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Quaest: Lula avança forte entre os independentes

Pesquisa Genial/Quaest custou R$ 433 mil, ouviu 2.004 eleitores e mostra Flávio Bolsonaro recuando para 37%. Caso Vorcaro, crise com Michelle e investigações sobre aliados no Rio ampliam a pressão sobre a candidatura.

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Presidente Lula
Presidente Lula em 9 de julho de 2026. Foto: Ricardo Stuckert/PR

A nova pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira (15), traz uma verdadeira reviravolta política entre o eleitorado independente, que é o segmento que não se identifica nem com o lulismo nem com o bolsonarismo, e que também poderíamos chamar de centro.

Esse é o campo de disputa mais volátil, para ambos os lados da polarização.

É nele, porém, que Lula avançou com força na Quaest de julho.

Entre os independentes, a aprovação do governo saltou de 32% em abril para 45% em julho. A desaprovação, por sua vez, despencou do pico de 58% em abril para 45%.

Na simulação de segundo turno contra Flávio Bolsonaro nesse mesmo grupo de centro, Lula foi de 27% em março para 40% agora. São treze pontos de crescimento em quatro meses.

O movimento puxa os números gerais. No total da população, a aprovação do governo chegou a 48%, contra 47% de desaprovação. A aprovação tinha batido no piso de 43% em abril. A desaprovação chegou a 52% no mesmo mês e vem caindo desde maio.

Pela primeira vez na série da Quaest desde dezembro de 2024, Lula põe a cabeça para fora d’água. Outros institutos já haviam registrado a virada, mas na Quaest ela só chegou agora.

No cenário geral de segundo turno, Lula lidera por 45% a 37%, 12 pontos de vantagem. Em abril, Flávio aparecia à frente por 42% a 40%. É a boca do jacaré se abrindo.

No primeiro turno, a distância é ainda maior, 40% a 28%.

A Quaest é a pesquisa mais cara do país. Esta edição custou R$ 433.255,92, pagos pelo banco Genial, com 2.004 entrevistas presenciais e domiciliares. São R$ 216,20 por entrevista, contra R$ 153,51 do Datafolha, R$ 114,90 da CNT/MDA e R$ 82,32 da BTG/Nexus. Não é detalhe contábil. Entrevista presencial no domicílio é o padrão-ouro das pesquisas eleitorais. E todas as principais pesquisas nacionais, das mais caras às mais baratas, presenciais, telefônicas ou online, apontam na mesma direção.

Tabela comparativa das principais pesquisas nacionais

De onde vem o voto novo de Lula entre os independentes? Não vem de Flávio, já que o senador ficou estável, mas dos indecisos. Os eleitores independentes que diziam que não iam votar caíram de 36% em março para 26% em julho.

Muita gente está descendo do muro e, diante dos escândalos crescentes envolvendo Flávio Bolsonaro, adere a Lula.

Em resumo, o petista cresce mantém sua base de esquerda e amplia sua presença no centro. Flávio está estagnado no centro, e perde força na direita não bolsonarista, conservando apenas o núcleo duro bolsonarista, embora até aí já apareçam algumas fissuras.

Gráfico: Lula dispara entre os independentes no 2º turno

O gráfico da aprovação entre os independentes resume a história. Eram 33% em março, e agora são 45% em julho, com a desaprovação fazendo o caminho inverso.

O fenômeno se repete em outro território tradicionalmente hostil ao PT, os eleitores com faixa de renda familiar acima de cinco salários mínimos, onde a aprovação subiu de 34% para 41% e a desaprovação caiu de 63% para 54%.

Gráfico: aprovação do governo Lula entre os independentes

Entre os independentes, o senador Flavio Bolsonaro perdeu força. Tinha 33% em abril, e agora pontua 27%. O desabamento dele acontece em outros lugares. Na direita não bolsonarista, seu apoio no segundo turno despencou de 90% em abril para 74% em julho. Até no núcleo duro há erosão, com os bolsonaristas recuando de 97% para 91%.

