Hangout com Miguel do Rosário 17 de abril de 2019

Imagem divulgada nas redes sociais de Jean Wyllys

A violência como método

Por Pedro Breier

24 de janeiro de 2019 : 19h45

O anúncio de Jean Wyllys de que não permanecerá no Brasil, abrindo mão do seu mandato de deputado federal, é um marco.

Não me parece exagero considerá-lo um exilado político.

Não cabe, evidentemente, qualquer espécie de crítica à sua atitude. Jean é alvo, há anos, de uma sórdida campanha de difamação, a qual resultou em um sem número de ameaças de morte recebidas pelo deputado.

De esquerda, ativista da causa LGBT e de origem pobre, Jean atrai o ódio da parcela mais reacionária, ressentida e fanatizada da população. Na entrevista à Folha em que revelou que não voltará ao Brasil, Jean conta que após a morte de Marielle Franco – também de esquerda, ativista da causa LGBT e de origem pobre – passou a andar escoltado, pois percebeu que sua vida corria risco.

O clã Bolsonaro tem um histórico de apoio explícito a milícias, que nada mais são do que organizações criminosas. Nos últimos dias tivemos a chocante revelação de que parentes próximos de um miliciano foragido – suspeito de matar Marielle – foram nomeados para cargos públicos por Flávio Bolsonaro.

Jair, o presidente da República que se borra de medo de dar entrevista, debochou no Twitter, lugar em que ganha coragem. “Grande dia!”, escreveu, complementando com um tosco sinal de positivo com a mão. Bolsonaro pai é um antagonista histórico de Jean.

Seu outro filho, Carlos, escreveu “Vá com Deus e seja feliz!”, também complementando com o patético dedinho de positivo. Alexandre Frota, condenado a indenizar Jean por divulgar uma monstruosa mentira ligando-o ao incentivo à pedofilia, será deputado federal no próximo período, acompanhado de uma enorme bancada de trogloditas do PSL.

Os que usam métodos abjetos e violentos de disputa política chegaram ao poder. Se já provocavam estragos e tormentos gigantescos na vida de Jean e de muitos outros antes, podemos imaginar como será agora.

Como condenar Jean?

Só podemos prestar-lhe toda a nossa solidariedade, independente de qualquer divergência política que tenhamos.

Que saibamos usar como combustível para a luta a nossa justa indignação com quem usa a violência como método.

David Miranda, que assumirá a vaga de Jean na Câmara, já mandou o recado:

Respeite o Jean, Jair, e segura sua empolgação. Sai um LGBT mas entra outro, e que vem do Jacarezinho. Outro que em 2 anos aprovou mais projetos que você em 28. Nos vemos em Brasília.

Após o assassinato de Marielle, uma amiga da vereadora e três ex-assessoras foram eleitas  nas últimas eleições – a amiga para a Câmara Federal, as demais para Assembleia do Rio.

A política de extermínio, violência e intimidação só faz aumentar o furor revolucionário do lado do campo popular. A frase atribuída a Che Guevara é certeira: “Os poderosos podem matar uma, duas ou três rosas, mas jamais conseguirão deter a primavera”.

Bolsonaro é um admirador do torturador Brilhante Ustra. Um entusiasta da ditadura militar. Seu autoritarismo escorre pelo canto da boca, como uma gosma putrefata, em cada frase ofensiva que profere.

Seria esperar demais de criatura tão limitada uma reação ao triste anúncio de Jean minimamente condizente com o cargo que ocupa.

A pequenez moral, a desqualificação e a violência, tanto a simbólica quanto a real, que permeiam os atos advindos do clã Bolsonaro e sua turma não serão esquecidas.

Pedro Breier

Pedro Breier é graduado em direito pela UFRGS e colunista do blog O Cafezinho.

Apoie O Cafezinho

Crowdfunding

Ajude o Cafezinho a continuar forte e independente, faça uma assinatura! Você pode contribuir mensalmente ou fazer uma doação de qualquer valor.

Veja como nos apoiar »

12 comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site O CAFEZINHO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie.

Escrever comentário »

Chauke Stephan Filho

26 de janeiro de 2019 às 23h18

A propósito de Jean Wyllys, o que teria pensado Karl Marx? Será que pela cabeça do filósofo passou a ideia de que o novo homem socialista seria feminino?

Sobre o “exílio” de Wyllys, uma coisa é certa: ele vai para país de gente branca e rica. Cuba? Venezuela? Jamais! Wyllys será mais um migrante a invadir a Europa.

Mas a farra da imigração vai acabar. E um dia ele será cuspido de lá. Então, muito a contragosto, ele voltará a ser um militante “socialista” num país de pobres e mestiços.

Responder

Renato

25 de janeiro de 2019 às 08h58

Engraçado, não lembro de Pedro Bibi ter reclamado da “Violência como método” quando Bolsonaro foi esfaqueado !

Responder

    Resistência antifascista

    25 de janeiro de 2019 às 10h50

    Bolsonaro foi esfaqueado de forma não mortal, segura, planejada pelos fascistas, para criar um fato político que catapultasse a sua candidatura e lhe desse um álibi para impedir que o seu despreparo intelectual fosse estampado nos debates. Portanto, a crítica do simpatizante de milicianos paramilitares, assassinos, corruptos e traficantes não tem procedência

    Responder

Roque

25 de janeiro de 2019 às 08h51

Resposta do Mito para o suplente David Miranda; “Se vc vai começar neste tom comigo, a gente vai ter problema”… kkkkk Pedrinho, vovó já preparou o seu todynho…

Responder

Roque

25 de janeiro de 2019 às 08h00

Pedrinho boca de ovo, sua vovó já preparou o todynho??? Arregou!!! Deu uma de valentão e cuspiu no Mito. Isto não se faz… Com certeza deve ter ido para o EUA, pois, em Cuba, Rússia, Coréia do Norte e Irã (países que odeiam gays) é correr para o paredão. E na Venezuela ia morrer de fome…

Responder

Nilson Messias

24 de janeiro de 2019 às 23h36

O crédito de confiança de Ciro Gomes, está surtindo efeito, E esse Ari, foi militante da Associação da Policia – AP.

Responder

Nilson Messias

24 de janeiro de 2019 às 23h34

Ari, foi combativo militante da AP. Associação de Policia…

Responder

Paulo

24 de janeiro de 2019 às 22h59

“A pequenez moral, a desqualificação e a violência, tanto a simbólica quanto a real, que permeiam os atos advindos do clã Bolsonaro e sua turma não serão esquecidas”. Isso quer dizer o quê? Que Bolsonaro e família serão enforcados em praça pública, no futuro, e seus corpos serão pendurados até começarem a cheirar mal?

Responder

    Alan Cepile

    24 de janeiro de 2019 às 23h21

    O braZil já está cheirando mal.

    Responder

      Renato

      25 de janeiro de 2019 às 08h55

      Mas se compararmos com a época dos governos petistas, o cheiro já melhorou bastante !

      Responder

Lula da Silva

24 de janeiro de 2019 às 21h41

Sua ausência preencherá uma grande lacuna…

Responder

ari

24 de janeiro de 2019 às 20h05

“Não me parece exagero considerá-lo um exilado político”.
Corrija-me, se eu estiver errado, mas a ditadura nunca exilou ninguém. Eu mesmo, como militante da AP, ajudei muita gente a sair do Brasil tendo em vista os riscos que corriam por aqui.Ou seja, o Jean Willys é sim um exilado, o primeiro de outros que virão, esteja certo

Responder

Deixe uma resposta

WP Facebook Auto Publish Powered By : XYZScripts.com