Em uma articulação incomum, os partidos PT e PL, historicamente posicionados em polos opostos da política brasileira, decidiram apoiar um projeto que busca aumentar a transparência nas votações da Câmara dos Deputados. A proposta, protocolada no dia 31 de março pela deputada Gisela Simona, do União Brasil-MT, exige que a pauta de votações do plenário seja publicada com antecedência mínima de 24 horas.
Conforme noticiado pelo portal Metrópoles, a iniciativa já reúne apoio de parlamentares de diversas siglas, como PSOL, PDT, PCdoB, Novo, PP e PSD, demonstrando um raro consenso multipartidário.
A demanda por maior previsibilidade nas pautas legislativas responde a uma crítica frequente entre os deputados, que muitas vezes recebem a agenda de votações em cima da hora, dificultando a preparação para debates e decisões. Gisela Simona destacou que essa falta de antecedência não apenas compromete o desempenho dos parlamentares — especialmente daqueles que não integram os colegiados responsáveis pela definição das pautas — mas também impacta o trabalho das assessorias, fundamentais para embasar as deliberações com qualidade.
Entre os parlamentares que endossaram o projeto estão nomes de diferentes espectros ideológicos: Fernanda Melchionna (PSOL-RS), Adriana Ventura (Novo-SP), Duda Salabert (PDT-MG), Evair Vieira de Melo (PP-ES), Maria do Rosário (PT-RS), Pastor Henrique Vieira (PSOL-RJ), José Medeiros (PL-MT), Orlando Silva (PCdoB-SP), Laura Carneiro (PSD-RJ), Delegado Matheus Laiola (União Brasil-PR) e Tarcísio Motta (PSOL-RJ). Essa ampla adesão reflete a insatisfação generalizada com os atuais procedimentos da Câmara e a busca por um processo legislativo mais claro e organizado.
A proposta pressiona diretamente o presidente da Câmara, Hugo Motta, a revisar o regimento interno da Casa. Até o momento, não houve pronunciamento oficial de Motta ou da Mesa Diretora sobre a viabilidade da mudança, mas a mobilização de partidos tão distintos sugere que o tema ganhará destaque nas próximas discussões.
A articulação, iniciada no final de março, segue sendo debatida nos bastidores, com expectativa de que novas adesões fortaleçam a cobrança por transparência no cotidiano legislativo. O desfecho da iniciativa pode marcar um avanço significativo na relação entre os parlamentares e a condução das atividades da Câmara.