A Organização de Energia Atômica do Irã, sob a liderança de Mohammad Eslami, enviou uma carta ao diretor-geral do Organismo Internacional de Energia Atômica (OIEA), Rafael Grossi, exigindo uma posição oficial de repúdio aos ataques realizados pelos Estados Unidos e Israel contra a central nuclear de Bushehr.
Na comunicação, Eslami classificou os atos como uma infração grave ao direito internacional, alertando para o perigo de vazamento de material radioativo que poderia causar danos severos à população local e ao meio ambiente da região.
O documento iraniano aponta que os ataques desrespeitam as normas do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), que protege instalações nucleares de ações militares, e representam um risco direto ao sistema global de controle de armas nucleares.
Eslami expressou frustração com a resposta do OIEA, criticando Rafael Grossi por limitar-se a manifestar preocupação sem emitir uma condenação formal. Para o Irã, essa omissão pode ser interpretada como um incentivo a novas ofensivas contra suas infraestruturas estratégicas.
Um dos incidentes mais recentes contra a usina de Bushehr ocorreu no dia 2 de abril de 2026, quando um projétil atingiu a instalação, resultando na morte de um segurança e em danos a uma estrutura secundária. Apesar do impacto, as operações centrais da planta não foram interrompidas.
Este ataque é apontado como o quarto de uma série de ações militares contra instalações nucleares iranianas desde a escalada de tensões com os EUA e Israel, que teve início em meados de 2025, conforme análises geopolíticas da RT.
Alexéi Lijachov, chefe da Rosatom, corporação estatal russa de energia nuclear, também se pronunciou sobre a gravidade da situação. Ele destacou que operações militares próximas a instalações como Bushehr aumentam exponencialmente o risco de um desastre de proporções regionais, com potencial para liberação de radiação em larga escala.
Suas declarações reforçam a urgência de medidas internacionais para proteger tais estruturas, vitais não apenas para o Irã, mas para a estabilidade ambiental e de segurança no Oriente Médio.
O Governo do Irã reitera sua demanda por uma resposta contundente do OIEA, argumentando que a organização tem a obrigação estatutária de condenar explicitamente os ataques e de agir para prevenir novas violações.
Autoridades em Teerã afirmam que a inação de organismos internacionais compromete a credibilidade do regime de não proliferação e expõe o país a ameaças contínuas. O Irã sinaliza que tomará as medidas necessárias para proteger suas instalações e garantir a segurança de seu programa nuclear, considerado essencial para fins energéticos e de soberania nacional.
A controvérsia em torno de Bushehr também levanta questões sobre a conduta dos EUA e Israel, que frequentemente justificam suas ações com alegações de segurança regional, enquanto ignoram os impactos humanitários e ambientais de ataques a infraestruturas críticas.
O silêncio de potências ocidentais sobre os perigos de uma catástrofe nuclear no Irã contrasta com suas campanhas de retórica moralizante em outros cenários, não passando despercebido no contexto geopolítico internacional.
Com informações de actualidad.rt.com.