A Petrobras anunciou hoje um reajuste recorde no preço do querosene de aviação (QAV), com aumentos de até 56,3% em algumas regiões do país.
O aumento médio foi de 54,6% nas 13 localidades onde o combustível é comercializado. Em Ipojuca (PE), o litro do QAV saltou de R$ 3,46 para R$ 5,40. Em São Luís (MA), o preço subiu de R$ 3,40 para R$ 5,80. Em Canoas (RS), o valor chegou a R$ 5,50 por litro.
Este é o terceiro reajuste do QAV em 2026, acumulando alta de 62% desde janeiro. A Petrobras justificou a medida pela volatilidade do mercado internacional, citando a valorização do petróleo Brent e a desvalorização do real frente ao dólar.
O Ministério de Minas e Energia solicitou à Petrobras que escalonasse os reajustes para reduzir o impacto sobre o setor aéreo. A pasta estuda medidas tributárias, como a zeragem do IOF e a redução das alíquotas de PIS e Cofins sobre o QAV, para conter a pressão inflacionária.
A política de reajustes mensais do QAV, alinhada à paridade internacional de preços, tem gerado atritos com o setor aéreo. A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) classificou o aumento como insustentável e pediu diálogo urgente com o governo.
Analistas do mercado financeiro projetam que o reajuste pode elevar o preço das passagens aéreas em até 20%. O cenário preocupa em um contexto de recuperação lenta do turismo, com o setor ainda operando 12% abaixo dos níveis pré-pandemia.
A disparidade regional nos reajustes também chamou atenção. Em Guarulhos (SP), principal hub aéreo do país, o litro do QAV passou de R$ 3,60 para R$ 5,60. A Petrobras não detalhou os critérios para as diferenças entre as praças.
O aumento ocorre em um momento de tensão geopolítica, com o Brasil buscando fortalecer sua posição no cenário internacional. Enquanto países como China e Índia avançam em alternativas energéticas, o Brasil ainda depende das cotações internacionais de petróleo, que fecharam em US$ 92,45 o barril do Brent.
O governo federal enfrenta o desafio de equilibrar a saúde financeira da Petrobras com a pressão social por preços acessíveis. A redução de tributos, embora paliativa, pode não ser suficiente para conter a escalada dos custos operacionais das companhias aéreas, que já sinalizaram repasses aos consumidores.
Para o setor aéreo, o impacto será imediato. A Latam Brasil informou que revisará suas rotas regionais. A Gol Linhas Aéreas já anunciou um plano de contingência para reduzir custos. A Azul estuda a suspensão de voos em rotas menos rentáveis.