História: Brizola na Unicamp em 1987

As sanções dos EUA aceleram a retirada do dólar pelos concorrentes

Por Tulio Ribeiro

17 de fevereiro de 2019 : 19h31

Cresce um novo olhar sobre a política de sanções dos Estados Unidos que significa uma forma mais de ataque que defesa contra nações adversárias. A maioria das sanções são apresentadas por razões políticas ou militares. Muitas vezes usando a questão dos direitos humanos.

Neste modelo, países diferentes como Coreia do Norte, Rússia, Venezuela ou Irã sofreriam sanções por estar em desacordo com políticas estadunidenses na seara da paz, perigo nuclear ou ameaça a aliados dos americanos do norte.

Mas diante da globalização crescente, tantas vezes colocada como note de uma economia de livre mercado, os EUA passaram a perder a disputa comercial para a China de Xi Jinping e também para processo acelerado de recuperação da Rússia com os anos de Vladimir Putin. Desta forma, a potência lançou olhos para uma arma aparentemente política, que na prática tem uso na defesa de sua indústria e tecnologia.

Em verdade Estados Unidos aplicam sanções unilaterais para retirar empresas de seus concorrentes diretos como Rússia e China de mercados próximos como da Europa. Se a política predatória é contra os asiáticos, prejudica concomitantemente os europeus ao priva-los de uma oferta mais ampla de produtos que poderia se refletir nos níveis de preços internos trazendo possibilidade de investimentos destas outras duas potências.

É um instrumento de concorrência desleal, forte e desonesta, já que os estadunidenses se vale dela para deslocar os mercados do seu fluxo normal de importação e exportação. Valendo-se do patamar de globalização e de um grau de subordinação da maioria dos países aos seus produtos bem como sua carteira de crédito, as sanções visam desestruturar a cadeia produtiva, rompendo com fornecimento de insumos ou produtos intermediários e encarecendo o custo financeiro com restrições de créditos.

O resultado deste controle é que os produtos da potência americanas são beneficiados por um cadeia de produção mais completa e um mercado continuo, ganha vantagens diante fornecedores que sofrem com retenções implantada pelo concorrente. Muitos produtos usam tecnologia intermediária estadunidense e incrementam suas vendas com instituições de financeira em seu controle. Perder estes dois pilares estrangula a produção enfraquecendo o concorrentes principalmente na Europa. Em suma, se o político e o bélico são as razões apresentadas, o objetivo principal é golpear o acesso ao adversário na seara econômica.

Ao longo dos anos ,pela quantidade crescente do uso pelos EUA, não seria razoável dizer que as sanções não causam nenhum dano. O prejuízo para o concorrente é demasiadamente largo e grave, em alguns casos assassinando democracias e governos eleitos. Este paradigma é possível pela razão que o sancionado tem um grau de integração e dependência com os EUA, maior que o da potência com sua economia.

Seguindo a cartilha estadunidense , seja por um acordo ou substituição do governo oponente, os acordos pós sanções sempre visam abrir mais mercados para suas empresas subindo o degrau de dependência do vencido.

Vinculados a estes fatos, o aspecto que cresce como forma de defesa é a “desdolarização” da economia . Este conceito caminha para redução da utilização do dólar entre nações que sofram com as sanções do detentor desta moeda, seja no comércio, serviço ou financiamento. Dentro de uma nova visão implantada propositalmente pelos EUA, qualquer operação com sua moeda é passível de bloqueio por ser um título da sua nação. Esta definição, tenta legitimar interferência do governo dos EUA em transação entre terceiros.

Este processo apesar de ser uma resposta à política de sanções dos EUA, não significa que o país renuncie totalmente ao dólar em pagamentos, disse ele. No entanto, vários países estão começando a considerar a possibilidade de renunciar ao dólar, uma vez que a política econômica dos EUA procura gerenciar com uma forte influência do protecionismo e das sanções.
 
Eliminar o dólar dos EUA das transações comerciais bilaterais e substituí-lo por suas próprias moedas nacionais não é a única opção. Seja para reserva ou troca, o uso do euro ou de uma cesta de moeda é plenamente possível e já se apresenta como uma realidade.

A gestão financeira é primordial para esta transição, nesse sentido os bancos centrais precisam realizar cálculos mútuos em moedas nacionais, para planejar médias diárias da de moeda moeda pelo fluxo de mercadorias e serviços. Isso significa dizer, que as estruturas bancárias de ambas as nações têm necessidade de se capacitar para implementar com sucesso e numa situação de deficit para algum lado, um crédito automático para não sobrevalorizar o câmbio no país superavitário.

