A nova pesquisa Atlas Intel/Bloomberg, realizada entre 15 e 20 de janeiro de 2026, mostra Tarcísio de Freitas perdendo a aura de candidato mais competitivo da direita à Presidência.
Flávio Bolsonaro consolida seu nome como principal herdeiro do bolsonarismo, enquanto o governador paulista encolhe.
No cenário ampliado, que reúne todos os principais nomes, Lula aparece com 48,4%, muito próximo de uma vitória em primeiro turno. Flávio Bolsonaro surge com 28%. Tarcísio fica com apenas 11%. Os demais candidatos têm desempenhos residuais, como Ratinho Jr. com 1,7%.
Entre Flávio e Tarcísio, portanto, a diferença já é de quase três vezes. E ela se manifesta com mais força justamente nos segmentos onde o bolsonarismo é mais forte.
Entre os eleitores que votaram em Jair Bolsonaro no segundo turno de 2022, 59,2% declaram voto em Flávio no cenário ampliado, enquanto apenas 21,1% optariam por Tarcísio. O mesmo padrão aparece entre os evangélicos: 43,3% votariam em Flávio, contra 14,5% para Tarcísio.
O cenário ampliado serve sobretudo como instrumento de comparação, já que é improvável que Flávio e Tarcísio disputem a eleição simultaneamente. Ainda assim, ele é fundamental para medir força relativa — e nesse teste Tarcísio sai enfraquecido.
No cenário mais plausível do momento — com Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Renan Santos, Ratinho Jr., Romeu Zema e Aldo Rebelo —, Lula aparece com 48,8% das intenções de voto. Flávio surge com 35%, enquanto todos os demais ficam abaixo de 5%.
Já no cenário equivalente com Tarcísio no lugar de Flávio, Lula tem 48,5% e Tarcísio fica com 28,4%. A comparação é reveladora: sem a concorrência direta de Flávio, Tarcísio não consegue atrair a mesma proporção de votos bolsonaristas. Flávio, sozinho, chega a 35%. Tarcísio, sozinho, para em 28,4%. O governador paulista tem dificuldade de receber a transferência de votos do bolsonarismo na mesma proporção que o senador.
A evolução de Flávio é notável: subiu de 29% na rodada anterior para 35% agora, sinalizando consolidação junto ao eleitorado da direita. Entre os eleitores de Jair Bolsonaro em 2022, Flávio já concentra 73,6% das intenções de voto.
Um dado relevante da Atlas Intel, que a diferencia de outros institutos, é o desempenho de Lula na classe média. Em todos os cenários, o presidente lidera com folga entre eleitores com renda acima de R$ 3 mil, R$ 5 mil e R$ 10 mil, além de manter vantagem expressiva entre pessoas com ensino superior.
Em cenários sem Flávio Bolsonaro, Tarcísio chegou a atingir 34% em momentos anteriores. Agora recuou para 28,4%. O movimento é de perda, não de crescimento. Lula, por sua vez, oscilou levemente desde os 51,3% de outubro de 2025, estabilizando-se num patamar ainda muito elevado. A queda de Lula é marginal; a de Tarcísio é estrutural.
Quando se comparam os cinco cenários de primeiro turno testados, o padrão impressiona pela regularidade: Lula aparece sempre entre 48% e 49%. Já entre os nomes da direita, o pior desempenho recorrente é justamente o de Tarcísio. Entre Flávio, Michelle e Tarcísio, o governador paulista passa a ser aquele que menos consegue agregar votos.
A Atlas Intel também contesta a tese de que Lula não teria sucessor. Os cenários com Fernando Haddad mostram que a esquerda e a frente ampla democrática dispõem de um plano B viável.
No cenário em que Haddad enfrenta Flávio Bolsonaro, o ministro aparece com 41,5% das intenções de voto, contra 35,4% de Flávio. A vantagem de 6 pontos percentuais é semelhante à que o próprio Lula mantém sobre o bolsonarismo. No confronto com Tarcísio, Haddad surge com 42%, contra 28,9% do governador — diferença de 13 pontos.
Entre os eleitores que votaram em Lula no segundo turno de 2022, 82,2% afirmam que votariam em Haddad. A transferência de votos é direta e robusta.
Nos cenários de segundo turno, o quadro permanece estável. Lula vence todos os principais adversários, com margens mais apertadas contra os nomes mais fortes da direita e vantagens mais amplas contra candidatos menos competitivos.
Em síntese, a nova Atlas Intel/Bloomberg é uma pesquisa positiva para Lula, revela um cenário estável para o campo democrático, consolida Flávio Bolsonaro como principal nome da direita e indica que Tarcísio de Freitas está ficando para trás. O tempo passa, o nome de Flávio se torna mais conhecido como candidato, e a discussão sobre a viabilidade de Tarcísio fica cada vez mais defensiva.
Clique aqui para baixar a íntegra da pesquisa.






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