MPSP intima João Adibe, dono da Cimed, a depor em inquérito sobre desobediência em obra de mansão

Imagem gerada por IA pelo Flux Pro (fal.ai), a partir de prompt do Cafezinho. 05/04/2026 15:11

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) determinou que a Polícia Civil ouça João Adibe, presidente da farmacêutica Cimed, em um inquérito que apura suspeita de desobediência a embargos judiciais relacionados à construção de sua mansão no bairro dos Jardins, na capital paulista.

A medida foi tomada após o empresário recusar um acordo penal que previa o pagamento de R$ 81 mil para encerrar o caso — proposta que, se aceita, teria encerrado a investigação sem maiores consequências para o executivo.

João Adibe ocupa a 86ª posição entre os homens mais ricos do país, com patrimônio estimado em R$ 5,2 bilhões, segundo a revista Forbes. A disputa jurídica envolve, além do próprio empresário, a associação de moradores AME Jardins e o banqueiro André Schwartz, CEO do banco Genial, que reside nas imediações da obra e apresentou laudo técnico apontando fissuras em paredes de sua residência como consequência direta das intervenções realizadas na mansão de Adibe.

O caso ganhou contornos mais graves após a prefeitura de São Paulo constatar o descumprimento de um embargo que proibia a continuidade das obras. A defesa do empresário sustenta que o embargo se referia exclusivamente a um muro e que a construção possuía alvarás válidos, incluindo o Habite-se — documento que, no entanto, foi posteriormente suspenso sob a alegação de que a obra foi executada em desacordo com o projeto originalmente aprovado.

A Promotoria, por sua vez, ainda não acatou a recomendação da Polícia Civil de arquivar o inquérito, cujo argumento é o de que o crime de desobediência não se configura quando já existem sanções administrativas aplicadas, como as multas impostas pela prefeitura.

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) negou os recursos apresentados por Adibe, mantendo o embargo judicial da obra. Foi após essa decisão que o MPSP solicitou novas diligências, entre elas o depoimento do empresário e de uma agente vistora que acompanhava a situação in loco.

Conforme apurou o portal Metrópoles, a Promotoria avalia que há elementos suficientes para prosseguir com a investigação antes de qualquer decisão sobre arquivamento.

A ação civil pública movida pela AME Jardins acrescenta outra camada ao imbróglio: a associação alega que a obra foi aprovada como uma simples reforma, mas resultou na demolição quase integral da construção original — o que configuraria uma irregularidade de maior gravidade do que a descrita nos documentos submetidos aos órgãos competentes. A defesa de Adibe rebate afirmando que todas as autorizações necessárias foram obtidas junto às instâncias municipais e que a obra já se encontra concluída.

A contradição entre a afirmação da defesa — de que a obra está encerrada — e a existência de embargos ativos e registros de movimentação de trabalhadores no local não foi esclarecida pelas partes. Um vídeo publicado pela esposa do empresário, a influencer Cinthya Marques, mostrava operários em atividade na propriedade, o que Schwartz interpretou publicamente como descaso deliberado às ordens judiciais de paralisação. A defesa de Adibe reiterou que não procede qualquer alegação de desobediência e que um laudo pericial anterior já havia descartado a responsabilidade do empresário pelos danos relatados pelo vizinho banqueiro.

Com informações de Agência Internacional.

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