Governo bloqueia R$ 348 milhões para Educação

Estudantes durante protesto em São Paulo contra o corte de verbas para as universidades.CAMILA SVENSON

A  pasta da Educação foi a segunda principal vítima do bloqueio de R$ 1,4 bilhões, anunciado na semana passada, mas detalhado apenas ontem à noite. 

Em primeiro lugar veio o ministério da Cidadania, que cuida da maior parte dos programas sociais do governo, como o Bolsa Família, além de ter incorporado o extinto Ministério da Cultura. O governo bloqueou R$ 619 milhões da pasta. 

A segunda pasta mais prejudicada foi a da Educação, que terá R$ 348,5 milhões bloqueados. 

Os bloqueios à educação deve agravar ainda mais o quadro de deterioração que vivem algumas universidades federais, ao qual vem se somar cortes drásticos nos recursos destinados à pesquisa e tecnologia. 

Na Agência Brasil

Cidadania e Educação são ministérios mais afetados por novos cortes

Decreto definiu distribuição de contingenciamento de R$ 1,44 bi

Publicado em 30/07/2019 – 23:50 Por Wellton Máximo – Repórter da Agência Brasil Brasília

Os Ministérios da Cidadania, da Educação e da Economia serão as pastas mais afetadas pelo novo contingenciamento (bloqueio de verbas) de R$ 1,443 bilhão anunciado na semana passada. A distribuição dos cortes consta de decreto publicado em edição extraordinária do Diário Oficial da União nesta noite.

Pela legislação, o governo teria até hoje (30) para editar um decreto definindo os novos limites de gastos por ministérios e órgãos. A pasta mais afetada foi a da Cidadania, que perdeu R$ 619,2 milhões. Em segundo lugar, vem o Ministério da Educação, com R$ 348,5 milhões bloqueados. Em terceiro, está o Ministério da Economia, com R$ 282,6 milhões retidos.

Em quarto lugar na lista, o Ministério do Turismo teve R$ 100 milhões bloqueados. Foram afetados ainda os Ministérios da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (-R$ 59,8 milhões); da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (-R$ 54,7 milhões); das Relações Exteriores (-R$ 32,9 milhões) e do Meio Ambiente (-R$ 10,2 milhões).

Em contrapartida, duas pastas tiveram recursos liberados. O Ministério da Infraestrutura teve R$ 60 milhões desbloqueados. O Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos ganhou R$ 5 milhões. O valor total do contingenciamento não foi alterado. Nesses casos, as demais pastas tiveram recursos adicionais bloqueados para que esses ministérios pudessem ter verbas liberadas.

O decreto distribuiu o contingenciamento adicional de R$ 1,443 bilhão anunciado na semana passada pelo secretário especial de Fazenda, Waldery Rodrigues. Originalmente, o governo teria de bloquear R$ 2,252 bilhões, mas a equipe econômica usou R$ 809 milhões que restavam de uma reserva de emergência constituída em março para diminuir o valor contingenciado.

O contingenciamento é necessário para que o governo cumpra a meta de déficit primário (resultado negativo desconsiderando os juros da dívida pública) de R$ 139 bilhões estabelecida para este ano. A desaceleração da economia, que reduz o crescimento econômico, faz o governo arrecadar menos que o originalmente planejado, levando a contingenciamentos adicionais. Há 20 dias, a equipe econômica diminuiu de 1,6% para 0,8% a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e serviços produzidos) para este ano.

Edição: Fábio Massalli

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