Indústria brasileira recua em dezembro e encerra 2025 com desaceleração no segundo semestre

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A produção industrial brasileira registrou queda de 1,2% em dezembro de 2025 na comparação com novembro, aprofundando o movimento de desaceleração observado ao longo do segundo semestre do ano. O resultado foi divulgado nesta terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da Pesquisa Industrial Mensal (PIM).

Com o desempenho de dezembro, a indústria fechou 2025 com crescimento acumulado de 0,6%, o terceiro avanço anual consecutivo, embora em ritmo inferior ao observado em anos anteriores. No segundo semestre, após uma expansão de 1,2% nos seis primeiros meses do ano, o setor apresentou variação praticamente nula, refletindo perda de fôlego da atividade.

Apesar da retração mensal, a produção industrial cresceu 0,4% em dezembro frente ao mesmo mês de 2024, interrompendo duas taxas negativas consecutivas nessa base de comparação. Ainda assim, a média móvel trimestral manteve trajetória negativa, ao registrar recuo de 0,5% no encerramento do ano.

Com o resultado, o nível de produção da indústria ficou 0,6% acima do patamar pré-pandemia, registrado em fevereiro de 2020, mas segue distante do recorde histórico alcançado em maio de 2011, quando o setor operava 16,3% acima do nível atual.

Segundo o gerente da pesquisa, André Macedo, o comportamento da indústria em 2025 esteve diretamente associado ao ambiente de política monetária mais restritiva. “Ao longo de 2025, verificou-se uma clara perda de ritmo, com o setor industrial passando de uma expansão de 1,2% nos seis primeiros meses para uma variação nula no segundo semestre. Esse menor dinamismo guarda relação importante com o aumento da taxa de juros, que impacta as decisões de investimento das empresas e o consumo das famílias”, afirmou.

O crescimento acumulado do ano foi sustentado principalmente pelas indústrias extrativas, que avançaram 4,9%, impulsionadas sobretudo pela produção de petróleo, e pelo setor de alimentos, com alta de 1,5%. Em contrapartida, a indústria de transformação recuou 0,2% em 2025, limitando o desempenho global do setor.

Entre as grandes categorias econômicas, os melhores resultados no ano foram registrados pelos bens de consumo duráveis, com crescimento de 2,5%, e pelos bens intermediários, que avançaram 1,5%. Já os bens de consumo semi e não duráveis (-1,7%) e os bens de capital (-1,5%) encerraram o ano em queda.

A retração de dezembro teve caráter disseminado. As quatro grandes categorias econômicas e 17 dos 25 ramos industriais pesquisados apresentaram queda na produção, configurando o maior espalhamento de taxas negativas desde setembro de 2022. Entre os segmentos com maior impacto negativo estiveram veículos automotores, reboques e carrocerias (-8,7%), produtos químicos (-6,2%) e metalurgia (-5,4%).

No caso da indústria automobilística, o recuo foi o mais intenso desde maio de 2024. De acordo com Macedo, houve perda generalizada dentro da atividade, atingindo automóveis, caminhões e autopeças. O pesquisador destacou ainda que paralisações e férias coletivas típicas do mês de dezembro contribuíram para quedas mais acentuadas em diversos setores.

Na direção oposta, o segmento de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis avançou 5,4% em dezembro, exercendo o principal impacto positivo sobre o resultado mensal da indústria e interrompendo uma sequência de três meses de retração.

Entre as categorias econômicas, bens de capital (-8,3%) e bens de consumo duráveis (-4,4%) lideraram as perdas no mês, seguidos por bens intermediários (-1,1%) e bens de consumo semi e não duráveis (-0,7%), confirmando o quadro de desaceleração da atividade industrial no fim de 2025.

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