BRB ignora alertas e aprova compra de ativos de R$ 341 milhões do Banco Master

Imagem gerada por IA pelo Flux Pro (fal.ai), a partir de prompt do Cafezinho. 06/04/2026 03:11

O Banco de Brasília (BRB) aprovou a aquisição de uma carteira de ativos no valor de R$ 341,7 milhões do Banco Master, mesmo diante de alertas claros sobre os altos riscos envolvidos na operação. A decisão foi tomada em menos de um dia após a Diretoria de Controles e Riscos (Dicor) do BRB emitir um parecer técnico apontando a ausência de garantias sólidas e a presença de um avalista com restrições financeiras graves.

O avalista em questão, José Ricardo Rezek, acumula dívidas de R$ 14,6 milhões e está com o nome negativado no Serasa, conforme constatado no relatório interno.

Os ativos adquiridos referem-se a seis cédulas de crédito bancário (CCBs) vinculadas a empréstimos concedidos pelo Banco Master para o empreendimento Península Cidade Jardim, localizado em São Paulo, com operações registradas em 2024. Essas CCBs foram transferidas para a Esfera Aquisições Imobiliárias, uma empresa com capital social de apenas R$ 10 mil, o que reforça as preocupações levantadas pela Dicor.

O parecer técnico destacou ainda a falta de comprovação da propriedade do terreno destinado ao projeto, que abrange uma área de 49 mil metros quadrados, aumentando os riscos da transação.

Outro ponto crítico envolve as garantias apresentadas para respaldar o negócio. Os imóveis oferecidos como segurança foram avaliados em R$ 100 milhões, valor que cobre menos de um terço da dívida total. Em caso de inadimplência, estimativas indicam que o BRB conseguiria recuperar apenas cerca de R$ 30 milhões com a venda desses bens, montante irrisório frente ao total investido.

A situação se agrava quando considerada a crise financeira já enfrentada pelo BRB. Relatórios internos e análises de mercado, conforme apurado por fontes especializadas, apontam que os prejuízos do banco, inicialmente estimados em R$ 2 bilhões, podem agora superar R$ 8,8 bilhões. Grande parte desse rombo está associada a operações problemáticas com o Banco Master, o que coloca em xeque as decisões estratégicas da instituição.

A compra recente, ignorando pareceres técnicos, reforça a percepção de uma gestão que prioriza negócios de alto risco em detrimento da estabilidade financeira. A operação com a Esfera Aquisições Imobiliárias, somada ao histórico de transações deficitárias, sugere um padrão de conduta que pode comprometer ainda mais os recursos do banco. Acionistas e especialistas acompanham de perto os desdobramentos, aguardando posicionamentos oficiais sobre como a instituição pretende mitigar os danos acumulados e evitar novos prejuízos.

Com informações de metropoles.com.

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