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Levantamento aponta vitória de Demori sobre Eduardo Moreira nas redes

0 Comentários🗣️🔥 Um monitoramento das redes sociais sobre a repercussão da saída do jornalista Leandro Demori do Instituto Conhecimento Liberta (ICL) concluiu que a narrativa favorável a ele predominou de forma expressiva, tanto em volume de manifestações quanto — de forma ainda mais acentuada — em alcance. O estudo analisou manualmente 988 mensagens publicadas na […]

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AGÊNCIA BRASIL

Um monitoramento das redes sociais sobre a repercussão da saída do jornalista Leandro Demori do Instituto Conhecimento Liberta (ICL) concluiu que a narrativa favorável a ele predominou de forma expressiva, tanto em volume de manifestações quanto — de forma ainda mais acentuada — em alcance. O estudo analisou manualmente 988 mensagens publicadas na rede X entre 16h39 e 23h59 (UTC) do dia 13 de julho, produzidas por 704 autores únicos, classificando cada uma quanto ao sentimento sobre o episódio e ao posicionamento político do autor.

Os números: Demori vence em quantidade, e “atropela” em alcance

Segundo o levantamento, 44,2% das mensagens foram favoráveis a Demori ou críticas ao ICL e a Eduardo Moreira, contra 26,2% que defenderam o instituto ou criticaram o jornalista — o restante (29,6%) foi classificado como neutro. A diferença fica ainda mais acentuada no critério de alcance: 76,4% de todos os retuítes do período foram direcionados a mensagens pró-Demori, contra apenas 19% das mensagens pró-ICL. Em números absolutos, as publicações favoráveis ao jornalista somaram 555 retuítes e mais de 6 mil curtidas, ante 138 retuítes e cerca de 1,1 mil curtidas do lado favorável ao instituto.

Uma polarização quase binária, com uma rachadura interessante

O estudo também cruzou sentimento com posicionamento político dos autores: entre perfis progressistas ou governistas com opinião definida, 88% apoiaram Demori; entre conservadores, a proporção crítica ao jornalista chegou a 99,5% — praticamente unanimidade. O teste estatístico aplicado (qui-quadrado, com V de Cramér de 0,86) confirma associação muito forte entre campo político e avaliação do episódio, levando os autores do levantamento a concluir que “o sentimento de uma mensagem não é aleatório em relação ao campo político do autor”.

Ainda assim, o levantamento identificou uma fissura pontual: 28 mensagens de perfis progressistas criticaram Demori ou defenderam o ICL, geralmente citando seu histórico à frente da cobertura da Lava Jato no Intercept Brasil e sua relação com o governo Lula — um grupo minoritário, mas que o próprio estudo trata como “politicamente relevante” o suficiente para merecer acompanhamento.

Por que esse tipo de “estudo” pede um parágrafo de cautela

Vale registrar, com a mesma seriedade que se daria a qualquer pesquisa eleitoral, os limites metodológicos deste levantamento específico: trata-se de uma classificação manual de mensagens feita por autores não identificados publicamente na matéria, referente a um único dia de coleta, numa única rede social, sem informação sobre eventual financiamento, afiliação institucional ou processo de auditoria independente da metodologia. O próprio texto ressalva que os dados medem apenas a repercussão observada naquele intervalo específico — o que é bem diferente de medir a opinião pública em geral sobre o episódio, ou mesmo o desfecho definitivo da disputa de narrativas entre Demori e Moreira.

Esse tipo de ressalva ganha ainda mais relevância num momento em que o próprio debate público brasileiro discute os limites da confiabilidade de levantamentos e institutos de pesquisa — tema que, coincidentemente, voltou à pauta nesta mesma semana com a proposta do ministro do STF Nunes Marques de criar um “selo de acurácia” para institutos de pesquisa eleitoral, ideia já criticada por especialistas do setor. Análises de sentimento em redes sociais, mesmo quando bem-intencionadas e estatisticamente descritas com rigor aparente, enfrentam desafios semelhantes de transparência metodológica — e o fato de um resultado confirmar a intuição de que “as redes reagiram mal à demissão de um jornalista” não dispensa a mesma cautela interpretativa que se aplicaria a qualquer outro tipo de pesquisa de opinião.

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