Os preços do petróleo dispararam nesta segunda-feira (2) após ataques retaliatórios do Irã interromperem embarques pelo estratégico Estreito de Ormuz, rota vital para o comércio global de energia. A escalada ocorreu depois de bombardeios atribuídos a Israel e aos Estados Unidos que teriam matado o líder supremo iraniano, Ali Khamenei.
Segundo a Reuters, o Brent chegou a subir até 13%, atingindo US$ 82,37 por barril — maior nível desde janeiro de 2025 — antes de recuar e operar com alta de 9,5%, a US$ 79,78. Já o WTI alcançou máxima intradiária de US$ 75,33 (+12%) e fechou a US$ 72,90 (+8,8%).
Os dois contratos avançaram com força diante dos danos a petroleiros e da interrupção severa do tráfego no Estreito de Ormuz, corredor marítimo entre Irã e Omã que liga o Golfo ao Mar da Arábia. Em condições normais, cerca de um quinto da demanda global de petróleo — proveniente de Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Irã e Kuwait — passa pela rota, além de derivados como diesel, gasolina e querosene de aviação destinados principalmente à Ásia, incluindo China e Índia.
Analistas alertam que um fechamento prolongado do estreito pode elevar ainda mais os preços e provocar escassez de oferta. Dados de navegação mostram mais de 200 embarcações, incluindo petroleiros e navios de GNL, fundeadas fora da área. Três navios foram danificados e um tripulante morreu em ataque no domingo.
Países asiáticos avaliam reservas estratégicas e rotas alternativas. A Coreia do Sul estuda liberar estoques para a indústria doméstica, enquanto a Índia busca caminhos logísticos alternativos e pode ampliar compras de petróleo russo.
Especialistas projetam que, caso o bloqueio persista, o barril pode ultrapassar US$ 100. A consultoria Rystad Energy estima que um fechamento completo poderia retirar entre 8 e 10 milhões de barris por dia do mercado, embora parte do fluxo possa ser redirecionada por oleodutos sauditas e dos Emirados. O Opep+ anunciou aumento modesto de produção a partir de abril — 206 mil barris/dia — considerado insuficiente para compensar eventual interrupção ampla.