A inflação na Argentina acelerou em janeiro, registrando uma alta de 2,9% em relação a dezembro e elevando o acumulado dos últimos 12 meses para 32,4%, segundo dados oficiais divulgados nesta terça-feira pelo Instituto Nacional de Estatística e Censo (Indec).
O índice de preços ao consumidor (CPI) do mês passado mostra uma aceleração em relação ao fechamento de 2025, quando a variação anual estava em 31,5%. Entre os setores que mais pressionaram os preços estão alimentos e bebidas não alcoólicas, com aumento de 4,7%, e restaurantes e hotéis, que tiveram alta de 4,1% no mês.
O resultado ocorre em um contexto de debate sobre a forma como a inflação é medida no país. O governo argentino, liderado pelo presidente Javier Milei, decidiu adiar a implementação de uma nova metodologia de cálculo do índice de preços, originalmente prevista para estrear em fevereiro, alegando que a mudança só deve ocorrer “até que a desinflação esteja consolidada”. Essa decisão gerou controvérsia interna e culminou na renúncia do então presidente do Indec, Marco Lavagna, em meio a divergências sobre o cronograma e a necessidade da atualização.
Especialistas apontam que o adiamento da revisão metodológica reacende preocupações sobre a precisão dos dados, especialmente porque a metodologia atual se baseia em uma cesta de consumo desatualizada, que inclui itens menos representativos dos padrões de consumo recentes. Apesar disso, economistas consultados afirmam que a divulgação dos dados, mesmo com metodologia vigente, ajuda a reforçar a transparência estatística em um momento em que o país tenta consolidar expectativas econômicas mais estáveis.
A inflação argentina reduziu significativamente em relação a 2023, quando chegou a ultrapassar 200% ao ano, mas a retomada de ritmo em 2026 evidencia os desafios ainda enfrentados pelo governo para controlar a escalada de preços em um cenário de ajuste fiscal, retirada de subsídios e alterações nos preços de serviços públicos que afetam o custo de vida das famílias.
Economistas também observam que a alta de preços em itens essenciais, como alimentos, reflete pressões persistentes na economia, influenciadas por fatores como variações cambiais, custos de produção e inflação importada. A aceleração inflacionária registrada em janeiro intensifica o debate sobre a eficácia das políticas econômicas atuais e as estratégias do governo para alcançar uma trajetória de preços mais estável.


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