PT amplia hegemonia na esquerda e avança ao centro, mostra nova pesquisa Real Time Big Data

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A pesquisa Real Time Big Data registrada no TSE sob o número BR-06428/2026 desenha um país dividido ideologicamente em três grandes blocos de tamanho semelhante, como já apontam outros levantamentos recentes.

O levantamento ouviu 2.000 pessoas nos dias 6 e 7 de fevereiro, com margem de erro de 2 pontos percentuais e 95% de confiança, e custou R$ 80 mil, bancados com recursos próprios do instituto.

No retrato geral, 18% se dizem de direita, 24% de centro-direita, 26% de centro, 17% de centro-esquerda e 14% de esquerda (1% não sabe ou não respondeu).

A soma de direita e centro-direita alcança 42%, centro-esquerda e esquerda ficam em 31%, e o centro isolado responde por 26%. A rigor, considerando não apenas as margens de erro, mas as confusões naturais de quem tenta se classificar ideologicamente, o que se tem é uma sociedade repartida, a grosso modo, em três terços — um de direita, um de centro e um de esquerda.

Os dados eleitorais, porém, mostram que o presidente Lula tem conseguido navegar com relativo sucesso nessa sociedade dividida, hegemonizando a esquerda e avançando ao centro. Na espontânea para presidente, Lula aparece com 28%, à frente de Flávio Bolsonaro (14%) e Jair Bolsonaro (6%), que segue sendo citado pelos entrevistados apesar da inelegibilidade. Além disso, 14% declaram “nenhum/branco/nulo” e 31% dizem “não sabe”.

No cenário 1 da estimulada, Lula lidera com 39%, seguido por Flávio Bolsonaro (30%) e Ratinho Jr. (10%); os demais somam pouco, branco/nulo fica em 7% e NS/NR, 8%. É quando a pesquisa abre o voto por identidade ideológica que o quadro se revela mais equilibrado do que sugere o número geral.

Nos polos, o resultado é previsível: Flávio domina o campo da direita; Lula, o da esquerda, com patamares acima de 80% nos recortes de centro-esquerda e esquerda.

Entre os eleitores que se dizem de centro, Lula lidera com 38%, mas Flávio (24%) e Ratinho (15%) somam 39% — praticamente o mesmo patamar. O voto da direita chega fraturado a esse segmento, e é essa fratura que, por ora, impede a centro-direita de ultrapassar Lula. Se parte desse voto migrar para um único nome, o jogo tende a ficar mais competitivo.

A pesquisa também mede a disputa simbólica por cada campo. Na pergunta “quem mais simboliza a esquerda?”, 84% apontam Lula; o segundo nome é Aldo Rebelo, com 6%, e Eduardo Leite aparece com 4%. Não há hoje candidato competitivo à esquerda do presidente, e essa ausência tende a manter — e possivelmente ampliar — a hegemonia do PT nesse espaço.

Na pergunta “quem mais simboliza o centro?”, a resposta aparece pulverizada: Lula (15%) e Ratinho Jr. (15%) empatam no topo; Eduardo Leite tem 14%, Romeu Zema 13%, Flávio Bolsonaro 11%, Caiado 10% e “não sei” 9%. O centro, portanto, não está “carimbado” em um único nome — e Lula figura como uma das referências nesse terreno.

Nos temas, o estudo revela forças e fragilidades de cada candidatura. Lula lidera com folga em “melhorar a vida dos mais pobres” (44% contra 17% de Flávio) e em economia (29% contra 20%). Flávio lidera em segurança pública (28% contra 23% de Lula). Na capacidade de pacificar o Brasil politicamente, há empate: 24% a 24%.

O bloco de afirmações sobre humor social completa o retrato. 60% discordam que o Brasil esteja no caminho certo, e apenas 38% concordam — um dado que poderia ser mais preocupante para as perspectivas eleitorais de Lula, não fosse uma marca já conhecida da cultura política nacional. O brasileiro costuma sempre querer mudanças, por uma razão ligada à precariedade da nossa economia e da nossa infraestrutura, mas isso não significa que associará este ou aquele nome a essa mudança.

De qualquer forma, há sinais de desgaste com a política: 55% dizem que o país precisa superar a polarização entre Lula e Bolsonaro, e 76% concordam que “de nada adianta mudar o presidente” se o Congresso continuar como está.

Clique aqui para baixar a íntegra da pesquisa.

Miguel do Rosário: Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.
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