Centrão articula proteção a Toffoli e tenta barrar avanço de pedido de impeachment no Congresso

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As cúpulas do Congresso Nacional e de partidos do centrão iniciaram articulações para conter discussões sobre um possível processo de impeachment contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, após novos desdobramentos das investigações relacionadas ao caso Banco Master. As informações foram divulgadas pela Folha de S.Paulo.

O movimento político ganhou força depois que a Polícia Federal encaminhou ao presidente do STF, Edson Fachin, um relatório com mais de 200 páginas reunindo mensagens atribuídas ao empresário Daniel Vorcaro que citam Toffoli. O documento também menciona suposto pagamento a empresa vinculada ao ministro e aponta que ele teria admitido participação societária na empresa Maridt, que vendeu participação no resort Tayayá a um fundo associado ao empresário investigado.

Segundo relatos obtidos pelo jornal, o clima de tensão se intensificou na quinta-feira (12), quando lideranças partidárias trocaram telefonemas e mensagens com Toffoli para transmitir apoio político e afirmar que o Congresso não deve abrir investigação contra ele nem adotar medidas para pressioná-lo a deixar o cargo.

Lideranças criticam repercussão e falam em “pré-julgamento”

Dirigentes de partidos do centrão classificaram a repercussão do relatório como exagerada e criticaram o que chamaram de “Lava Jato 2”, além de apontarem suposto “vazamento seletivo” de informações e “pré-julgamento” do ministro na opinião pública. Nos bastidores, parlamentares discutem estratégias para evitar tanto o afastamento de Toffoli da relatoria do caso quanto qualquer iniciativa formal que possa fragilizar sua posição no STF.

Ainda na quinta-feira, o partido Novo protocolou um pedido de impeachment contra o ministro. A eventual abertura do processo depende de decisão do presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que tem prerrogativa para autorizar ou arquivar esse tipo de requerimento. De acordo com interlocutores citados pela reportagem, Alcolumbre, considerado aliado político de Toffoli, já teria descartado a possibilidade de dar andamento ao pedido.

Defesa do ministro e versão oficial

Em nota, Toffoli declarou que nunca soube quem era o gestor do fundo que adquiriu participação da empresa de sua família no resort mencionado nas investigações. O ministro afirmou ainda que “jamais teve qualquer relação de amizade e muito menos amizade íntima com o investigado Daniel Vorcaro”.

A manifestação pública integra a estratégia de defesa adotada após a divulgação do relatório, que ampliou a pressão política e institucional sobre o magistrado. O documento da Polícia Federal passou a circular em Brasília e elevou o nível de preocupação entre lideranças partidárias sobre possíveis efeitos políticos do caso.

Congresso monitora crise e discute reação

Diante do cenário, líderes partidários e dirigentes das Casas Legislativas passaram a acompanhar de perto a evolução das investigações. O presidente do Senado e do Congresso, Davi Alcolumbre, e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), conversaram com chefes de partidos para avaliar a dimensão da crise e possíveis respostas institucionais.

Entre as alternativas discutidas nos bastidores está a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar eventuais vazamentos de informações relacionadas ao relatório da Polícia Federal. A proposta surge como tentativa de deslocar o foco do debate para a origem da divulgação de dados e não para o conteúdo das investigações.

Reação política e divisões na oposição

Entre parlamentares alinhados ao bolsonarismo, o episódio reforçou críticas recorrentes ao Supremo Tribunal Federal e estimulou manifestações nas redes sociais favoráveis ao impeachment do ministro. Esse grupo avalia que as revelações podem levar ao afastamento de Toffoli e abrir espaço para uma nova indicação ao STF pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Outras alas da oposição, contudo, demonstram cautela e veem com desconfiança a possibilidade de abertura de vaga na Corte, argumentando que a substituição poderia alterar o equilíbrio interno do tribunal e fortalecer o Executivo na composição do Judiciário.

Cenário institucional permanece indefinido

Apesar das articulações políticas para conter a crise, o desfecho do caso ainda depende de fatores jurídicos e institucionais, incluindo a análise das informações pela própria Polícia Federal, pelo Ministério Público e pelo Supremo Tribunal Federal. Enquanto isso, lideranças do Congresso buscam manter estabilidade institucional e evitar que a situação evolua para um confronto aberto entre Poderes.

O episódio adiciona um novo elemento de tensão à relação entre Legislativo, Judiciário e Executivo, num momento em que investigações envolvendo instituições financeiras e agentes públicos ampliam o escrutínio sobre autoridades e reforçam o debate político em Brasília.

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