentará. A militância orgânica explodirá.

A qualidade da nossa atuação como oposição democrática pode acelerar o processo de refluxo dessa onda reacionária.

Organizemo-nos. Juntemo-nos às lutas do sindicato da nossa categoria, de partidos comprometidos com as causas populares, de coletivos de luta, de movimentos sociais.

Militemos virtualmente também. Escrevamos, façamos o debate nas redes sociais. Não exclua bolsominions, por mais chatos que sejam. O debate público é importante; muita gente acompanha as tretas. Caso argumentemos com paciência e consistência, fica visível, para quem lê, qual lado está com a razão.

Chega, portanto, de choro, raiva, ou frustração. Chega de medo.

Afinal, calhamos de estarmos vivos aqui, nesse país chamado Brasil e nesse período histórico. Temos uma grande missão pela frente e o medo é contraproducente.

O guru indiano Osho falou o seguinte sobre as formas de lidar com o medo:

Quando é destemido, você não é nem covarde nem corajoso, porque ambos estão enraizados no medo. O covarde sucumbiu ao medo e o corajoso está tentando vencer o medo, mas ambos estão preocupados com o medo. E o destemido simplesmente abandonou a coisa toda.

Nós já vencemos essa guerra. Em algum ponto futuro da linha do tempo estamos comemorando a vitória sobre as trevas.

Não há, pois, o que temer.

Com a vida, a história e o amor ao nosso lado, sejamos destemidos.

Pedro Breier

Pedro Breier é graduado em direito pela UFRGS e colunista do blog O Cafezinho.

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21 comentários

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jania

30 de outubro de 2018 às 13h47

Seu texto parece animador, mas vou dizer uma coisinha: o povo brasileiro é ignorante, dissimulado, mentiroso, não sabe ler, apenas ver youtube. Povo que não tem cultura , desdenha da educação formal e segue opinião de qualquer zé mané como verdade inquestionável merece sofrer com este tresloucado que se diz presidente.Nos próximos artigos lembre-se: uma boa parcela da população preferiu a arma ao livro.

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RODRIGO FRAZAO PEREIRA

30 de outubro de 2018 às 13h44

Sabe cansei de lutar por este país, até o 1° turno ainda tolerei, tentei dialogar, argumentar com bozonazis mas o nojo, repulsa e asco me fizeram excluir definitivamente irmãos, pai, madrasta, tios, primos, “amigo” e conhecidos. Quando eu tinha uns 10 anos meu tio avô me respondeu sobre o candidato que apoiava : “Quando eu nasci o Brasil já era assim, hoje eu tenho 68 anos estou mais perto do fim e nada mudou”.
Eu vou mudar, sentirei saudades, mas não sentirei falta.
Bye bye, Brasil.

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    Paulo

    30 de outubro de 2018 às 17h19

    Desculpe, Rodrigo, mas você brigou com esse povo todo e só você estava certo? Mais humildade, por favor! Só uma perguntinha a mais, se me permite: vai para Cuba, Venezuela, Nicarágua ou Coreia do Norte?

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ari

30 de outubro de 2018 às 10h37

Boa matéria. Mas,
“Não há, pois, o que temer.”
Pedro, repetindo o Laerte, esta é a sua primeira ditadura? Eu vivi e participei das lutas em 64, há sim muito que temer

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    Jessé Oliveira Guimarães

    30 de outubro de 2018 às 13h31

    Este é o meu temor. Tenho 79 e gostaria de terminar meus dias numa democracia real. Parece que não vai acontecer. Quando somos jovens temos tempo à frente. Desanimado.

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Eu Mesmo

30 de outubro de 2018 às 08h49

É moçada, acho q vamo t q começar a trabalhar.
A mamata acabou!!!

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Filipe

30 de outubro de 2018 às 07h11

O artigo estava maravilhoso até a citação de Osho… Osho? Sério?!

