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Chile: ativista da extrema direita será ministra da Mulher e Igualdade de Gênero

O presidente eleito do Chile nomeia Judith Marín, que criticou publicamente os projetos de lei para descriminalizar o aborto O presidente eleito do Chile, José Antonio Kast, da direita conservadora, nomeou Judith Marín, de 30 anos, como nova ministra da Mulher e da Igualdade de Gênero. A escolha gerou controvérsia devido às posições públicas da […]

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Diego Andres Reyes Vielma/Reuters

O presidente eleito do Chile nomeia Judith Marín, que criticou publicamente os projetos de lei para descriminalizar o aborto

O presidente eleito do Chile, José Antonio Kast, da direita conservadora, nomeou Judith Marín, de 30 anos, como nova ministra da Mulher e da Igualdade de Gênero.

A escolha gerou controvérsia devido às posições públicas da futura ministra, que se declara opositora veemente do aborto e defensora da vida “desde a concepção até a morte natural”.

Marín ganhou notoriedade nacional quando foi retirada à força do Senado chileno pela polícia após interromper uma sessão que votava a descriminalização do aborto, gritando “voltem para o Senhor”.

Ela é ex-presidente de um grupo estudantil evangélico vinculado aos “Águias de Jesus”, organização cristã que atua em universidades chilenas.

Em declarações públicas, Marín já questionou a própria necessidade do ministério que irá comandar e defendeu o modelo de “família natural” – com pai e mãe à frente do núcleo familiar – como princípio fundamental da sociedade.

Em outubro, afirmou: “Nosso país está passando por uma crise espiritual, social, moral e política, e mais do que nunca nós, filhos de Deus, precisamos nos levantar.”

Atualmente, o aborto no Chile é permitido em três situações específicas: risco de vida para a mãe, gravidez resultante de estupro ou inviabilidade fetal. O Congresso discute projeto apresentado pelo presidente Gabriel Boric que descriminalizaria a interrupção voluntária da gravidez até a 14ª semana em qualquer circunstância.

A nomeação de Marín ocorre neste contexto de debate nacional sobre direitos reprodutivos e representa sinal claro das prioridades do governo que assumirá o poder em março, indicando que as políticas de gênero do próximo governo seguirão orientação conservadora alinhada às convicções religiosas de seus principais integrantes.

Composição ministerial reflete viés conservador

Kast, católico e pai de nove filhos que sempre se opôs ao aborto durante sua carreira política, declarou sobre a escolha: “Este gabinete de unidade não foi formado para administrar a normalidade”. Foi reunido para enfrentar uma emergência nacional.”

O futuro presidente, que venceu o segundo turno em dezembro com plataforma focada no combate ao crime e controle da imigração, evitou durante a campanha debates aprofundados sobre valores sociais conservadores, limitando-se a afirmar: “Não mudei minhas convicções”.

O gabinete anunciado é composto por 13 homens e 11 mulheres, com idade média de 54 anos. A maioria provém de setores de direita e direita conservadora, com representação minoritária de vozes centristas.

Dois nomes chamam atenção por suas conexões históricas: Fernando Barros (68), futuro ministro da Defesa, e Fernando Rabat (53), futuro ministro da Justiça, ambos advogados que defenderam o ex-ditador Augusto Pinochet em processos judiciais.

Kast, que assume a presidência em 11 de março para mandato de quatro anos, é conhecido por seu apoio histórico a Pinochet – chegou a fazer campanha pela permanência do ditador no poder antes do plebiscito de 1988. Em 2017, durante sua primeira campanha presidencial, afirmou que Pinochet votaria nele se ainda estivesse vivo.

Com informações do The Guardian em 21/01/2026

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