Em Paris, uso de bicicleta já supera o de carro como meio de transporte

Foto: Reprodução


Pela primeira vez, andar de bicicleta ultrapassou o uso do carro como o modo de transporte preferido em Paris, de acordo com uma pesquisa do Instituto Paris Região (IPR), uma colaboração entre entidades públicas e privadas na área da capital francesa.

Os dados da pesquisa, que foram anunciados no início deste mês, mostram que 11,2% dos moradores de Paris escolhem a bicicleta para se locomover pela cidade, enquanto apenas 4,3% optam pelo carro.

Os métodos mais populares de deslocamento ainda são a caminhada, com 53,3%, e o transporte público, com 30%.


A bicicleta também está à frente do carro no trânsito entre Paris e seus subúrbios mais próximos, com 14% dos deslocamentos sendo feitos de bicicleta, comparado a 11,8% de carro. Revelado em 4 de abril, o estudo também mostra que 66,1% dos residentes de Paris utilizam o transporte público e 5,5% andam a pé.

Na plataforma X (anteriormente Twitter), David Belliard, vice-prefeito responsável pela transformação dos espaços públicos e mobilidade em Paris, compartilhou os resultados da pesquisa e expressou satisfação com os avanços alcançados no plano da cidade para tornar-se mais ecológica.

“Agora é oficial: atualmente, há mais deslocamentos por bicicleta do que por carro na cidade de Paris, no momento dos Jogos Olímpicos! É o objetivo que nós havíamos fixados dentro do plano #vélo [nome dado ao programa da prefeitura]”, disse.

Os Jogos Olímpicos de Paris 2024 iniciarão em 26 de julho, e o comitê organizador do evento anunciou que os espectadores poderão acessar os locais das competições através de ciclovias. Além disso, a prefeitura disponibilizará mais de 2.000 bicicletas elétricas para facilitar o deslocamento.

A pesquisa do Instituto Paris Região (IPR) foi realizada utilizando duas metodologias distintas. A primeira envolveu o rastreamento por GPS, monitorando os deslocamentos de 3.337 habitantes da região da Île-de-France (que inclui Paris), com idades entre 16 e 80 anos, durante sete dias. Esta fase capturou dados de outubro de 2022 a abril de 2023.

Posteriormente, foram conduzidos inquéritos sociodemográficos por telefone com os participantes, para confirmar suas preferências de transporte. Esta segunda etapa ocorreu entre maio e outubro de 2023.


Além da preferência por bicicletas em Paris, uma parte significativa dos deslocamentos durante o pico da manhã (18,9%) entre o centro de Paris e sua periferia imediata (conhecida como “pequena cintura”) são feitos de bicicleta, em comparação com apenas 6,6% de carro.

Durante o mesmo horário, nos deslocamentos dentro da própria capital, 42,7% dos entrevistados usam o transporte público, 36,6% caminham, 15,5% vão de bicicleta e apenas 5% utilizam o carro.

A prefeita de Paris, Anne Hidalgo, expressou seu entusiasmo com os dados em sua conta no Instagram, declarando: “Em Paris, a bicicleta deixa o carro para trás!”. Em uma entrevista ao jornal Financial Times em 2023, Hidalgo ressaltou que um dos objetivos ambiciosos de sua administração é reduzir a dependência dos parisienses por automóveis, visando não apenas melhorar a mobilidade urbana, mas também responder à crise climática.


O plano para transformar Paris em uma cidade mais adaptada às bicicletas foi estruturado em duas fases principais. A primeira etapa, de 2015 a 2020, envolveu um investimento de 150 milhões de euros (aproximadamente R$ 825 milhões), com o objetivo de expandir a rede de ciclovias na capital em 1.094 km até 2021. Além disso, o plano incluiu a criação de vias expressas para conectar a região da Île-de-France. Durante esse período, houve um aumento de 47% no número de usuários de bicicletas em Paris.

A segunda fase, iniciada em 2021, tem como meta tornar Paris completamente adaptada para bicicletas até 2026, com um adicional de 100 milhões de euros (cerca de R$ 550 milhões) investidos. Este investimento destina-se à construção de mais 180 km de ciclovias, incluindo 130 km de novas faixas e a restauração de 52 km de vias já existentes.

O foco atual é também ampliar o acesso às ciclovias na região metropolitana de Paris, onde, segundo a pesquisa do IPR, o uso do carro ainda supera o de bicicletas.

Além de expandir as ciclovias, a Prefeitura de Paris tem implementado incentivos fiscais para encorajar a aquisição de motos e carros elétricos pelos moradores. Essas medidas incluem redução de impostos, estacionamento gratuito para proprietários desses veículos no centro da cidade e a instalação de dezenas de postos de carregamento por toda a área.

David Belliard destaca que essas iniciativas refletem a dedicação da prefeitura em responder à crise climática. Em sua conta na plataforma X, ele mencionou: “Isso demonstra a rápida transição no modo de vida que a população de Paris passou, adotando novas práticas de transporte, como a bicicleta, em resposta às mudanças climáticas”.

O Plano Clima 2024-2030 de Paris, que foi lançado em dezembro do último ano, estabelece como meta a neutralização completa das emissões de gases de efeito estufa até 2050. Há também uma meta intermédia ambiciosa de reduzir essas emissões em até 50% até o final desta década.


Entre 2004 e 2021, a administração de Paris registrou uma redução significativa de 36% nas emissões locais, que englobam o consumo energético residencial, as emissões provenientes dos transportes e da cadeia produtiva e industrial. Essa diminuição é atribuída em grande parte à transformação da rede de transportes urbanos, que resultou em uma queda de 60% nas emissões de gases de efeito estufa. Essa mudança foi impulsionada pelo aumento da frota de ônibus elétricos e pela restrição da circulação de carros na cidade.

O estudo do IPR, que forneceu esses dados, foi realizado em colaboração com várias entidades. Entre elas estão o governo da região da Île-de-France, os conselhos dos quatro departamentos periféricos de Paris (Seine, Marnes, Yvelines, Essone e Val-d’Oise), a Prefeitura de Paris, empresas de transporte público como SNCF (trens), RATP (ônibus e metrô), Transdev, Keolis e RATP Cap Île-de-France, a concessionária de estradas Vinci Autoroutes e o Instituto IFP de Energias Renováveis (IFPEN). O projeto também contou com o apoio da Direção Regional Interdepartamental de Meio Ambiente, Moradia e Transportes da Île-de-France.

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