Cientistas apresentam novo medicamento contra hipertensão resistente com resultados promissores

Imagem gerada por IA pelo Flux Pro (fal.ai), a partir de prompt do Cafezinho. 05/04/2026 19:02

Um novo medicamento, chamado baxdrostat, tem demonstrado eficácia notável na redução de níveis perigosamente elevados de pressão arterial em pacientes que não respondem aos tratamentos convencionais.

Em um amplo ensaio clínico internacional, os participantes registraram uma queda média de quase 10 mmHg na pressão arterial, resultado considerado significativo para reduzir riscos de infarto, acidente vascular cerebral e doenças renais. O composto atua diretamente sobre um hormônio responsável pela retenção de sal e água no corpo, oferecendo uma alternativa para milhões de pessoas que enfrentam hipertensão não controlada ao redor do mundo.

A hipertensão arterial afeta aproximadamente 1,3 bilhão de indivíduos globalmente, sendo que em quase metade dos casos a condição permanece incontrolável ou resistente às terapias disponíveis.

Isso eleva substancialmente a probabilidade de complicações cardíacas, derrames, insuficiência renal e morte precoce. Apenas no Reino Unido, cerca de 14 milhões de pessoas convivem com o problema, segundo dados de estudos recentes.

O ensaio clínico internacional BaxHTN, conduzido pelo professor Bryan Williams, do UCL Institute of Cardiovascular Science, e financiado pela AstraZeneca, avaliou o desempenho do baxdrostat administrado em comprimidos. O estudo envolveu quase 800 pacientes distribuídos por 214 clínicas em diversos países.

Os resultados foram divulgados no Congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC) de 2025, realizado em Madri, e também publicados no New England Journal of Medicine.

Após 12 semanas de tratamento, os pacientes que receberam doses de 1 mg ou 2 mg de baxdrostat diariamente apresentaram uma redução média de 9 a 10 mmHg na pressão arterial sistólica, em comparação com o grupo que recebeu placebo.

Essa diminuição é vista como clinicamente relevante para a prevenção de eventos cardiovasculares graves. Cerca de 40% dos participantes tratados com o medicamento atingiram níveis considerados saudáveis de pressão arterial, enquanto menos de 20% do grupo placebo alcançou o mesmo resultado.

O professor Williams destacou a importância dos números obtidos, afirmando que uma redução de quase 10 mmHg está associada a uma diminuição expressiva no risco de infarto, acidente vascular cerebral, insuficiência cardíaca e doenças renais.

Ele também reforçou que o baxdrostat representa um progresso na compreensão das causas da hipertensão resistente, que afeta uma parcela significativa dos pacientes sob tratamento.

A pressão arterial é amplamente regulada pelo hormônio aldosterona, que controla os níveis de sal e água no organismo. Em algumas pessoas, a produção excessiva desse hormônio provoca retenção de fluidos, elevando a pressão e dificultando seu controle.

O baxdrostat age inibindo a síntese de aldosterona, atacando diretamente essa disfunção. Williams, que também ocupa a cadeira de Medicina na UCL, apontou que cerca de metade dos indivíduos tratados para hipertensão não conseguem controlá-la adequadamente, número que pode ser ainda maior diante de metas mais rigorosas estabelecidas recentemente.

Os testes indicaram que a adição do baxdrostat à terapia anti-hipertensiva convencional resultou em quedas sustentadas na pressão arterial por até 32 semanas, sem registros de efeitos adversos inesperados.

Isso sugere que a aldosterona desempenha um papel central na hipertensão de difícil controle. Globalmente, o impacto da condição tem crescido, especialmente na Ásia, onde mais da metade dos casos se concentra, incluindo 226 milhões de pessoas na China e 199 milhões na Índia, devido a mudanças em padrões alimentares e outros fatores de risco.

Williams estimou que o medicamento poderia beneficiar até meio bilhão de pessoas em todo o mundo, incluindo cerca de 10 milhões apenas no Reino Unido, sobretudo considerando as novas diretrizes da ESC de 2024, que estabeleceram uma meta de pressão arterial abaixo de 130/80 mmHg, mais rigorosa que o limite anterior de 140/90 mmHg.

Os resultados do estudo abrem caminho para tratamentos mais eficazes e personalizados no combate a uma das principais causas de mortalidade global.

Com informações de sciencedaily.com.

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