Lula aponta impasse em acordo UE-Mercosul durante Conferência Eleitoral do PT

Ricardo Stuckert

Durante a abertura da Conferência Eleitoral do Partido dos Trabalhadores (PT), na noite desta sexta-feira, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou um dos principais obstáculos no acordo de livre comércio entre a União Europeia (UE) e o Mercosul. Lula afirmou que o impasse está relacionado às compras governamentais, tema no qual o bloco europeu busca flexibilização.

“É por isso que nós não fizemos acordo com a União Europeia, porque a gente não quer ceder em compras governamentais. Compras governamentais é uma coisa pra gente atender os interesses do governo, do fortalecimento da indústria e fazer com que as nossas micro, pequenas e médias empresas cresçam. É por isso que nós vamos voltar a colocar componente nacional, vamos voltar a fazer navio e vamos exigir, pelo menos, 65% de conteúdo nacional nas coisas fabricadas, para gerar emprego aqui dentro”, declarou o presidente.

Durante a 28ª Conferência das Nações Unidas para Mudanças do Clima (COP28), no último fim de semana em Dubai, o presidente francês, Emmanuel Macron, expressou sua oposição ao acordo. Contudo, dias depois, Lula manifestou esperança na conclusão do acordo, cujas negociações persistem há mais de duas décadas. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, também demonstrou otimismo durante a Cúpula do Mercosul desta semana, afirmando que um acordo poderia ser alcançado “muito em breve”.

O acordo UE-Mercosul teve um anúncio de conclusão geral em 2019, mas alguns pontos ainda não foram pactuados, e sua entrada em vigor enfrenta um extenso caminho. A ratificação e internalização do tratado por cada um dos Estados membros dos blocos econômicos implicam aprovação pelos parlamentos e governos nacionais dos 31 países envolvidos, um processo que se espera levará anos.

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