A oitava rodada da pesquisa paga pelo banco BTG Pactual, e realizada pelo instituto FSB, trouxe más notícias para Lula, porém piores ainda para o terceiro lugar na disputa, Ciro Gomes.
O petista caiu dois pontos na espontânea, para 38%, ao passo que Bolsonaro oscilou um ponto para cima, atingindo 31%, reduzindo a vantagem de Lula, que era de 10 pontos no dia 25 de julho, para 7 pontos hoje.
Ciro Gomes, por sua vez, ficou parado em 3%. Sua diferença para Bolsonaro, que era de 23 pontos no início da rodada, em março, agora subiu para quase 30 pontos.
Na estimulada, Lula perdeu 3 pontos em duas semanas, e Bolsonaro ganhou também 3, estreitando a diferença entre os dois de 13 pontos para 7 pontos.
Na espontânea, Lula mantém estabilidade desde a primeira rodada da pesquisa. Naquela data, 21 de março de 2022, Lula tinha 38%. Hoje mantém os mesmos 38%, sendo que, no intervalo, chegou a 36%, subiu para 41% e voltou ao mesmo lugar.
Na estimulada, Lula igualmente tem se mantido estável desde março, oscilando para cima e para baixo, mas se mantendo sempre com mais de 40%.
O crescimento de Bolsonaro se deu, aparentemente, sobre o eleitor de Ciro Gomes. Ou seja, o derretimento de Ciro, neste primeiro momento, começou pelos extratos mais reacionários e antipetistas de seus eleitores, que estão migrando para Bolsonaro, num movimento de voto útil.
Esta tendência deveria servir de alerta para Ciro. Apesar de sua campanha oferecer a narrativa de que o candidato bate igualmente em ambos os líderes, a verdade é que Ciro tem explicitado, em entrevistas, sabatinas e postagens nas redes, que a origem do mal seria… Lula. Ciro tem repetido a tolice de que Bolsonaro nasceu dos erros do lulismo, e, com isso, ajudado a reativar o mesmo antipetismo que, de fato, serviu como adubo para o bolsonarismo.
Como resultado dessa estratégia, Ciro tem caído nas pesquisas e perdido seus eleitores para… Bolsonaro.
No cenário de segundo turno, também se registrou estreitamento da diferença, mas Lula mantém confortável vantagem de 12 pontos: 51% X 39%.
Fizemos uma compilação das últimas quatro pesquisas BTG/FSB, por extratos de renda e região.
Apesar de não ser aconselhável dar muito peso a oscilações nesses extratos, por causa das elevadas margens de erro, o amor ao debate nos autoriza a abrir uma exceção aqui.
Na divisão por renda, nota-se que o ex-presidente Lula mantém uma vantagem extraordinária entre as camadas mais pobres da população, até dois salários.
Lula tem exatamente o triplo dos votos de Bolsonaro entre eleitores com renda familiar até 1 salário: 60% X 20%. Ciro tem apenas 4% nesse extrato. A força de Lula entre os mais pobres ficou estável nas últimas quatro pesquisas.
No segmento com renda familiar entre 1 e 2 salários, Lula mantém uma vantagem igualmente sensacional: 50% X 22%. Note que, nesse extrato, Bolsonaro perdeu 4 pontos, pois chegou a 26% na pesquisa anterior.
O desempenho de Lula e Bolsonaro nesses dois grandes grupos, que respondem, somados, por 43% do eleitorado brasileiro, mostra que o Auxílio Brasil ainda não produziu nenhuma mudança de tendência.
A propósito, a pesquisa mensurou isso: entre eleitores que recebem Auxílio Brasil, Bolsonaro perdeu 4 pontos, e caiu para 24%. Lula, todavia, também caiu nesse extrato, mas mantém uma liderança impressionante, de 53%. Entre eleitores que não recebem, mas que possuem alguém na família que recebe, Bolsonaro também derreteu 4 pontos, e Lula resiste com 62%.
Entre eleitores que não recebem o Auxílio, Lula oscilou dentro da margem de erro, para 39%, mesmo patamar que tem desde o início da rodada.
Outro ponto que merece destaque é o forte crescimento de Lula entre eleitores com renda superior a 5 salários, de 27% na sétima rodada, divulgada em 25 de julho, para 34% agora. Aumento de 7 pontos. Bolsonaro oscilou dois pontos para cima nesse mesmo extrato, para 45%, mas ainda assim está abaixo do que tinha em 27 de junho, quando chegou a 51%.
Ou seja, quase todo o crescimento de Bolsonaro, e toda a queda de Lula, nessa pesquisa concentraram-se na faixa de eleitores com renda familiar entre 2 a 5 salários (que corresponde a 39% do eleitorado). Nesse extrato, Lula perdeu 9 pontos e tem hoje 30%, enquanto Bolsonaro cresceu 6 pontos e tem 42%.
Importante ressaltar, porém, que os números da BTG são um ponto fora da curva. Nas últimas pesquisas Datafolha e Quaest, que são presenciais, Lula vence Bolsonaro com folga no extrato com renda familiar entre 2 e 5 salários. No Datafolha, Lula tem 40% X 34% Bolsonaro neste segmento. Na Quaest, ainda para o mesmo extrato, o placar é de Lula 42% X 33% Bolsonaro.
Vale aqui, portanto, um alerta para a metodologia da BTG: seus números, especialmente para a faixa de renda entre 2 e 5 salários, destoam muito de outras pesquisas respeitadas.
Além disso, os números parecem confusos: por que cargas d`água Lula cresceria de maneira tão forte entre eleitores com renda familiar acima de 5 salários, e ao mesmo tempo cairia tanto junto aqueles com renda entre 2 e 5 salários?
Se o problema maior aqui fosse o ressurgimento do “antipetismo”, muito mais forte entre mais ricos do que em qualquer outro extrato, Lula não estaria se fortalecendo entre eleitores com renda superior a 5 salários.
Esse é mais um sinal de que as oscilações de Lula e Bolsonaro foram antes soluço estatístico, causado pelas margens de erro, do que uma tendência clara.
Quando se olha para a distribuição regional dos votos dos principais candidatos, dois pontos chamam atenção: Lula tem praticamente o triplo dos votos de Bolsonaro no Nordeste, e ambos seguem empatados no Sudeste.
Sem reduzir drasticamente sua desvantagem no Nordeste, Bolsonaro não tem como vencer as eleições presidenciais.
Para Lula, por sua vez, sua vitória estaria garantida pelo patamar que já tem no Sudeste. E a pesquisa BTG não indica nenhuma mudança de tendência.
Para acessar a íntegra da pesquisa, clique nos links abaixo: