Governo Lula amplia guerra contra a alta dos combustíveis

Ricardo Stuckert - PR/ Agência Petrobras

O governo Lula ampliou subsídios e zerou impostos para segurar o preço dos combustíveis. A medida tenta conter um choque global provocado pela disparada do petróleo.

A estratégia combina dois movimentos centrais. De um lado, redução de tributos federais. De outro, transferência direta de recursos para baratear o diesel.

Na prática, o governo zerou PIS e Cofins sobre o diesel. A medida reduz cerca de R$ 0,32 por litro no preço final.

Ao mesmo tempo, foi estruturado um subsídio direto ao combustível. A proposta prevê um incentivo de R$ 1,20 por litro de diesel, dividido entre União e estados.

Combinadas, as duas medidas podem reduzir até R$ 0,64 por litro no curto prazo. O objetivo é evitar repasse imediato da alta internacional ao consumidor.

O custo é elevado. O impacto estimado do subsídio gira em torno de R$ 4 bilhões em apenas dois meses, segundo a equipe econômica.

Em escala maior, o pacote completo para conter o diesel pode chegar a cerca de R$ 30 bilhões. Desse total, aproximadamente R$ 20 bilhões vêm de renúncia fiscal e R$ 10 bilhões de subsídios diretos.

A pressão vem de fora. O petróleo internacional chegou perto de US$ 100 por barril após a escalada da guerra no Oriente Médio, elevando custos no mundo inteiro.

No Brasil, o problema é ampliado pela dependência parcial de importações. Mesmo sendo produtor, o país ainda importa diesel e derivados, o que transmite rapidamente a alta externa.

Há também pressão política interna. Estados resistem a reduzir ICMS, já que a medida pode gerar perda de arrecadação de até R$ 1,5 bilhão em dois meses.

Para compensar o custo fiscal, o governo adotou outra medida estrutural. Foi criada uma taxação sobre a exportação de petróleo bruto, com alíquota em torno de 12%.

Esse mecanismo busca equilibrar as contas. O governo reduz imposto de um lado e cria receita de outro, tentando neutralizar o impacto no orçamento.

O movimento revela uma lógica clara. Em vez de deixar o mercado repassar o choque, o Estado atua para suavizar o impacto sobre consumidores e inflação.

Para o Brasil, o efeito é direto. Diesel mais barato reduz custo do transporte, frete e alimentos, que são fortemente dependentes da logística rodoviária.

Isso tem impacto imediato no índice de inflação. Combustível é um dos principais canais de transmissão de choques externos para a economia interna.

No plano estratégico, a medida expõe um ponto central. Energia voltou a ser variável crítica da política econômica.

A combinação de guerra, petróleo e inflação coloca o Brasil diante de uma escolha recorrente. Absorver o choque ou intervir no preço.

O governo optou por intervir. E fez isso com números que mostram a dimensão do problema e o peso do combustível na economia nacional.

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