O representante permanente da China nas Nações Unidas afirmou nesta quinta-feira (28) que uma ação militar dos Estados Unidos contra o Irã acarretaria efeitos imprevisíveis e ampliaria as tensões no Oriente Médio. Em declarações durante sessão do Conselho de Segurança, o embaixador chinês Fu Cong afirmou que o uso da força não resolve disputas e que abordagens desse tipo poderiam empurrar a região “para um abismo de imprevisibilidade”, citando o risco de desestabilização mais ampla se medidas militares forem implementadas.
A fala chinesa ocorre em meio a um quadro de escalada retórica entre Washington e Teerã, após movimentações militares dos Estados Unidos no Golfo Pérsico e advertências públicas do presidente americano, Donald Trump, sobre a possibilidade de ataques caso o Irã não aceite negociações sobre seu programa nuclear. Nas últimas semanas, os EUA enviaram um grupo de porta-aviões liderado pelo USS Abraham Lincoln e unidades de apoio à região, em meio a tensões renovadas sobre políticas nucleares e de segurança.
Fu Cong enfatizou que a soberania e os assuntos internos do Irã devem ser decididos pelo próprio povo iraniano e que qualquer interferência militar acarretaria riscos significativos a países vizinhos. O diplomata chinês pediu que todas as partes envolvidas respeitem a Carta das Nações Unidas e adotem ações que favoreçam a paz e a estabilidade, além de evitar medidas que agravem o conflito ou alimentem confrontos na região.
A posição divulgada por Pequim nesta semana reflete um discurso reiterado em fóruns internacionais, no qual a China defende a resolução de disputas por meio de negociações e oposição a intervenções externas. Ao mesmo tempo, autoridades iranianas têm reiterado que qualquer ataque seria tratado como ato de guerra, intensificando o clima de alerta na região.


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