Um relatório técnico da Polícia do Senado sobre a invasão às instalações do Senado Federal no dia 8 de janeiro de 2023, compartilhado com a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) e obtido com exclusividade pelo O Cafezinho, mostra como era a organização dos golpistas que tomaram Brasília naquele dia.
O documento aponta que idosos e jovens tiveram papéis bem distintos durante a intentona golpista. Além da notória violência dos criminosos, constatou-se em parte dos invasores o uso de equipamentos de proteção, como capacetes, máscaras simples e antigás, coletes/armaduras improvisados, entre outros.
O relatório também aponta que eles portavam armas potenciais, tais como artefatos explosivos (fogos de artifício), armas brancas (facas, machadinha e canivetes), barras de ferro, estilingues com chumbadas, bolas de gude, entre outros. Você pode ver os detalhes sobre estes materiais e a violência dos terroristas clicando aqui e acessando a primeira parte dessa reportagem.
Os policiais apontam para a relativa organização dos criminosos, com pessoas idosas organizando a coleta e a distribuição de garrafas de água, utilizadas estrategicamente em tecidos sobrepostos aos rostos dos invasores em medida de proteção contra o gás e o spray de pimenta empregados pela polícia.
Em contrapartida, pessoas mais jovens atuavam em combate direto com a polícia, utilizando-se da estrutura e dos apetrechos da própria edificação, como aparelhos extintores de incêndio, pontaletes metálicos e mangueiras de bombeiro/hidrantes internos, cuja água pressurizada foi taticamente empregada contra a linha policial e, também, direcionada às granadas lacrimogêneas lançadas pela polícia.
Além disso, é relatado que “no corredor das galerias, invasores arrombaram uma das salas, na qual a Polícia Legislativa armazenava materiais, e furtam escudos e armas brancas como as tonfas (um tipo de cassetete)”.
A ação é parecida com outra ocorrida no mesmo dia durante a invasão ao Palácio do Planalto, onde ministros do governo apontaram que foram roubados HDs e armas das salas do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN).
Ainda em janeiro, o ministro da Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom), Paulo Pimenta, disse que houve um trabalho de “inteligência” por trás dos atos de vandalismo em Brasília.
Não seria a primeira vez que a organização dos terroristas em Brasília seria apontada por forças de segurança. Ainda no final do mês passado, uma investigação da Polícia Federal apontou para a suspeita de que militares das forças especiais teriam possibilitado a invasão ao Congresso. Uma das linhas de investigação da PF ainda aponta que estes militares podem ter alguma relação com o general da reserva Ridauto Lúcio Fernandes, que foi integrante das forças especiais do exército brasileiro.