No geral, o senador cai tanto no primeiro turno, onde recuou de 33% em maio para 28% agora, quanto no segundo, onde perdeu cinco pontos desde o pico de abril. Seus problemas, a propósito, vem contaminando todo o campo da direita. Até mesmo Renan Santos, apesar de toda sua retórica virulenta contra o bolsonarismo, despencou para 18% entre os independentes, após ter chegado a 29% em maio, nesse extrato do eleitorado.

Gráfico: Flávio despenca na direita não bolsonarista no 2º turno

A rejeição confirma o quadro por outro ângulo.

Desde abril, a rejeião de Flávio subiu cinco pontos e chegou a 57%, enquanto a de Lula caiu cinco e recuou a 50%. Entre os independentes o quadro é ainda pior para o senador. Ali, 68% dizem que não votariam nele de jeito nenhum, contra 54% de independentes que rejeitam o presidente.

Há ainda o problema das mulheres. Flávio não chegou a cair nesse eleitorado porque nunca teve muito o que perder. Ele é fraco entre as eleitoras e não está conseguindo crescer entre o eleitorado feminino. No primeiro turno, Lula lidera entre as mulheres por 38% a 25%.

Aliados proclamando que “mulher vota mal” certamente não ajudaram Flavio a melhorar seu desempenho, assim como a briga pública com Michelle Bolsonaro. Segundo a pesquisa, 42% dos brasileiros dão razão à ex-primeira-dama e apenas 18% ficam com o senador. Entre os independentes, o placar é de 38% a 11%.

Um detalhe interessante é que Flávio vem perdendo terreno justamente entre os homens. Em julho, Lula lidera nesse segmento por 42% a 30%, no primeiro turno.

No dia 7, dias antes de a Quaest ir a campo, Flávio foi aos EUA para falar na audiência do USTR sobre o tarifaço de 25% contra produtos brasileiros. Empresários brasileiros presentes reclamaram que o senador transformou uma consulta técnica em palanque, discorrendo sobre redes sociais e corrupção.

Se a intenção era posar de estadista, o eleitor independente respondeu esta semana, como mostra a Quaest. Para 54% dos brasileiros, aliás, Flávio não é mais moderado que a própria família.

A Quaest aliviou para o senador ao não voltar a perguntar sobre os R$ 134 milhões que ele negociou com o banqueiro preso Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre o pai. Também não perguntou o que o brasileiro acha de um pré-candidato incapaz de tecer críticas a Donald Trump. Embora essas questões não constem na pesquisa, os números sugerem que os elas cobraram seu preço.

Nem tudo foram flores para o governo. O caso Jaques Wagner fez estrago real. Para 61%, o senador baiano agiu de forma errada na relação com o Banco Master. E 43% veem o episódio como questão institucional do governo, não apenas pessoal. Ainda assim, Lula subiu e Flávio caiu, sinal de que a agenda negativa do candidato do PL pesa mais que a do Planalto.

O pano de fundo econômico ajuda. A percepção de que a economia piorou caiu de 50% para 43%. A isenção do Imposto de Renda começa a se disseminar e 35% já se dizem beneficiados. O Desenrola 2.0 é conhecido por 66% e aprovado por 55%. O fim da escala 6×1 tem 69% de apoio. Até a pergunta em que Lula costuma ir mal melhorou. Agora 45% acham que ele merece mais quatro anos.

O fecho é simbólico. Questionados sobre o que dá mais medo, 46% respondem a volta dos Bolsonaro ao poder e 38% dizem mais um governo Lula. A dez dias da convenção do PL, Flávio já não persegue Lula. Precisa reconstruir a própria base antes de sonhar com o centro. E o centro, a julgar pelos independentes, já foi sonhando com outra coisa.

Baixe aqui a íntegra da pesquisa.

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Miguel do Rosario

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