Bolsa de T. rex avaliada em milhões provoca críticas entre paleontólogos

Imagem gerada por IA pelo Flux Pro (fal.ai), a partir de prompt do Cafezinho. 06/04/2026 10:21

Uma bolsa produzida com colágeno derivado de fósseis de Tyrannosaurus rex foi apresentada em Amsterdã, na Holanda, desencadeando uma onda de questionamentos entre especialistas da área de paleontologia.

O acessório, que exibe uma tonalidade verde-azulada, foi desenvolvido como uma demonstração do potencial do couro cultivado em laboratório. A peça será leiloada com um lance inicial superior a meio milhão de dólares, valor que equivale a cerca de R$ 2,9 milhões.

O projeto nasceu da parceria entre a empresa de engenharia genômica Organoid, a agência VML e a startup Lab-Grown Leather Ltd. A bolsa ficará exposta no museu Art Zoo, na Holanda, ao lado de uma réplica do dinossauro, até o dia 11 de maio de 2026.

De acordo com o Olhar Digital, as empresas responsáveis extraíram fragmentos de proteínas ancestrais de fósseis descobertos nos Estados Unidos e os inseriram em células de um animal não identificado para gerar o colágeno utilizado na confecção do produto.

Che Connon, CEO da Lab-Grown Leather Ltd., argumenta que a utilização da linhagem genética do T. rex confere um valor único ao acessório, que ele classifica como um avanço tecnológico significativo para a indústria têxtil.

Essa não é a primeira iniciativa do grupo no campo da biotecnologia voltada para consumo. Em 2023, eles já haviam produzido uma almôndega de carne de mamute, combinando DNA de espécies extintas com células de ovelha, em um experimento que também gerou controvérsias.

A recepção da bolsa, no entanto, está longe de ser unânime no meio acadêmico. Melanie During, paleontóloga da Universidade Livre de Amsterdã, contesta a viabilidade do projeto, afirmando que o colágeno presente em fósseis existe apenas em traços fragmentados, o que tornaria impossível recriar a pele ou o couro do dinossauro de maneira funcional.

Thomas R. Holtz Jr., paleontólogo da Universidade de Maryland, reforça a crítica ao destacar que o colágeno identificado em fósseis de T. rex é extraído de ossos, e não da pele. Ele explica que, mesmo que as proteínas sejam idênticas, elas não possuem a organização de fibras em larga escala necessária para replicar as propriedades características do couro natural.

Em resposta às objeções, Thomas Mitchell, CEO da Organoid, defendeu a iniciativa como um passo ousado na exploração científica. Ele enfatizou que questionamentos são essenciais para o progresso e devem ser encorajados, além de afirmar que este é o mais perto que a ciência já chegou de recriar algo que remeta diretamente ao T. rex.

Mitchell acredita que, mesmo com as limitações apontadas, o projeto representa um marco na interseção entre biotecnologia e design, abrindo portas para novas aplicações de materiais cultivados em laboratório.

A controvérsia em torno da bolsa não se limita à sua viabilidade técnica, mas também levanta questões éticas sobre o uso de material genético de espécies extintas para fins comerciais. Enquanto as empresas celebram a inovação como um símbolo de progresso, muitos cientistas alertam para a necessidade de um debate mais amplo sobre os limites e as implicações de tais experimentos.

O leilão da peça, previsto para ocorrer após a exposição, promete atrair atenção tanto de colecionadores quanto de críticos, consolidando o acessório como um ponto de inflexão no diálogo entre ciência e mercado.

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