Xandão aceita delação de Cid e o coloca em liberdade

Crédito: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Ministro Alexandre de Moraes valida acordo de colaboração e concede liberdade condicional a Mauro Cid, ex-assessor de Bolsonaro

Neste sábado (9), o Ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, validou o acordo de delação premiada de Mauro Cid, tenente-coronel e ex-assessor pessoal do ex-presidente Jair Bolsonaro. Moraes também concedeu a Cid liberdade condicional, sujeita a medidas restritivas como o uso de tornozeleira eletrônica e restrições de movimento durante fins de semana e à noite, além de afastá-lo de suas funções militares.

A validação do acordo segue um pacto anterior feito com a Polícia Federal, relacionado a uma investigação sobre milícias digitais e outras questões associadas, incluindo a venda de presentes oficiais recebidos durante o governo Bolsonaro.

Mauro Cid estava detido desde 3 de maio, alvo de uma operação que investiga a falsificação de registros de vacinação contra a Covid-19 no sistema do Ministério da Saúde, envolvendo membros de sua família e do ex-presidente. Ele também estava sob investigação por supostamente vender presentes oficiais e joias recebidas durante o governo.

Mudança de Estratégia Legal

Inicialmente, Cid optou por não cooperar com as investigações. No entanto, em agosto, com a representação do advogado Cezar Bitencourt, ele mudou de abordagem. Bitencourt afirmou em entrevista que Cid admitiria ter vendido joias nos Estados Unidos a pedido de Bolsonaro. Posteriormente, o advogado amenizou suas declarações, negando que seu cliente fosse incriminar Bolsonaro, mas sim fornecer “esclarecimentos”.

No final de agosto, Cid prestou vários depoimentos à Polícia Federal, parte de negociações para o acordo de delação.

Perfil de Mauro Cid

Mauro Cid, 44 anos, é tenente-coronel e filho de Mauro César Lourena Cid, um general aposentado e antigo colega de Bolsonaro na Academia Militar das Agulhas Negras. Ele foi designado como assessor pessoal de Bolsonaro pouco antes da posse em 2018, renunciando a um cargo nos Estados Unidos para assumir a função. Ele recebia um salário militar de R$ 26 mil, além de um adicional de R$ 1,7 mil pelo cargo.

Durante o mandato de Bolsonaro, Cid desempenhou várias funções, desde auxiliar em transmissões ao vivo até gerenciar assuntos pessoais da família do ex-presidente.

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