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Irã diz ter atacado base nos Emirados após pedido de desculpas

Declaração do presidente Masoud Pezeshkian de que o Irã evitaria atacar vizinhos contrasta com novas ações militares e críticas de setores linha-dura do regime A guerra no Oriente Médio ganhou novos contornos neste sábado após o Irã afirmar que atacou uma base aérea dos Estados Unidos localizada nos Emirados Árabes Unidos. A ação ocorreu poucas […]

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Conflito se intensifica no Oriente Médio enquanto EUA e Israel ampliam ofensiva militar
Irã ataca base nos Emirados Árabes Unidos após prometer não atingir países vizinhos / AFP
Declaração do presidente Masoud Pezeshkian de que o Irã evitaria atacar vizinhos contrasta com novas ações militares e críticas de setores linha-dura do regime

A guerra no Oriente Médio ganhou novos contornos neste sábado após o Irã afirmar que atacou uma base aérea dos Estados Unidos localizada nos Emirados Árabes Unidos. A ação ocorreu poucas horas depois de o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, declarar que seu país não pretendia atacar nações vizinhas e pedir desculpas aos governos do Golfo Pérsico.

A contradição entre o discurso diplomático e a operação militar expôs, mais uma vez, a complexidade da atual escalada regional. Enquanto líderes tentam controlar danos políticos, ataques e contra-ataques continuam a se multiplicar.

Leia: Golfo Pérsico trava rotas e petróleo reage com força

Ao mesmo tempo, os Estados Unidos e Israel mantêm uma ofensiva intensa contra o território iraniano. Segundo autoridades militares americanas, a campanha já atingiu milhares de alvos desde o início da guerra. A nova escalada amplia o temor de que o conflito ultrapasse fronteiras e provoque um impacto global ainda maior — inclusive no mercado de energia.

Além disso, países do Golfo reforçam seus sistemas de defesa aérea e vivem dias de tensão permanente. Alertas de segurança e interceptações de drones tornaram-se parte da rotina na região.

Ataque atinge base aérea ao sul de Abu Dhabi

Segundo informações divulgadas pela agência de notícias iraniana Tasnim, a operação foi conduzida pela unidade de drones da Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica. O alvo foi a base aérea de Al Dhafra, localizada ao sul de Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos.

A instalação militar abriga forças americanas e funciona como um ponto estratégico para operações na região do Golfo. Por isso, qualquer ataque contra a base tem forte peso político e militar.

Até o momento, o governo dos Emirados não confirmou danos significativos. O Ministério da Defesa do país informou que detectou 121 veículos aéreos não tripulados no sábado. As forças de defesa aérea conseguiram interceptar a maioria.

De acordo com a pasta, 119 drones foram destruídos antes de alcançar seus alvos. Ainda assim, dois aparelhos caíram em território emiradense.

Apesar do episódio, o Ministério das Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos não comentou imediatamente o ataque. A falta de uma reação oficial detalhada indica cautela diplomática em um momento de grande instabilidade regional.

Discurso conciliador de Pezeshkian contrasta com ofensiva militar

Horas antes do ataque, o presidente iraniano havia adotado um tom conciliador ao falar sobre a relação com os países vizinhos do Golfo. Em mensagem divulgada pela agência estatal iraniana, Pezeshkian afirmou que o Irã não pretende expandir a guerra para outras nações da região.

Durante a declaração, ele pediu desculpas aos países vizinhos após uma semana marcada por ataques retaliatórios.

“Peço desculpas aos países vizinhos”, disse Pezeshkian. “Não temos a intenção de invadir outros países. Deixemos de lado todas as divergências, preocupações e ressentimentos que temos uns pelos outros. Hoje, defendamos nosso próprio território para tirar o Irã desta crise com dignidade.”

Ao mesmo tempo, o presidente iraniano deixou claro que Teerã não pretende ceder às pressões externas. Em outra declaração, ele afirmou que os Estados Unidos podem “levar seus sonhos para o túmulo; não nos renderemos incondicionalmente”.

Esse equilíbrio entre discurso diplomático e resistência militar reflete as disputas internas dentro do próprio regime iraniano.

Setores conservadores criticam pedido de desculpas

O pedido público de desculpas rapidamente provocou reações negativas entre setores mais conservadores do poder iraniano.

Membros ligados à Guarda Revolucionária e parte da elite clerical demonstraram irritação com a postura do presidente.

Uma das críticas mais diretas veio do clérigo linha-dura e parlamentar Hamid Rasai. Em uma publicação nas redes sociais, ele se dirigiu diretamente a Pezeshkian.

