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Guerra no Irã pode redirecionar investimentos da Shell para o Brasil

A escalada do conflito no Irã pode alterar o fluxo global de investimentos no setor de petróleo e beneficiar o Brasil como destino de capital estrangeiro. A avaliação é de Cristiano Pinto da Costa, presidente da Shell Brasil, que comentou nesta terça-feira (3) os possíveis efeitos do cenário geopolítico para a indústria de energia. Em […]

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Victor Moriyama/Bloomberg)(Bloomberg/Victor Moriyama

A escalada do conflito no Irã pode alterar o fluxo global de investimentos no setor de petróleo e beneficiar o Brasil como destino de capital estrangeiro. A avaliação é de Cristiano Pinto da Costa, presidente da Shell Brasil, que comentou nesta terça-feira (3) os possíveis efeitos do cenário geopolítico para a indústria de energia.

Em café da manhã com jornalistas no Rio de Janeiro, segundo a Folha de S.Paulo, o executivo afirmou que ainda é cedo para medir o impacto econômico da guerra, mas indicou que a instabilidade no Oriente Médio tende a influenciar decisões estratégicas de grandes companhias do setor.

“É plausível se esperar que a decisão de alocação de capital global de grandes companhias de petróleo redirecione fluxos de uma região para outra”, declarou.


Brasil como alternativa de menor risco geopolítico

Segundo o executivo, o Brasil reúne condições que podem torná-lo mais atrativo nesse contexto:

  • Histórico de menor instabilidade geopolítica;
  • Produção considerada confiável;
  • Menor intensidade de carbono na exploração do pré-sal;
  • Ambiente regulatório e fiscal competitivo, caso mantida estabilidade.

“O Brasil tem histórico de não ter problemas geopolíticos de grande magnitude, é um produtor confiável, tem produção com menor intensidade de carbono no pré-sal. Se mantiver estabilidade regulatória, competitividade fiscal e celeridade no licenciamento ambiental, tem chance de atrair mais investimentos”, afirmou.


Preço do petróleo e Estreito de Hormuz

Embora os preços internacionais do petróleo tenham subido nos primeiros dias após o início das hostilidades, Pinto da Costa avaliou que ainda é prematuro projetar efeitos de longo prazo.

“A expectativa é de preço de petróleo um pouco mais alto nas próximas semanas. O fechamento do Estreito de Hormuz afeta a indústria como um todo. Todo grande operador, comercializador tem produtos em navios passando pela região”, disse.

O Estreito de Hormuz é uma das principais rotas globais para transporte de petróleo. Eventuais interrupções elevam riscos logísticos e custos de frete, impactando contratos internacionais.


Impacto indireto para o Brasil

O Brasil não depende do Estreito de Hormuz para exportar petróleo ou combustíveis. A maior parte do óleo exportado pela Petrobras e pela Shell tem como destino a China.

Ainda assim, o executivo alertou para efeitos indiretos:

“Estamos um pouco fora da rota do conflito, porém podemos ter impactos de segunda ou terceira ordens, como, por exemplo, o frete pode ter um impacto na comercialização do petróleo brasileiro.”


Planos da Shell no país

Atualmente, a Shell é a segunda maior produtora e exportadora de petróleo do Brasil e parceira da Petrobras nos principais campos do pré-sal.

Nos últimos anos, a empresa ampliou sua presença no país com:

  • Aquisição de 44 novos blocos exploratórios em leilões federais;
  • Campanha sísmica no sul da Bacia de Santos;
  • Estudo para perfuração de poço exploratório em até 48 meses;
  • Planejamento de nova plataforma no campo de Orca, na Bacia de Campos, com entrada prevista até 2029.

Recentemente, a companhia anunciou a venda de 20% do projeto de Orca para uma empresa do Kuwait, reforçando sua estratégia de compartilhamento de riscos e diversificação de investimentos.


Cenário em aberto

Segundo Pinto da Costa, o impacto estrutural do conflito dependerá da duração das hostilidades e do nível de envolvimento internacional. No curto prazo, a volatilidade nos preços do petróleo tende a persistir, enquanto as grandes companhias reavaliam riscos geopolíticos e estratégias de alocação de capital.

Se a instabilidade no Oriente Médio se prolongar, o Brasil pode ganhar espaço como polo alternativo de investimentos no setor energético global.

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