O governo Lula avalia zerar impostos sobre o querosene de aviação. A medida busca conter a alta das passagens em meio ao choque global do petróleo.
A proposta em estudo prevê zerar PIS/Cofins sobre o combustível usado pelas companhias aéreas. A decisão deve ser temporária, com duração estimada entre dois e três meses.
O movimento responde a um aumento abrupto nos custos do setor. O preço do querosene subiu cerca de 54% após a escalada da guerra no Oriente Médio, pressionando diretamente as empresas.
Esse combustível é o principal custo da aviação. Ele já representa cerca de 30% das despesas e pode chegar a 45% após os reajustes recentes.
O impacto é imediato no consumidor. Especialistas apontam que as passagens podem subir entre 10% e 20% se o aumento for repassado integralmente.
Diante desse cenário, o governo tenta agir rápido. A equipe econômica quer evitar um novo choque inflacionário vindo do setor aéreo.
A estratégia segue o mesmo padrão adotado no diesel. Reduzir tributos para amortecer efeitos externos sem criar subsídios permanentes.
Segundo o Ministério da Fazenda, há preocupação em não “perenizar” benefícios fiscais. Por isso, a medida deve ter prazo curto e caráter emergencial.
Mesmo assim, o impacto da proposta é limitado. As grandes companhias aéreas gastam cerca de R$ 700 milhões por mês com combustível.
A economia com a isenção tributária deve variar entre R$ 10 milhões e R$ 20 milhões mensais. O alívio existe, mas é pequeno diante do problema estrutural.
O próprio setor reconhece isso. Executivos avaliam que a medida ajuda, mas não resolve a pressão causada pelo petróleo internacional.
O problema está fora do Brasil. O preço do barril saltou com a crise no Oriente Médio, elevando o custo do querosene e pressionando toda a cadeia.
Para o país, o impacto vai além das passagens. O transporte aéreo é peça-chave na integração nacional, especialmente em regiões distantes dos grandes centros.
Passagens mais caras reduzem voos, afetam turismo, negócios e logística. Isso tem efeito direto sobre a atividade econômica.
No plano estratégico, o episódio expõe uma fragilidade. Mesmo sendo produtor de petróleo, o Brasil ainda depende parcialmente de importações de querosene.
Isso deixa o país vulnerável a choques externos. Cerca de 20% da demanda interna do combustível vem de fora.
A discussão sobre o imposto revela um tema maior. Energia, geopolítica e custo de transporte estão cada vez mais conectados.
O governo tenta ganhar tempo com ajuste fiscal pontual. Mas o movimento global do petróleo segue sendo o fator decisivo para o preço final ao consumidor.