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Walkiria Nictheroy: Como a TV pode influenciar os movimentos sociais?

Por Redação

23 de fevereiro de 2021 : 14h46

Por Walkiria Nictheroy

Mesmo você não gostando do Big Brother Brasil, precisamos compreender a importância de se debater este produto midiático. Já passou da hora de vencermos a dicotomia CONSCIÊNCIA X ENTRETENIMENTO. Segundo Vera França (2012), a televisão é um grande laboratório e reflete valores da sociedade.

Na rede nada é por acaso. Nesta última edição que acompanhamos, vemos um número recorde de participantes pretos. O fato presente neste reality show é até então inédito na televisão brasileira e não acontece deslocado da realidade.

No ano que o mundo inteiro foi tomado pelos protestos pelas vidas negras e que a pauta racial tomou os tops trends de todos os debates e redes a formação do elenco da casa mais vigiada do Brasil não é nada acidental.

No último BBB foi a vez das mulheres e do discurso feminista. A pauta racial levada com força por Babu ficou para ser desenvolvida nesta edição. Como reflexo do nosso cotidiano, assistimos este ano os debates entre os personagens como colorismo, afeto de corpos pretos, militância racial e branquitude.

Mas será que o modo e a maneira que estes temas são abordados contribuem ou atrapalham a inserção dos movimentos sociais na sociedade?

Precisamos compreender que ser artista e ser militante é diferente. Uma coisa são pessoas que utilizam a arte para promover pautas que são levantadas pelo movimento social, oque não faz com que essas pessoas tenham propriedade de fato sobre essas pautas.

Um exemplo disso, é o que vemos neste programa, um debate raso sobre o discurso que essas pessoas têm carregado e como essas pessoas não conhecem o discurso que deveriam pertencer a elas.

A Rede Globo tentou artificializar Wakanda, mas os indivíduos, diversos como são, mostram as fissuras e contradições presentes na realidade e nas diferentes visões e formas de se viver essa Wakanda da militância.

Acabamos assistindo debates profundos, acumulados por anos pela militância, sendo passados de forma superficial e de maneira individualizada, sem referências epistemologicas ou na historia das lutas do povo negro. Parafraseando Lumena “é o agenciamento de pautas coletivas”, que a mesma também acaba por reproduzir.

Com esses debates raciais jogados para o público, cabe a nós uma oportunidade de explicar os conceitos para quem até então, nunca teve contato com estes temas. O mais triste desses episódios é ver que este debate vem sendo trazido pelo Big Brother Brasil, e não com a raiz dos movimentos que deveriam hoje disputar a narrativa imposta a milhares de lares em rede nacional.

A nossa maior luta é que nós possamos falar com cada vez mais pessoas, para que casos como o da Karol Conká, Lumena e Projota não aconteçam, para que pessoas pretas tenham consciência real da luta.

Walkiria Nictheroy tem 27 anos, é vereadora de Niterói pelo PCdoB e professora da rede municipal da cidade. Foi através da educação que iniciou a vida política. Como professora, Walkiria sempre enxergou o ensino como ferramenta de transformação e redução das desigualdades sociais. Também foi por meio dela que percebeu a necessidade de, enquanto mulher preta, jovem, bissexual, candomblecista e favelada, emancipar os seus semelhantes.

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1 comentário

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Paulo

23 de fevereiro de 2021 às 21h06

“Não gosto dessa coisa sem melanina, desbotada”
“cagada na merda da branquitude”
Assim falam os “antirracistas” do Brasil…..

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