Uma travesti de 48 anos foi vítima de uma tentativa de homicídio na noite do dia 3 de abril de 2026, em um local que desperta indignação: nas proximidades da 15ª Delegacia de Polícia, no bairro Ceilândia Centro, no Distrito Federal. A vítima foi atingida por golpes de arma branca na região do tórax e socorrida em estado grave pelo serviço de emergência.
Ela foi encaminhada ao Hospital Regional de Ceilândia, onde permanece internada e sem condições de prestar depoimento até o momento.
Após investigações iniciais, a polícia abordou dois suspeitos menores de idade, que foram conduzidos à Delegacia da Criança e do Adolescente II. Ambos foram ouvidos e liberados na sequência. Um terceiro suspeito, de 26 anos, foi levado à 15ª Delegacia de Polícia para os procedimentos necessários.
Ele também foi ouvido, mas, conforme apurado pelo portal Metrópoles, a autoridade policial considerou que não havia, até o momento, elementos suficientes para prisão em flagrante, devido à falta de clareza sobre a participação do suspeito adulto nas imagens de monitoramento disponíveis.
A investigação continua em curso com novas diligências determinadas. A polícia busca outras imagens de câmeras de vigilância que possam confirmar ou descartar a participação do investigado maior de idade no crime. A faca encontrada em posse desse suspeito foi apreendida e será submetida à perícia, com exames para identificar vestígios biológicos e avaliar sua eficiência como arma.
As roupas usadas pelos envolvidos no momento do ataque foram recolhidas para análise técnica. Peritos também foram acionados para examinar o local do crime e esclarecer a dinâmica da agressão.
A proximidade do incidente com uma delegacia de polícia reforça a percepção de insegurança enfrentada por pessoas travestis e transgêneras, mesmo em áreas próximas a instituições de segurança pública. O episódio se insere em um contexto mais amplo de violência contra a população LGBTQIA+. De acordo com relatórios da organização Transgender Europe, divulgados em anos recentes, o país figura entre os que registram os maiores índices de assassinatos de pessoas trans no mundo.
A investigação conduzida pela 15ª Delegacia de Polícia segue aberta, e os resultados dos laudos periciais e das análises de imagens de monitoramento serão fundamentais para os próximos passos do caso.