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Paulo

29 de outubro de 2018 às 23h41

Quando eu penso que o Capitão saiu do quase-anonimato para a presidência da República; que tinha apenas 8 segundos de tempo de tv; que – nas palavras de um deputado, que vi falar hoje -, já em 2014, disse, com segurança, ao colega parlamentar, que aquele seria seu último mandato como deputado, e que, em 2018, disputaria a presidência (foi aconselhado a tentar o Senado, pois “seria mais factível”); que tomou uma facada, durante a campanha (provavelmente a mando do crime organizado); perdeu metade do sangue; passou por duas cirurgias delicadas, uma delas em um hospital regional; sobreviveu; venceu uma disputa contra o candidato de um Partido orgânico e hegemônico; e ainda foi nominado Messias, pela mãe, católica fervorosa, no nascimento; eu não posso deixar de imaginar certa sina, pra não falar em predestinação.

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Paulo

29 de outubro de 2018 às 22h29

O futuro a Deus pertence!

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Renato

29 de outubro de 2018 às 22h16

Acabei de retornar do banheiro , onde excretei uma fedorenta e volumosa cagada em homenagem às idiotices que escreveu o Pedro Bibi !

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    cid elias

    29 de outubro de 2018 às 22h21

    Cagada de verdade foi a tua mae que deu! E tu nasceu! Monte de estrume.

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      Renato

      30 de outubro de 2018 às 04h19

      Quem nasce entre fezes é petista !

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    ari

    30 de outubro de 2018 às 10h35

    Renato, suponho que vc teve mãe. Ela não lhe deu um pingo de educação? Se tem críticas ao atiigo, faça-as, mas mantenha o respeito pelo jornalista e pelos leitores do blog

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Betânia de Moraes Alfonsin

29 de outubro de 2018 às 21h43

Excelente texto. Na linha que temos que adotar imediatamente: organizar a resistência, nos proteger reciprocamente, gerar organicidade no tecido social e derrubar o fascismo o mais rapidamente possível.
Abraço.
Betânia

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Rodrigo

29 de outubro de 2018 às 21h10

Respeito a opinião do autor, mas sim como boa parte da esquerda, ele não entendeu nada… O povo não vai acordar, “taok”? O povo ficará entorpecido por um bom tempo. Já não basta acreditar em Vox Populi?

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joao

29 de outubro de 2018 às 18h54

Pedro como sempre seus artigos sao de primeirissima qualidade ,sucintos e cordatos.
Tomo a liberdade de sugerir aos seus inumeros leitores o livro *Apos o Liberalismo* do escritor Immanuel Wallerstein que analisa os aspectos escritos no seu artigo.
E uma otima e imperdivel obra escrita a algum tempo 1995, mas que e atualissima.
Obrigado pelos artigos no Cafezinho.

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Alan Cepile

29 de outubro de 2018 às 18h53

A grande proposta? Surfou sabiamente no antipetismo, falamos exaustivamente sobre quem tinha chances no 2º turno, insistiram na pataquada e agora o choro agora não cabe mais, a esquerda DEU a vitória à extrema direita, o Marília Arraes Gate, a guerrinha INSANA de lulistas e ciristas que dinamitou qualquer chance de vitória, o #EleNão que, quando o povo percebeu que era pra beneficiar o poste deu ainda mais votos ao ogro. Não percebem como foi vergonhosa essa derrota? A esquerda perdeu pra um semi analfabeto, incompetente, parlamentar zé ninguém, com 8 segundos de propaganda e SEM SAIR DE CASA! Chega de bravatas!!!! Em nenhum momento merecemos vencer, perdemos feio! E pra nós mesmos.

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    Lucas

    29 de outubro de 2018 às 19h35

    Perfeito. Lula ganhou essa para o Bolsonaro.

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      Hudson

      29 de outubro de 2018 às 20h54

      Aécio, Eduardo Cunha, Temer, Bannon, PSDB, DEM, PDT PDT PDT!!! não tiveram nada a ver com isso.

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        Lucas

        29 de outubro de 2018 às 21h30

        Durmam com um barulho desses!!

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maria ligia da Feminino costa

29 de outubro de 2018 às 18h48

bela matéria, até me dei uma animada, porque vai ser foda a jornada. valeu!

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