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Coronavírus derruba indústria brasileira em quase 20% em abril, pior resultado em 18 anos

Por Redação

03 de junho de 2020 : 09h28

A queda na indústria aconteceu no mundo inteiro. Na China, hoje maior potência industrial do mundo, também houve queda brutal durante o período de quarentena.

Mas a China fez o dever de casa: estabeleceu um isolamento ultra-rígido, fez milhões de testes, e pôde voltar à normalidade assim que a pandemia foi controlada.

Além disso, a indústria chinesa vem passando por um processo de profunda modernização, beneficiada com investimentos pesados do Estado chinês em pesquisa tecnológica, inteligência artificial, satélites, e internet 5G.

Nos EUA, o investimento estatal, sobretudo militar, em pesquisa tecnológica também continua muito alto.

O problema do Brasil é que a pandemia encontrou uma indústria com graves comorbidades, envelhecida, e diante de um governo que despreza profundamente qualquer tipo de filosofia do desenvolvimento. O próprio Bolsonaro, quando fala de economia, deixa bem claro que seu interesse é manter o Brasil um exportador de commodities.

Num quadro desses, com queda expressiva do preço de algumas commodities que vinham sendo importantes para nossa balança comercial, em especial o petróleo e o minério de ferro, a economia brasileira sai muito prejudicada.

Mesmo com o Real tão desvalorizado, nossas importações estão aumentando, ao passo que nossas exportações de manufaturados estão desabando.

E o governo brasileiro, ao contrário das administrações de outros países. não tem nenhum plano de modernização do nosso parque industrial.

***

Produção industrial cai 18,8% com pandemia em abril e tem pior resultado em 18 anos

Interrupção de atividades levou indústria a ter o pior resultado desde janeiro de 2002 – Foto: Governo do Estado de São Paulo

Editoria: Estatísticas Econômicas | Alerrandre Barros
03/06/2020 09h00 | Última Atualização: 03/06/2020 09h00

Agência IBGE — A produção industrial caiu 18,8% em abril, na comparação com o mês anterior, refletindo os efeitos do isolamento social, iniciado em meados de março, para controle da pandemia de Covid-19. É a queda mais intensa da indústria desde o início da série histórica, em 2002, e o segundo resultado negativo seguido, com perda acumulada de 26,1% no período.

Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada hoje (3) pelo IBGE. No ano, de janeiro a abril, o setor encolheu 8,2%, e nos últimos 12 meses, recuou 2,9%. Em relação a abril do ano passado, a queda na indústria foi maior, -27,2%, sexto resultado negativo seguido nessa comparação e o mais elevado desde o início da série registrada pelo Instituto.

“O resultado de abril decorre, claramente, do número maior de paralisações das várias unidades produtivas, em diversos segmentos industriais, por conta da pandemia. Março já tinha apresentado resultado negativo. Agora, em abril, vemos um espalhamento, com quedas de magnitudes históricas, de dois dígitos, em todas as categorias econômicas e em 22 das 26 atividades pesquisadas”, disse o gerente da pesquisa, André Macedo.

Entre as atividades, o pior recuo veio de veículos automotores, reboques e carrocerias (-88,5%), que foi pressionada pelas interrupções da produção dos automóveis, caminhões e autopeças em várias fábricas do país. Com isso, a atividade intensificou o recuo observado no mês anterior (-28%) e registrou a queda mais intensa desde o início da série.

Segundo Macedo, a interrupção da produção de veículos automotores impacta outros segmentos industriais, que também caíram em abril: metalurgia (-28,8%), produtos de borracha e de material plástico (-25,8%) e máquinas e equipamentos (-30,8%). Outros recuos relevantes vieram das atividades de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-18,4%) e bebidas (-37,6%).

Indústrias alimentícias e farmacêuticas têm alta em relação a março

Macedo observa que as atividades que produzem itens de consumo essenciais avançaram em abril. É caso de produtos alimentícios (3,3%) e produtos farmoquímicos e farmacêuticos (6,6%), que voltaram a crescer após recuarem em março (-1,0% e -11%). Perfumaria, sabões, produtos de limpeza e de higiene pessoal também subiram (1,3%), enquanto o setor extrativo ficou estável (0%).

“Embora o impacto positivo dos alimentos tenha vindo, principalmente, da maior produção do açúcar, observamos aumentos também na produção de outros gêneros alimentícios necessários para as famílias, como leite em pó, massas, carnes e arroz”, comentou o gerente da pesquisa.

Quedas históricas em todas as grandes categorias

André Macedo destaca ainda que o recuo em todas as grandes categorias econômicas marcou o menor resultado das suas séries históricas. Bens de consumo duráveis teve a queda mais acentuada de abril (-79,6%), influenciada, em grande parte, pela menor fabricação de automóveis. Foi o terceiro mês seguido de queda na produção, com perda acumulada de 84,4% nesse período.

O segmento de bens de capital (-41,5%) também teve redução mais elevada do que a média nacional (-18,8%). Os setores produtores de bens intermediários (-14,8%) e de bens de consumo semi e não duráveis (-12,4%) também caíram, com o primeiro intensificando a queda de março (-3,7%), e o segundo mantendo o resultado negativo que vem desde novembro do ano passado, acumulando nesse período perda de 25,2%.

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3 comentários

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Galinze

03 de junho de 2020 às 21h02

Quem destruiu a indústria de metade do Planeta ou mais foi a própria China, copiando, roubando, com trabalho escrava de milhões de pessoas, capitalismo sem limites, poluição monstruosa….tudo que as esquerdetes amam a folia.

A atração natural para tudo que é ditadura é uma paixão sem freios…

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    General de Pijama

    05 de junho de 2020 às 11h47

    “Estou num país capitalista” (BOZO, Jair. 2019)

    Responder

Jonathan

03 de junho de 2020 às 20h58

O vírus se espalhou no Mundo inteiro, milhões de pessoas saíram de Wuhan durante a virada do ano e mesmo assim o vírus não chegou em Pequim, Xangai, na casa de Papai Noel, na de Bianca de Neve e da Mula sem Cabeça….

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