“O filho do Bolsonaro é abertamente submisso aos Estados Unidos”, diz Jandira Feghali

Jandira Feghali deu entrevista ao jornalista Miguel do Rosário no dia 01 de abril de 2026, em seu escritório na Glória, Rio de Janeiro.

Entrevistei a deputada federal pelo PCdoB em seu escritório na Glória, no Rio de Janeiro, no dia 1º de abril — data que marca 62 anos do golpe militar de 1964

No primeiro dia de abril de 2026, fui ao escritório da deputada federal Jandira Feghali, no bairro da Glória, zona sul do Rio de Janeiro. A data não era trivial: 62 anos antes, na madrugada de 31 de março para 1º de abril, militares derrubavam o governo João Goulart e inauguravam duas décadas de ditadura no Brasil. Relatora da Lei Maria da Penha, veterana da esquerda brasileira e em pré-campanha para a reeleição, Jandira não escondeu nem o otimismo com a candidatura de Lula nem a preocupação com as forças que, segundo ela, se organizam para impedir sua reeleição. Conversamos sobre três grandes temas: o cenário eleitoral nacional, a crise institucional crônica do Rio de Janeiro e a escalada do imperialismo americano no mundo.

“O Lula tem toda a chance de ganhar, mas não será simples”

Perguntei a Jandira sobre suas expectativas para as eleições de 2026 e os principais desafios que Lula deve enfrentar.

“A minha expectativa de vitória do Lula é grande, eu acho que o Lula hoje tem toda a chance de ganhar essa eleição novamente e ir para o seu quarto mandato, mas não acho que é simples o processo eleitoral porque essas forças virão contra nós. Nós vamos enfrentar, ao que tudo indica, um candidato que é o filho do Bolsonaro, que pela primeira vez na história é um candidato abertamente pró-Estados Unidos. Abertamente submetido, submisso, que quer fazer a política a favor do povo norte-americano e não a favor do povo brasileiro. Então vai ser uma aliança entre eles que tem força, mas a gente acredita muito naquilo que a gente entrega e na força do povo brasileiro.”

Para ela, o imperialismo americano não ficará neutro diante de uma eleição em que Lula representa “uma pedra no sapato” para os interesses de Washington. “A reafirmação da soberania nacional, a reafirmação do papel do Estado, da nossa independência, da nossa altivez, não interessa aos Estados Unidos”, disse.

O Rio de Janeiro e o ciclo interminável de governadores cassados e presos

Trouxe à conversa a situação calamitosa do Rio de Janeiro, estado que vive há anos um ciclo de governadores presos, cassados e denunciados, e que naquele momento aguardava decisão do STF sobre uma nova vacância no governo estadual.

“O povo fluminense tem feito péssimas escolhas para governador. Esse eleitor tem que botar a mão na consciência e perceber que voto ele tem dado. Ganhou o Witzel, que ninguém sabia quem era, com o vice que era o Cláudio Castro. De repente o Witzel sofre um impeachment, vai o Cláudio Castro, que agora está cassado com a possibilidade de ser preso e inelegível. O Rio é o estado pior em nível de emprego do Brasil, é o pior em nível educacional, é o pior em nível de saúde. Não é possível mais conviver com esse tipo de realidade.”

Jandira lembrou ainda que o estado acumulava duas vacâncias simultâneas — no governo e na presidência da Assembleia Legislativa, após a prisão de Rodrigo Bacellar. “Que coisa sui generis que a gente vive no Rio de Janeiro”, resumiu.

“Cuba está sendo assassinada. O Brasil precisa agir”

Por fim, perguntei sobre a nova fase do imperialismo americano — o sequestro de Nicolás Maduro, o bloqueio a Cuba, a guerra ao Irã — e o que o Brasil poderia fazer diante disso.

“Cuba é um genocídio de outro tipo porque está matando mesmo por falta de energia, por falta de semente para fazer alimento. Agora que a Rússia furou o bloqueio do petróleo e o Trump disse que não vai ter sanção de tarifa para quem levar petróleo a Cuba, acho que está na hora do Brasil entrar com isso também: levar petróleo, levar estruturalmente uma saída para Cuba. Na questão palestina, na questão do Irã, é ajudar na mediação, porque o fechamento do estreito de Ormuz tem impacto econômico para o mundo inteiro. A ONU infelizmente não consegue jogar papel, o que é muito triste para a humanidade.”

Sobre Gaza, Jandira foi direta: “Guerra é estado contra estado. Aquilo ali foi um massacre, uma política de limpeza étnica do sionismo de Israel em aliança com os Estados Unidos.”

 

 

Miguel do Rosário: Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.
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