A Embrapa Semiárido, sediada em Pernambuco, apresentou uma técnica inovadora que utiliza água salobra na produção de mudas de espécies florestais nativas da Caatinga, oferecendo um novo caminho para a restauração ambiental em regiões áridas.
Pesquisas conduzidas pela instituição revelam que a irrigação com águas de alta salinidade não só é viável na fase de viveiro, mas também resulta em mudas mais adaptadas a condições extremas, como seca prolongada e temperaturas elevadas, comuns no semiárido.
Informações divulgadas pela Embrapa destacam que cerca de 70% das fontes subterrâneas da região apresentam níveis de salinidade que inviabilizam seu uso na agricultura tradicional.
A pesquisadora Bárbara França Dantas, responsável pelos estudos, explica que aplicar água salobra diretamente no substrato das mudas, antes do transplante para o campo, minimiza riscos de salinização do solo e elimina preocupações com a saúde humana.
Essa abordagem representa, segundo ela, uma das formas mais eficazes de aproveitar um recurso abundante, mas até então subutilizado.
Os experimentos demonstraram resultados promissores com espécies como angico-de-caroço, catingueira-verdadeira, mulungu e pereiro, que exibiram alta tolerância à salinidade, mantendo taxas satisfatórias de germinação e crescimento mesmo com águas de condutividade elétrica acima de 12 dS/m.
Por outro lado, espécies como a aroeira-do-sertão mostraram menor resistência, o que sugere limitações para seu cultivo em solos mais salinos. A condutividade elétrica, que mede a quantidade de sais dissolvidos na água, é fator determinante na absorção de nutrientes pelas plantas, e os dados obtidos pela Embrapa fornecem parâmetros claros para o manejo de irrigação em sistemas de produção biossalina.
A técnica também abre portas para a integração com o reúso de águas residuárias, como os efluentes provenientes da piscicultura associada à dessalinização. Esses resíduos, ricos em nutrientes e matéria orgânica, podem ser incorporados ao processo, ampliando a sustentabilidade da iniciativa.
Bárbara Dantas ressalta que os resultados dos estudos são ferramentas essenciais para viveiristas e gestores ambientais, permitindo a seleção de espécies mais adequadas para projetos de reflorestamento em ecossistemas desafiadores, onde a salinidade do solo e a escassez hídrica são barreiras constantes.
Além do impacto ambiental, as espécies nativas da Caatinga têm papel crucial na recuperação de áreas degradadas e no combate à desertificação, sustentando também a economia de comunidades locais ao fornecer madeira, forragem e insumos para produtos medicinais.
A adoção dessa tecnologia, conforme detalhado em comunicado oficial disponível no portal da Embrapa, pode impulsionar a comercialização de sementes e mudas, além de apoiar o cumprimento de metas de restauração florestal e a regularização ambiental de propriedades rurais no semiárido.
Com a definição de limites de tolerância à salinidade para diferentes espécies, a Embrapa oferece um guia prático para expandir a restauração ecológica em áreas antes consideradas inviáveis, consolidando um modelo que alia preservação ambiental e desenvolvimento econômico.
Com informações de Agência Internacional.