O escândalo envolvendo o filme Dark Horse já é visto por aliados de Flávio Bolsonaro como um dos principais obstáculos para sua tentativa de crescer entre eleitores independentes e ampliar sua candidatura para além do núcleo mais fiel do bolsonarismo.
Segundo informações de bastidores publicadas por O Globo, integrantes da pré-campanha avaliam que o caso envolvendo Daniel Vorcaro e o financiamento do filme agravou as dificuldades do senador para dialogar com setores moderados do eleitorado, justamente o público considerado essencial para derrotar Lula em 2026.
A preocupação aumentou após a divulgação de pesquisas recentes que mostram Lula ampliando vantagem sobre Flávio em segmentos considerados decisivos, como mulheres, jovens e idosos. Na avaliação de aliados, a transferência de votos de Jair Bolsonaro para o filho já ocorreu em grande parte, tornando indispensável a conquista de eleitores independentes e da direita não bolsonarista.
Os números ajudam a explicar a preocupação. Entre as mulheres, por exemplo, a pesquisa Quaest citada na reportagem mostra Lula com 41%, contra 24% de Flávio Bolsonaro, uma diferença de 17 pontos percentuais. Como as mulheres representam a maioria do eleitorado brasileiro, o resultado é tratado como um sinal de alerta dentro do PL.
O problema é que o caso Dark Horse atingiu exatamente o perfil de eleitor que Flávio precisava conquistar. Enquanto a base bolsonarista continua relativamente fiel, setores independentes passaram a demonstrar maior resistência após as revelações envolvendo pedidos de recursos, áudios, negociações financeiras e a relação com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
O desgaste também provocou ruídos dentro da própria direita. Após a divulgação dos áudios relacionados ao filme, pré-candidatos como Romeu Zema romperam publicamente com Flávio, enquanto outros nomes da centro-direita passaram a cobrar explicações e maior transparência sobre o episódio.
Nos bastidores, a avaliação é que o senador enfrenta um desafio duplo: recuperar a confiança dos eleitores moderados sem perder apoio entre os setores mais ideológicos do bolsonarismo. Essa equação ficou mais difícil depois que o caso Dark Horse passou a dominar o debate político e a aparecer de forma recorrente nas campanhas adversárias.
A consequência é visível nas pesquisas. Enquanto Lula cresce entre segmentos estratégicos e amplia sua vantagem em diversos levantamentos nacionais, Flávio encontra dificuldades para romper a chamada “bolha bolsonarista” e transformar sua candidatura em um projeto capaz de dialogar com o centro político.
Para aliados do senador, a eleição continua aberta. Mas a avaliação interna é que o caso Dark Horse deixou de ser apenas uma crise de imagem e passou a representar um problema eleitoral concreto, justamente no momento em que Flávio tenta se apresentar como alternativa viável para conquistar eleitores além da base tradicional da direita.
O diagnóstico dentro da própria campanha é direto: sem avançar entre independentes, mulheres e eleitores moderados, será muito difícil reduzir a vantagem de Lula e transformar a força do sobrenome Bolsonaro em maioria nacional. E, hoje, o caso Dark Horse aparece como um dos principais obstáculos para essa estratégia.