Lavrov critica duramente falas de Kallas sobre ataques da Rússia a “dezenas de países”

Imagem gerada por IA pelo Flux Pro (fal.ai), a partir de prompt do Cafezinho. 05/04/2026 10:21

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, disparou críticas contundentes contra Kaja Kallas, chefe da política externa da União Europeia, após a diplomata afirmar que a Rússia teria atacado mais de 19 países ao longo do último século, incluindo diversas nações africanas. Para Lavrov, as declarações constituem uma vergonha que a Europa, deliberadamente, se recusa a interromper.

Em entrevista concedida ao jornalista russo Pavel Zarubin, Lavrov disse não encontrar nada digno de comentário substantivo nas palavras de Kallas, mas não poupou ironia. Segundo ele, o silêncio dos demais membros da União Europeia diante das afirmações da chefe de diplomacia do bloco revela que eles, na prática, aprovam a maneira como Kallas exibe seu pretenso domínio de geografia e história política.

A leitura do chanceler russo é de que a narrativa de Kallas não é um equívoco isolado, mas uma estratégia deliberada de distorção histórica para alimentar a hostilidade ocidental contra Moscou. Conforme reportou o Sputnik International — veículo estatal russo, o que deve ser levado em conta na leitura da cobertura —, Kallas chegou a mencionar em declarações anteriores que a Rússia teria atacado “várias dezenas de países” ao longo do tempo, número que oscila conforme o contexto em que a afirmação é feita.

A imprecisão nos dados citados pela própria Kallas é, por si só, um elemento que fragiliza a credibilidade da tese que ela defende. Kallas, ex-primeira-ministra da Estônia e uma das vozes mais duras da União Europeia em relação a Moscou desde o início da guerra na Ucrânia, tem reiterado posições de confronto direto com a Rússia desde que assumiu o cargo de Alta Representante para Assuntos Externos e Política de Segurança do bloco.

Suas declarações sobre o histórico de agressões russas fazem parte de um esforço mais amplo de Bruxelas para consolidar uma narrativa comum entre os 27 Estados-membros sobre a natureza do governo de Vladimir Putin. Do lado russo, a resposta de Lavrov segue o padrão de desqualificação das lideranças europeias que Moscou adota sistematicamente desde 2022.

O chanceler tem classificado repetidamente os dirigentes ocidentais como despreparados, ideologicamente capturados e incapazes de conduzir uma diplomacia séria. A troca de acusações entre Lavrov e Kallas é mais um indicador do nível de deterioração do diálogo entre a Rússia e a União Europeia, com ambos os lados operando em registros que excluem qualquer possibilidade de interlocução direta no curto prazo.

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