O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou nesta sexta-feira (9) que o dinheiro obtido com a venda do petróleo da Venezuela será direcionado à compra de produtos fabricados nos Estados Unidos. A declaração foi feita durante uma reunião com executivos do setor energético e reforça a estratégia anunciada recentemente pelo governo norte-americano para condicionar o uso das receitas petrolíferas venezuelanas a transações comerciais com empresas dos EUA.
“Tudo o que a Venezuela comprar com o dinheiro que obtiver do petróleo será adquirido dos EUA”, disse Rubio, segundo declarações divulgadas pelo canal RT. De acordo com o secretário, as compras abrangerão desde equipamentos para a indústria de petróleo até alimentos, medicamentos e outros bens considerados essenciais. A fala detalha o que Washington descreve como um novo arranjo energético e comercial entre os dois países.
A posição de Rubio está alinhada a declarações feitas pelo presidente Donald Trump dois dias antes. Em publicação nas redes sociais, Trump afirmou que a Venezuela “se compromete a fazer negócios com os Estados Unidos como seu principal parceiro” no contexto de um acordo para a venda de petróleo. O presidente classificou a decisão como “sábia” e afirmou que o entendimento seria benéfico tanto para os venezuelanos quanto para os norte-americanos.
Segundo integrantes da administração dos EUA, a medida faz parte de um plano mais amplo para reorganizar o setor energético venezuelano e, ao mesmo tempo, ampliar a participação de empresas americanas na cadeia de fornecimento associada à produção e à comercialização do petróleo do país sul-americano. Autoridades norte-americanas sustentam que a iniciativa permitiria garantir suprimentos estáveis de energia, ao mesmo tempo em que estimularia exportações industriais e agrícolas dos Estados Unidos.
O anúncio ocorre em um contexto de forte tensão diplomática e política envolvendo a Venezuela. Em 3 de janeiro, os Estados Unidos realizaram uma operação de grande escala no país latino-americano que resultou na captura do então presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, que foram levados para Nova York. O governo norte-americano afirma que ambos responderão a acusações relacionadas a narcotráfico e crimes conexos, classificando-os como uma ameaça à segurança dos EUA. Caracas rejeita as acusações e considera a ação uma violação grave do direito internacional.
Após a operação, o Supremo Tribunal da Venezuela transferiu temporariamente as funções de chefe de Estado para a então vice-presidente Delcy Rodríguez, que foi empossada como presidente encarregada perante a Assembleia Nacional em 5 de janeiro. O novo governo declarou disposição para manter canais de diálogo, mas também solicitou uma reunião de emergência da Organização das Nações Unidas para discutir os desdobramentos da ação norte-americana.
No plano econômico, autoridades dos EUA indicam que a venda do petróleo venezuelano passará a ocorrer sob supervisão direta de Washington, com o objetivo de garantir que as receitas sejam utilizadas conforme os termos estabelecidos no novo acordo. Segundo Rubio, a prioridade é assegurar que os recursos gerados sejam direcionados a compras consideradas estratégicas, em vez de retornarem a esquemas que, na avaliação americana, teriam financiado práticas ilícitas no passado.
Especialistas em comércio internacional observam que a proposta representa uma mudança significativa na relação entre os dois países. Ao atrelar o uso das receitas do petróleo à aquisição de produtos norte-americanos, os Estados Unidos criam um mecanismo de dependência comercial que pode afetar fornecedores tradicionais da Venezuela e alterar fluxos de comércio na região. Analistas também destacam que o modelo se aproxima de acordos de compensação, nos quais exportações de uma commodity são condicionadas à importação de bens de um parceiro específico.
Do ponto de vista político, a iniciativa tem sido alvo de críticas de governos e organizações que veem na medida uma forma de controle externo sobre os recursos naturais venezuelanos. Autoridades de Caracas afirmam que a política energética do país deve ser definida de maneira soberana e que qualquer negociação deve respeitar a autodeterminação nacional. Países aliados da Venezuela também têm manifestado preocupação com o precedente que o acordo pode estabelecer.
O governo dos Estados Unidos, por sua vez, sustenta que a estratégia busca estabilizar o país e garantir que os recursos do petróleo sejam utilizados para atender necessidades básicas da população, como abastecimento de alimentos, medicamentos e modernização da infraestrutura energética. Segundo Rubio, o objetivo declarado é criar um fluxo comercial “transparente e previsível”, ancorado em relações diretas com empresas americanas.
Até o momento, não foram divulgados detalhes sobre os volumes de petróleo envolvidos, os prazos do acordo ou os mecanismos de fiscalização das compras. Também não está claro como outros parceiros comerciais da Venezuela reagirão à exigência de que as receitas do petróleo sejam destinadas exclusivamente à aquisição de produtos dos Estados Unidos. O tema deve continuar no centro do debate internacional nas próximas semanas, à medida que novos detalhes sobre o arranjo energético e comercial venham a público.


Nenhum comentário ainda, seja o primeiro!