Apesar do poder do dólar que fortifica as sanções estadunidenses, o rublo, o yan, a rupia, o rublo, e o rial, podem unidos e coordenadamente proceder uma grande independência de seus países perante os EUA. China com 12,24 trilhões (2017) de dólares em PIB, Índia com 2,6 trilhões, Rússia com 1,6 trilhão e o Irã com 500 bilhões podem ser um contraponto aos 20,66 trilhões dos EUA. Neste aspecto, se aproximação neste momento é forçada, no médio prazo pode acelerar a derrocada do dólar e sua substituição pelo yuan. Assim corroborando com a chegada dos chineses ao topo do PIB mundial num mundo globalizado, multipolar e portanto sem dono.

Tulio Ribeiro

Túlio Ribeiro é graduado em Ciências econômicas pela UFBA,pós graduado em História Contemporânea pela IUPERJ,Mestre em História Social pela USS-RJ e doutorando em ¨Ciências para Desarrollo Estrategico¨ pela UBV de Caracas -Venezuela

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13 comentários

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Alice

18 de fevereiro de 2019 às 18h12

A questão é como o texto aborda medir a demanda de moedas locais
Entre os países que vão excluir o dólar

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Pedro

18 de fevereiro de 2019 às 18h10

Creio que o texto está certo,Trump de tanto usar as sanções vai se isolar e acelerar a integração dos outros

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Ultra Mario

17 de fevereiro de 2019 às 22h32

Enquanto isso, aqui no Brasil… nos distanciamos do protagonismo que tínhamos nos colocado ao lado dos BRICS pra ficar só assistindo, como um paiseco periférico.

O PT podia ter suas falhas, mas tinham uma visão grandiosa sobre o papel do Brasil em um mundo bilateral.

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Paulo

17 de fevereiro de 2019 às 21h33

Depende. Nos casos da Rússia, China, etc, a razão para as sanções é econômica. Nos casos do Irã, Coréia do Norte, etc, a razão é militar…no caso da Venezuela, seria, talvez, uma junção dessas duas razões?

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    Luiz Schmitz

    18 de fevereiro de 2019 às 12h13

    Petróleo!

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    Alan Cepile

    18 de fevereiro de 2019 às 13h20

    kkkkk coxinha fica sem jeito de falar que a americanada quer o petróleo!! rsrsrs

    Pode falar Paulo! Isso não vai te tornar um mortadela, pode assumir sem medo… kkk

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      Das Gerais

      19 de fevereiro de 2019 às 11h01

      A velhice vai ser cruel para todos nós, inclusive para os coxinhas, que continuarão comendo sardinha e arrotando bacalhau. Isso, na fila interminável dos postos de saúde onde um dia havia um médico cubano para atender também aos coxinhas sem dinheiro.

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Zé Maconha

17 de fevereiro de 2019 às 20h19

Quem diria que o Partido Comunista chinês salvaria o livre-comércio global.

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    Carlos Eduardo

    18 de fevereiro de 2019 às 13h23

    Pq o partido comunista chinês é comunista só no nome e nos costumes dentro do território chinês, de resto não.

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      Zé Maconha

      18 de fevereiro de 2019 às 19h55

      Se você soubesse o que é Comunismo saberia que todo mundo até hoje foi comunista só no nome.
      A URSS também nunca foi comunista.
      Comunismo é a abolição do Estado e organização em comunas.
      A Comuna de Paris é um exemplo de comunismo.
      A China regrediu a um grau anterior do Socialismo ao que já esteve mas não é capitalista pois lá o Estado tem mais poder que o setor privado , diferente dos EUA ou do Brasil.

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        Alan Cepile

        18 de fevereiro de 2019 às 20h05

        Esqueça esses conceitos, eles não se encaixam em nenhum lugar, e se vc quiser se basear neles nada fará sentido.

        O estado chinês se comporta de forma capitalista selvagem na economia, visando lucro, simples assim.

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      lupe

      19 de fevereiro de 2019 às 11h21

      A China É comunista.
      O Governo detém 50% (cinquenta por cento) de todas as médias e grandes empresas, e, no total, o Governo detém e controla mais de 80% (oitenta por cento) da economia.
      Não é o comunismo ortodoxo, no qual o Governo era dono único (100%) de todas as empresas.
      Comunismo ortodoxo é bom para tirar um país da pobreza e atraso extremos (como era o caso da China em 1950), mas, depois, quando todos estão de barriga cheia, o comunismo é repudiado.
      Como a China de Deng Xiao Ping, que sucedeu a Mao Tse Tung, fez em 1975, quando introduziu o comunismo moderno chinês, que eles chamam de social capitalismo.

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Renata

17 de fevereiro de 2019 às 20h14

Assunto principal da geopolítica.
O dólar vai cair.

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