“Se houvesse hoje julgamentos como os de Nuremberg para israelenses e americanos, Netanyahu, Trump e vários de seus assessores estariam sendo julgados.” Foi assim que John Mearsheimer resumiu sua avaliação sobre a ofensiva contra o Irã e a guerra em Gaza.
Em outro trecho, ele afirmou que o Irã não havia feito nada que justificasse um ataque dos Estados Unidos. Segundo Mearsheimer, tratou-se de uma agressão sem provocação prévia.
Mearsheimer é cientista político dos Estados Unidos, professor da Universidade de Chicago e um dos nomes mais conhecidos da chamada escola realista nas relações internacionais. As declarações foram dadas em entrevista ao programa Judging Freedom, apresentado por Andrew Napolitano, em 31 de março de 2026.
Ao falar sobre Gaza, ele disse que Israel conduz um genocídio e voltou a definir o país como um estado de apartheid. Também afirmou que os Estados Unidos participam desse processo como cúmplices.
Na argumentação de Mearsheimer, o paralelo com Nuremberg não aparece apenas como figura de linguagem. Ele lembra que, após a Segunda Guerra, lideranças nazistas foram responsabilizadas tanto por genocídio quanto por crimes de agressão.
A partir daí, ele sustenta que a mesma lógica deveria valer para dirigentes ocidentais e israelenses envolvidos em guerras e massacres atuais. O alvo central de sua crítica é a seletividade com que o direito internacional costuma ser aplicado.
Ao comentar a posição dos Estados Unidos, Mearsheimer diz que Washington passou a agir de maneira cada vez mais aberta em operações de assassinato e destruição militar fora de seu território. Para ele, esse padrão ajuda a explicar a escalada recente no Oriente Médio.
No caso de Gaza, sua leitura é que já não se trata apenas de uma guerra convencional. O que está em curso, segundo ele, é uma política de extermínio contra os palestinos, com respaldo político, militar e diplomático dos Estados Unidos.
A fala de Mearsheimer recoloca no centro do debate um tema que as potências ocidentais tentam contornar: quem responde pelos crimes cometidos quando os agressores são aliados de Washington. Sua comparação com Nuremberg busca justamente romper esse bloqueio e recolocar a responsabilidade penal internacional no centro da discussão.