Descoberta monumental: nau medieval revela segredos após 600 anos submersa

Imagem gerada por IA pelo Flux Pro (fal.ai), a partir de prompt do Cafezinho. 06/04/2026 05:06

Nas profundezas do Mar Báltico, repousa uma testemunha silenciosa dos tempos antigos, a Svælget 2. Este gigante dos mares, um navio mercante medieval, foi descoberto nas águas próximas a Copenhague, oferecendo um vislumbre inédito do passado marítimo da Europa. Medindo aproximadamente 28 metros de comprimento, 9 metros de largura e 6 metros de altura, a embarcação impressiona não apenas por suas dimensões, mas também por sua capacidade de carga estimada em 300 toneladas. Este achado, como destacou o arqueólogo marítimo Otto Uldum, marca um divisor de águas na arqueologia marítima, sendo a maior embarcação do tipo já descoberta.

A construção do Svælget 2, datada de 1410 através de análises de anéis de árvores, revela uma rede de fornecimento sofisticada para a época. As tábuas do casco, feitas de carvalho da Pomerânia, atualmente parte da Polônia, foram transportadas para estaleiros nos Países Baixos, onde a embarcação foi montada. Esta combinação de materiais e expertise sugere um comércio estruturado e rotas estabelecidas, como observou Uldum. “O navio foi construído em uma época em que havia mercados confiáveis para os bens transportados”, afirmou o arqueólogo.

O estado de conservação do naufrágio é excepcional, com o lado estibordo protegido pela areia, preservando estruturas superiores raramente encontradas em naufrágios medievais. A escavação, que levou mais de dois anos e meio e 289 mergulhos, revelou detalhes notáveis, como o cordame da embarcação e os “castelos” de proa e popa, plataformas elevadas anteriormente apenas vistas em ilustrações históricas. A descoberta de uma coberta e uma cozinha de tijolos, com utensílios de bronze e cerâmica, oferece um vislumbre do cotidiano a bordo.

A ausência de evidências de uso militar reforça a função mercantil do Svælget 2, dedicado ao transporte de commodities como sal, madeira, tijolos e alimentos básicos pela Europa do século XV. “Agora sabemos, sem sombra de dúvida, que embarcações do tipo poderiam atingir essas proporções”, destacou Uldum. A embarcação contém cerca de 20 vezes mais material para estudo do que um naufrágio típico, com o trabalho de conservação em andamento no Museu Nacional da Dinamarca, em Brede, e análises que continuarão até 2026. A descoberta foi detalhada pelo portal Futura-Sciences.

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