Segundo Rasai, “Sua postura foi pouco profissional, fraca e inaceitável”.

A reação revela fissuras políticas dentro do regime. Enquanto alguns defendem moderação diplomática para evitar isolamento internacional, outros exigem uma resposta militar ainda mais dura contra adversários externos.

Esse conflito interno ocorre justamente em um momento de pressão militar intensa sobre o país.

Trump atribui pedido de desculpas à ofensiva militar

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reagiu rapidamente às declarações do líder iraniano. Segundo ele, o pedido de desculpas ocorreu devido à forte pressão militar exercida por Washington e por Israel.

Em publicação na rede social Truth Social, Trump escreveu que o Irã recuou após sofrer uma série de ataques.

“O Irã, que está sendo massacrado, pediu desculpas e se rendeu aos seus vizinhos do Oriente Médio, prometendo que não atirará mais neles”, afirmou.

Logo depois, ele acrescentou outra mensagem que elevou ainda mais o tom da disputa.

“Hoje o Irã será duramente atingido!”, escreveu Trump.

A retórica agressiva aumenta a preocupação internacional. Analistas temem que declarações desse tipo ampliem ainda mais o ciclo de escalada militar.

EUA afirmam ter atingido mais de 3 mil alvos no Irã

A campanha militar liderada pelos Estados Unidos e por Israel entrou na segunda semana. Segundo o Comando Central dos EUA, os ataques continuam em ritmo intenso.

De acordo com militares americanos, mais de 3.000 alvos já foram atingidos durante a primeira semana da operação chamada Epic Fury.

“as forças americanas atingiram mais de 3.000 alvos na primeira semana da Operação Epic Fury, e não vamos diminuir o ritmo”, informou o comando militar em publicação no Facebook.

Israel também ampliou suas operações. As Forças de Defesa israelenses anunciaram neste sábado uma nova onda de ataques em Teerã.

Segundo o comunicado, mais de 80 caças participaram da ofensiva.

As aeronaves lançaram cerca de 230 munições contra instalações militares iranianas. Entre os alvos estavam um local de armazenamento de mísseis, uma instalação subterrânea ligada à produção de armamentos balísticos e a Universidade Militar Central da Guarda Revolucionária.

De acordo com o exército israelense, as operações buscam reduzir a capacidade militar do Irã.

“Esses ataques reduzem a capacidade do regime iraniano de disparar contra civis israelenses”, afirmou a força armada.

Disputa política interna levanta debate sobre novo líder supremo

Enquanto os bombardeios continuam, o cenário político interno do Irã também enfrenta instabilidade.

Dois clérigos influentes defenderam publicamente a escolha rápida de um novo líder supremo. A proposta surgiu após o assassinato do aiatolá Ali Khamenei.

Entre os defensores da medida está o grande aiatolá Naser Makarem Shirazi. Ele argumenta que o país precisa de liderança clara para enfrentar a crise.

Segundo Shirazi, a nomeação deve ocorrer rapidamente para “ajudar a organizar melhor os assuntos do país”.

Atualmente, um conselho de três membros exerce o comando temporário do país, conforme prevê a Constituição iraniana.

Mesmo assim, alguns setores do clero demonstram desconforto com essa solução provisória.

A situação ficou ainda mais delicada depois que Donald Trump afirmou que os Estados Unidos deveriam participar da escolha do novo líder. O governo iraniano rejeitou imediatamente essa ideia.

Guerra provoca tensão regional e impacto no mercado de energia

Enquanto a guerra se intensifica, países vizinhos reforçam suas defesas.

A Arábia Saudita informou ter interceptado um drone na região leste de Riade. Já em Dubai, autoridades emitiram alertas de segurança e orientaram moradores a procurar abrigo em edifícios seguros.

A escalada militar também provoca efeitos diretos na economia global.

O conflito praticamente paralisou o tráfego no Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes para o transporte de petróleo.

Como resultado, os preços da energia dispararam.

Na sexta-feira, o petróleo dos Estados Unidos registrou o maior ganho semanal da história do mercado futuro. O aumento acumulado chegou a 35,63%, o maior desde a criação do contrato em 1983.

O barril do West Texas Intermediate fechou o pregão a US$ 90,90 após subir 12,21% no dia.

Já o Brent, referência internacional, avançou 8,52% e terminou a sessão cotado a US$ 92,69.

Esse cenário reforça o temor de que a guerra no Oriente Médio não seja apenas um conflito regional. Na prática, ela já começa a produzir efeitos profundos sobre a economia mundial.

Com informações de CNBC*

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